Conto 2 - Meu Turno!

É claro que não foi só aquilo com Flinn que aconteceu naquele dia; é claro que não foi só ele que ficou sabendo sobre a briga de Lucas e Akira… é claro que isso alguma hora chegaria para pessoa certa…


Conto 2

Intitulado de “Meu Turno!”

Vamos voltar um pouco naquele dia… especificamente no primeiro horário e no segundo andar… Bom, o que dizer sobre o segundo andar? Ele não era tão ruim, mas não era tão bom. Para falar a verdade, era o meio termo da escola inteira. Um andar apenas de Ember's era algo bom às vezes; não havia tantas brigas… não era tão barulhento… era um lugar até que normal e, sem dúvidas, bom de se viver. Elliot amava isso, era o meio-termo perfeito que ele queria quando o assunto era se descobrir naquele lugar… mas mesmo assim, desde que chegou ali, não teve tanto sucesso nos seus planos iniciais. Na maioria do seu tempo, quando não estava estudando ou tentando achar uma razão por estar ali, Elliot fazia o seu melhor para alegrar todos que conversava… e isso claramente incluía Sophia.

Sua maior conquista até agora fora a criação de seu grupinho de amigos. Elliot junto a Sophia criaram quase como um grupinho de entusiastas de jogos de tabuleiros e derivados. Qualquer tempo livre que aparecesse eles aproveitavam para “mais uma partida”. E bom, naquele dia não ia ser diferente…

— Eu jogo “Falkor, O Dragão Errante” pelo custo de duas manas de fogo. Logo depois ativo a habilidade dele com mais uma mana, aumentando seu ataque e defesa para “3/3”. — dizia Elliot em mais uma de suas partidas contra Kai. — Seu turno.

Não vai atacar?

Caso eu fizer isso a habilidade some no próximo turno.

Saquei… Tá, eu compro… — disse Kai, puxando uma carta de seu baralho. — Hehe… dei sorte. Sacrifico meu “Argos, Dragão Guerreiro” e “Lupus, Dragão Das Neves” para invocar o meu caro… “Fuka, o Líder Do Clã Dos Dragões”! Mas não acaba por aí…

Oh, Deus… lá vem.

— Uso o feitiço “Raifuma” com o gasto de três de mana astral, fazendo meu Fuka ficar com “20/20” até o meu próximo turno… e como eu não posso atacar no turno que o Fuka é invocado, eu tenho a defesa perfeita! Seu turno!

Oh, você tá ferrado! — exclamou Sophia, que estava só observando. — Você só ganha essa se mudar o futuro!

Me chame de faraó então… afinal, o jogo só acaba com os seus pontos em 0! — respondeu Elliot, comprando uma carta. — Bom… vejamos… Eu uso mais uma vez a habilidade do Falkor, ficando com “4/4”…

Mesmo com o seu “Voar” ele não acaba com meus pontos de vida!

Exato… Fica esperto! Eu jogo “Menção Ao Watch”, que me permite pegar o controle de uma de suas criaturas por um turno…

AH, QUALÉ!

— … Como já passou um turno que seu Fuka foi invocado, mas não chegou no seu próximo turno, eu ainda posso usar os efeitos do “Raifuama”… Com isso, declaro um ataque direto aos seus pontos de vida com todos os meus monstros. No total, foram 24 pontos de dano; você fica com −6 pontos de vida… Eu ganhei!

Sophia não costumava ter aula com o resto do pessoal no primeiro horário, então, por conta disso, Elliot e Kai — um garoto que ele conheceu pelo acaso — ficavam no quarto da garota jogando qualquer coisa apenas para fazer uma boa companhia… Os dois garotos jogavam e Sophy só assistia sem entender nada na maioria do tempo. Mesmo assim, era a melhor coisa em momentos como aqueles. E era um ótimo entretenimento também.

Kai, assim como Elliot, conheceu Sophia por um acaso; o jovem apenas trombou com ela e Elliot na cantina e… só. Quando se viram, ambos estavam jogando xadrez naquela cantina barulhenta; quando se viu, Kai sofreu o xeque-mate mais rápido da sua história no xadrez.

Sophia, por sua vez, não via nenhum mal naquilo; já que nem tinha motivo para isso. Ambos ali eram não só uma ótima companhia, como a única que ela tinha. A garota contava os minutos para que seus amigos chegassem em seu quarto; principalmente Elliot, que sempre aparecia com algo novo para eles jogarem.

Vocês fazem parecer fácil… Eu ainda não entendo esse… É muita regra! — disse Sophia, pegando algumas cartas do baralho de Kai. — Mas… tem uns desenhos legalzinhos!

COD não é difícil… é só meio chato de início. Tenha certeza que você iria amar jogar com um baralho de “Queen-Spider”. Ia ficar dando stun em todos os meus monstros… — falou Kai, pegando algumas cartas soltas e pondo elas no topo do seu baralho. — Eu preciso atualizar nossa ban-list, esse Watch tá chato já.

Eu gosto da garota escorpião, ela parece eu!

— A “Escoropina”? — indagou Elliot, fazendo o mesmo que Kai. — É… um baralho de veneno é algo bom de começo… fácil e eficaz. E sim, ela é bem sua cara mesmo.

Ah, Ely, disse quem usa deck de burn, né? “Eficaz” é sacanagem…

Ora, o nome do jogo é “Country Of Dragons”, você queria que eu fizesse um baralho de dragões ou de… fantasmas?

É, ai 'cê me pegou… Mas um deck de Yōkai é legal, só que é um horror de juntar as cartas dele. 20 dólares em uma carta armadilha? Tá maluco?!

Escoropina!

Aquele momento era ótimo, e mesmo que Jasper pudesse chegar e atrapalhar tudo por conta de uma aula, ele continuaria ótimo. Desde que entrou naquele grupo, Elliot se distanciou do seu foco, mas ele mesmo assim não ligava. Aquilo era algo que ele nunca teve; e não era sobre os amigos, sobre a sensação… era sobre o momento. Elliot encontrou em si naquele lugar algo que ele nunca teve em sua casa… e isso era conforto.

Uma longa história, sim, mas que tinha tempo para ser contada… e mesmo que eu quisesse falar tudo agora, o mundo não queria o mesmo.

Streak! Fuueenn…!

Cabelo longo e cacheado; olhos em um tom marrom; camisa estampada de gatos; um óculos e… uma saia longa dobrada acima dos joelhos… Enfim, a última peça daquele quebra cabeça; o último membro daquele grupo…

MEI! — exclamou Sophia, jogando as cartas e sua mão com tudo para Elliot e correndo em direção da amiga para um abraço. — OI, OI! COMO VOCÊ TÁ?!

Hehe… oi, boba! — respondeu Mei, retribuindo o abraço de um jeito desajeitada. — Eu tô bem, e… Ah, Deus, ainda nesse jogo? Vocês não cansam disso não?

Nah, ele me amassou de novo… Mas tipo, EU já tô cansando de perder, mas o jogo continua sendo ótimo!

Eu só jogo com as regras, Kai… Oh, sim… Mei, trouxe a Paola?

Não, o Rubert levou ela pra tomar injeção contra gravidez.

— Quê? — exclamou Kai. — Como que ela ficar grávida se só fica no teu quarto?

Tem o Judy também, esqueceu? Mesmo que ele viva saindo sem eu nem ver, o Rubert ainda acha que isso é motivo pra espetar minha queridinha…

E ele… tá errado?

E isso importa? Ele quer tirar meu neném de mim! EU TO FICANDO MALUCA SEM ELA!

Calminha, Mei… Quando ela volta? Não deve demorar tanto para ela voltar. — disse Elliot, terminando de guardar suas cartas.

Daqui a duas horas… Duas malditas horas sem ela… EU NÃO VOU AGUENTAR…!

Não é muito! — exclamou Sophia. — A gente pode se divertir enquanto espera…!

Não é muito?! Ainda é muito tempo! Eu não consigo viver sem aquela belezinha nem mais um minut…

— Que tal uma partida? — sugeriu Kai. — Pode ajudar com a ansiedade… Eu tenho um deck de Neko, se você quiser…

Mais nem a pau! Vocês dois tornaram esse jogo massante…

Hey! Eu não… foi o Elliot e esse deck de…

— Okay, okay… parou os dois. — disse Elliot. — Que tal só conversarmos sobre alguma coisa? Mei, algo novo?

Yay, isso, isso! FOFOCA! — exclamou Sophia. — Aconteceu algo? Alguém explodiu?!

Ah, verdade… agora que vocês falaram… alguém aqui sabe que bagunça era aquela no andar de baixo? — indagou Mei, escorando-se na parede do quarto. — Eu tava vindo da sala do Rubert e vi um monte de gente no meio do corredor comentando sobre algo… Parece que algo rolou hoje cedo.

Ah, falando nisso… — complementou Kai. — Eu também vi. Parece que foi algo da festa de ontem; uma briga talvez.

E alguém daqui foi para a festa de ontem? Elliot?

— Nop, eu só saí ontem a noite para falar algo com um conhecido, mas nada de festa. Eu tava aqui ajudando a Sophy com o dever de espanhol… Sólo estaba haciendo mi trabajo como professor... en lugar de Jasper.

Hehe… Buenos días!

Deus~! Você poderia ter ido checar, né? Você não era o curioso do grupo?!

Meu título atualizou, esqueceu? “O Jogador" fica bem melhor comigo.

— Ainda assim! Poderia ser menos… espanhol e mais fofoqueiro! É por isso que a gente tem que ir no País Das Maravilhas um dia desses… O pessoal de lá já deve saber o que rolou; até mesmo o que vai rolar.

Esse não é aquele clube clandestino tipo o clube da luta?

Tá mais para bar clandestino, isso sim… E não se fala dele sem estar nele, assim como o clube da luta. Se aqui tivesse câmeras a gente ia se ferrar bonito.

Dá na mesma… Com todo respeito, mas depois que eu soube que aquele serve álcool, eu nunca vou pisar nele. A Cassidy já foi lá, sabia? Isso é meio… Não, isso é muito irresponsável.

Hipócrita! Da onde você acha que tiro seus suquinhos de uva e pacotinhos de cartas?

Um bar clandestino com tráfico de cartas de um jogo famoso… O que mais? Vai dizer que lá eles traficam mais que isso?

Kai, não fique quieto… responda à pergunta, Kai… isso não foi retórico.

Ah, sim… o grupinho de Elliot era o que qualquer um chamaria de “normal”; eram apenas um grupo genérico de adolescentes que por acaso fizeram algo para estarem em Bonfire. Mei era louca por gatos, pegava qualquer um que desse “sopa”, e por conta disso foi mandada para a escola… A garota havia invadido um terreno proibido por conta de sua tão querida Paola, gata essa que veio a se tornar a mascote do grupo. Kai era um amante de jogos; tantos os normais quanto os de apostas… e mesmo sendo bom e roubar na cara dura, alguma hora isso o fez pagar. Depois de uma aposta que levou ele e mais um aluno para Bonfire, Kai tem passado seus dias jogando o único jogo de cartas permitido naquele colégio inteiro: Country Of Dragon's… Eu até diria do que se trata, mas… uma amálgama de regras é algo que leva muito tempo para ser explicado; se Elliot demorou para entender como aquilo funcionava, imagina você, pequenino. Imagine eu!

Falando nisso… Sobre Sophia e Elliot não há o que se falar, certo? Ambos estavam ali por motivos já ditos. Elliot, de certa forma, queria entender seu crime. Sophia, por sua vez, era ingênua de mais para entender seu crime.

No fim, a rotina era simples: acordar, se arrumar e partir direto para quarto de Sophia para ajudar ela com qualquer coisa possível… Sim, aquele pudim em pessoa, como diria Kai, era o centro total de tudo. Sophia nunca esteve tão feliz por ser tratada daquele jeito. Sophia nunca esteve tão feliz por ter um grupo de pessoas que a tratavam daquele jeito.

Mas… claro que nem tudo era uma maravilha; alguma hora aquela reuniãozinha teria que acabar… No fim, Bonfire ainda era uma escola.


Streak! Fuueenn…!

Sophia, bom dia… Aula de… Ah, vocês de novo?

Bom dia, Sr. Jasper! — exclamou Sophy.

Olá, Sr. Jasper. — disse Elliot.

Fala, coroa! — zombou Kai.

QUALÉ, EU MAL CHEGUEI AQUI! — reclamou Mei…

Jasper Starling… professor particular de Sophia.

Sejamos francos, aquela garota não batia bem da cabeça, mas… sua mãe era a verdadeira maluca por lhe mandar para aquele lugar. Liz entendeu isso desde cedo e, milagrosamente, tomou uma decisão razoavelmente certa… Jasper cuida de Sophy a todo momento, quer dizer, a todo momento que Elliot e os outros não estão ali… Para falar a verdade, o homem agradece às vezes por esse garoto ter aparecido; era bom ter um momento de descanso… Mas, ele não poderia mentir para si, Elliot, de certa forma, estava roubando seu trabalho gradualmente.

Mas… embora parecesse um mar de maravilhas, havia algo que não alegrava ninguém do grupo… a personalidade de Jasper. Ele era grosso, não gostava de ser interrompido e… não gostava de gentalha em suas aulas… Você já sabe o que vem por aí por conta disso, não é?

— Bom dia, pessoal… Podem se retirar? — pediu Jasper, adentrando mais o quarto. — Hoje teremos química de novo. A Sophie não consegue se concentrar com pessoas por perto… Muitas pessoas, neste caso.

Oi, Jasper. — respondeu Mei. — É “Sophia”, não “Sophie”.

Não importa. Saiam.

— Qualé! Não deu nem dez minutos que eu tô aqui… não posso ficar mais um pouco não? Eu quase não tô tendo tempo pra conversar com minha ami…

Não. Sem tempo extra. Saiam.

Não fode, Jas! — disse Kai. — A gente tem o direito de falar com nossa amiga… Você passa o dia todo nisso! Por que não pega o turno noturno logo?!

— Perdão, boca suja? Este é meu trabalho, eu escolho quando ele começa e termina conforme os termos que assinei. Agora, saiam.

Jasper… você sabe que podemos…

Nem vem, Elliot, eu já falei com a Liz sobre isso. Saiam logo ou eu chamo o guardas… Esse é meu último pedido.

Ah, merda… Elliot, Kai, bora logo… Tchau Sophy, a gente se vê mais tarde, fofa!

Awn… até gente… Eu vou fazer tudo pra gente se falar mais tarde, eu vou me esforça!

Oh, Deus… que draminha… Xô, xô! E você, Sophie, não inventa de só sair marcando; eu quero justificativas dessa vez!


Fuueenn… Streak!

Aquela sensação não era boa, nem hoje, nem nunca. Ser expulso de um lugar que você gosta é algo que ninguém pode imaginar, e era isso que o grupo de Elliot vinha passando há um tempo. Jasper era o que Kai chamava de…

Empata foda! Fudido! Cuzão! Pau pequeno!

Olha a boca, Kai. Ele pode ouvir ainda. — falou Elliot, se escorando na parede. — Deus… mas você tá certo, viu? Esse homem sempre aparece quando não deve. Não gosto disso.

Você não gosta disso ou não gosta dele ficar sozinho com a Sophy? — indagou Mei.

— Ora, ambos! Este homem me preocupa. Já viram o jeito que ele anda? Vocês sabiam que ele fuma? Ele nem ao menos liga para própria postura, nem mesmo para seu pulmão!

Desculpa, mas ninguém aqui é obrigado a ser um certinho como você… — disse Kai, também se escorando na parede. — Qualé, Liot, relaxa… os professores daqui são gente boa; certeza que o Jas é só um pé na bunda assim como o Rubert. Não tem que se preocupar com isso…

— Eu só vou te ouvir por que você está aqui a mais tempo que eu. Mas… isso também não muda o fato de você tá “defendendo” alguém que acabou de xinga horrores.

— Hehe…! Ao menos nisso eu sou melhor que você! Bipolaridade!

Acho que você não devia se orgulhar disso, Kai… — contestou Mei. — E não é bipolaridade, você só é lelé da cabeça. Só não é pior que o Mark.

De qualquer forma! Querem fazer o que agora?!

— Hoje… temos aula só no segundo horário, certo? Liz tinha falado disso um tempo atrás… — comentou Elliot. — Alguma ideia do motivo disso?

— Que eu saiba… ela foi pra Luary atrás de um novo professor. A gente tá sem aula de história por conta disso; o antigo tentou fazer alguma coisa contra uma aluna e foi pego.

Deus… e você disse que o pessoal daqui é de boa, não é? Esse povo daqui precisa de um psicólogo, isso sim.

— Relaxa… foi só algo bobo; o Vlad e o Italo acabaram com a raça do professor antes que ele fizesse algo. Por que acha que o Tristan veio aqui semanas atrás?

Ele veio?

Ah, sim… você devia tá ajudando a Sophia…

— Em que momento ele não faz isso? — indagou Mei. — Mas enfim! Chega de falar desse tipo de coisa…! O que vocês querem fazer agora que… o Jasper tomou a Sophy da gente? Pessoalmente… eu tô curiosa sobre o que rolou lá embaixo… querem tentar descobrir?

Faço a mínima ideia do que fazer. — respondeu Kai. — E… sei lá, a gente vai descobrir o que rolou alguma hora; não precisa ir atrás pra saber.

Bom… você citou o Vlad, não é mesmo? — questionou Elliot. — Este não é um dos garotos do terceiro andar? Eu posso não ir com tanta frequência lá em cima, mas… você já não havia dito que ele era um bom jogador de COD?

— Ai, Deus! Lá vem vocês dois de novo com esse jogo! FOFOCA, GENTE, EU PRECISO DE FOFOCA OU MINHA GATA!

— “Bom” jogador?! — exclamou Kai. — Ele é o melhor da escola! O único com um baralho só de full-art! Ele tem cartas lendárias e…

Okay, okay… ele é um viciado como a gente. — interrompeu Elliot, parando de se escorar na parede. — Que tal darmos uma visitinha no quarto dele? Não é por nada, mas… suas cartas já estão um pouco ultrapassadas. Elas não estão mais tão fortes como antes.

Dá um tempo, eu não consegui comprar mais pacotinhos… Aquele bar maldito agora só vive fechado.

Eu fiz o meu baralho por troca, corta essa!

Trocando comigo, que comprei de lá, bobão!

— Vocês dois vão ficar nessa então? — indagou Mei. — Se for só isso, eu vou atrás de alguma outra coisa… Nunca entendi seus vícios por… países e dragões.

— E eu nunca entendi seu vício por gatos… Ah! Falando nisso, fiquei sabendo que o Vlad tem um… Eai? Vai querer um parceiro pra Paola? É melhor do que ficar vagando por aí esperando sua gata.

A cara de Mei virou uma mistura de negação e vontade; foi só uma citação boba como aquela e ela teve um motivo mais que perfeito para seguir a dupla. Mesmo assim, ela não queria passar a sensação de ser convencida tão facilmente…

Mas, quem liga?

Fechou! — disse Kai, segurando a mão de Elliot e Mei, puxando ambos logo em seguida em direção às escadas… — Vamo' nessa, cambada!

HEY, EU NÃO CONCORDEI COM NADA!

Ah, vamos lá, Mei… vai ser legal!

Deus~! Tá, mas só por conta do gato!

Hehe, fanática!

O grupo apenas andou… bem, dois dos membros do trio não estavam fazendo aquilo por querer… ou quase; Elliot queria ter um desafio; Mei quereria poder tocar em qualquer criaturinha peluda que miasse; Kai queria só se divertir.

Depois de um tempo, Kai soltou a mão dos dois atrás dele; o grupo apenas seguiu no automático em direção ao terceiro andar, e com poucos passos eles chegaram às escadas… Com o mínimo de esforço, lá estavam eles, no terceiro andar, em frente a uma… espécie de porteiro? Bem… isso era novo.

O lugar estava quieto e quase vazio; não havia ninguém por lá a não ser aquele “porteiro” e o grupinho que acabara de chegar. Kai não sabia o motivo daquilo, não era tão comum ver aquele lugar quieto e sem ninguém… nem no dia mais sombrio aquilo seria normal.

Ao menos, aquele dia tendia a ser tranquilo; um corredor como aquele significava que não teria tanto problema o grupinho estar ali… Mesmo assim, o garoto obviamente tinha dúvidas a serem tiradas, e por sua sorte, ainda tinha uma pessoa naquele corredor que podia responder essas dúvidas…

Kai, que estava na frente, apenas encarou o “porteiro” do lugar, e…

Alan?

— O nome dele é Alan? Pensei que era Afrain…

Ah, oi, pessoal!

— Não, Mei, Afrain é o Flame. Mas você está certa, jurava que o nome dele fosse Atlas.

Dá pra ouvir vocês dois aí atrás, viu? Meu nome é Alan, não é difícil decorar… É apenas Alan.

— Tudo bem, Allen.

Tá, não foi um bom começo… Kai estava mais perdido que qualquer um ali; mas Elliot e Mei não ajudaram muito.

Cof, cof…

— Cadê todo mundo? — indagou Kai. — Não é comum ver esse lugar vazio.

Oh, bem… o Rafael foi pra Sunny… meio que esse lugar fica assim quando isso acontece… primeira vez sendo isso? É meio estranho de começo mesmo.

E… por que você tá aqui sozinho?

Uuhh… Bom, digamos que eu sou um porteiro. — disse O Coadjuvante. — Como todo mundo tá focado em manter os guardas nos andares de baixo, eu fico como reserva caso algum venha aqui pra cima… Tipo o Rubert e as revisões surpresas dele.

E… você fica sozinho aqui, tipo, o dia inteiro?

Ah, não, não! Eu não tô sozinho… teve um pessoal que não foi. A Luna tá ali atrás, inclusive. — disse apontando com o dedo para trás de si, revelando a garota só longe junto a um garoto.

— … Entendeu? Por isso o lugar tá quieto assim…

— Saquei… isso significa que…

— Que você tem muito trabalho hoje! Agora vai lá, Flinn! Eu tenho algumas coisas pra fazer… e você histórias pra anotar!

— Joia, chefia.

Bom… aquilo era único. Tanto Kai, como Elliot, Mei e o próprio Alan apenas reagiram sobre aquilo da melhor forma possível… que neste caso, era não reagir.

Vem cá~… o Vlad saiu também?

**Streak! Fuueenn…!

— 'Cabou de entrar no quarto da Luna. — respondeu Alan, sem nem olhar para trás. — Por quê? Quer falar com ele? Não é um momento tão bom pra isso… ele tá em um…

— Na verdade… esse ser humaninho quer jogar contra ele! — respondeu, puxando Elliot para frente. — Vai, fala alguma coisa!

— Prazer… Para minha defesa, eu meio que estou sendo forçado a isso por conta de nossa situação atual… mas também não vou dizer que não fiquei interessado quando ouvi falar sobre o senhorio.

Uuuhhh… Saquei… E a garota? Eu não sou bom com nomes, desculpa, mas… quem é você mesmo?

— Mei… E eu só vim aqui por um motivo simples… e fofo… e peludo… e fofo e peludo… e simples… Eu vim aqui por…

— Ela só veio brincar com o gato do Vlad!

Deus… só isso? Han… tá bom, eu acho… Podem ir… Só não arrumem problemas; eu não quero levar bronca do Rafael… Eu e a Aiko marcamos coisa pra hoje, se tiver que ouvir um discurso daquele menino eu me atraso em quase meia hora!

Valeu, ó… Uuhhnn… Pera, qual o seu nome mesmo?

— Alcatran!

Ah, cara… você começou a conversa falando ele… não é tão difícil lembrar…

— Alfred?

Fechou, até mais tarde, Alphonse!

Ah, cara… alguém aqui pelo menos sabe meu sobrenome?

Tudo bem… o foco, por hora, não era sobre aquele garoto, certo? Kai queria ver um duelo épico; Elliot e Mei queriam apenas passar o tempo com qualquer coisa… No fim de tudo, o grupo arrumou um “algo” para fazer.

Antes mesmo de Luna entrar em seu quarto, Kai e os outros aumentaram o passo; apenas deram uma corridinha e… de uma forma aceitável — nos olhos de Kai…

Luna~!

AI, MINHA SANTA BOMBA NUCLEAR!

Okay, aquilo não foi de uma forma aceitável… e nem mesmo uma forma normal de reagir a um susto…

Kai, com um carinha de ânimo, se aproximou de Luna; a mesma apenas se jogou para dentro de seu quarto e, de forma cômica, pôs apenas parte de sua cabeça para fora…

Deus! QUE SUSTO! — exclamou a garota, após ver o grupinho em frente ao seu quarto. — Nhaw… o que trazem Ember's como vocês ao meu recinto de planos que claramente não remetem às suas lideranças falhas e com propósitos coligados a…

— Tem gente aí fora?

— … SHIU!

Oi, Luna! A gente…

Podemos falar também, sabia? — contestou Mei. — Quer que a gente seja só uns coadjuvantes como o Alan?

— ENTÃO VOCÊS SABEM MEU NOME?!

Ah, Anthony, só ignora~!

Oh, Deus… até quando esse lugar está vazio tem confusão pelo visto… — reclamou Elliot, aproximando-se de Luna após o lugar “se acalmar" um pouco.. — Bom… Luna, correto? Por acaso o senhorio denominado Vlad se encontra em seu aposento? Nós foi dito que ele entrou aqui.

— Não, vê se eu tô na biblioteca!

ALAN, SEU DEDO DURO! — exclamou Luna, dando o dedo do meio para Alan no final do corredor. — Ugh… Se… ele estivesse aqui, o que vocês três queriam com ele?

GATO! — exclamou Mei.

SAI DAQUI, MOCREIA, É MEU!

Não, tô falando do gato dele, não dele!

Ow… entendi… O que vocês querem com o nosso ga… DIGO, com o gato do Vlad?

Bom… não é só isso que queremos… — complementou Elliot. — Meu caro Kai disse que Vlad é um ótimo jogador de Country Of Dragons, então… gostaria de tirar minhas dúvidas sobre isso com… um duelo amistoso.

— AH, É?!

Step, step, step… STREACK!

De repente, após a fala de Elliot, a porta que Luna usava como “escudo” é aberta com tudo… A jovem se assustou, quase caiu com tudo por conta daquilo; o grupo se assustou, da mesma forma que Luna, mas, ao contrário da garota, foi por conta de outra coisa…

Após a porta do quarto ser aberta, duas coisas ficaram aparentes: primeiramente, o quarto de Luna era provavelmente o lugar mais improvável daquela escola… o que era O País Das Maravilhas comparado àquilo? Quadros com fotos de alunos de um lado… papeis com várias coisas escritas a mão para o outro… até mesmo o que parecia ser um aglomerado de…

Um desafio, heh?

Oh, sim… o Vlad.

A segunda coisa que fora notada era obviamente o garoto que abriu a porta. Kai já tinha visto ele uma vez; Mei também… mas Elliot? Aquela era a primeira vez vendo O Vampirista.

Cabelo longo, cor preta como a escuridão da noite; olhos âmbar como a ambição eterna; pele branca como um inverno mortal; alto, curvado para encarar Elliot em seus olhos… enfim, alguém que conseguia impor uma sensação que remetesse àquele lugar; que parecesse pertencer a Bonfire… mas…

— Qual foi da camisa? — indagou Kai, de relance. — Por que você tá descalço?

Quieta aí que o papo não é contigo… — respondeu Vlad, dando uma breve olhada para Kai. — Então… qual o prêmio caso eu ganhe? Dinheiro? Duas semanas de 'ocê fazendo minha lição de casa? A mão da Luna em casamento? Uma ultra-rara de última geração?

— Como é que é o penúltimo tópico?

— Ora, ora, meu caro Vlad… um duelo amistoso é algo só para diversão, não?

Amistoso? Você nem é meu amigo… Eu nem te conheço, guri.

— Ele tem um ponto. — concordo Mei. — Mas… se for pra valer algo… que tal assim: caso o Ely ganhe, a gente pode levar o seu gato para um encontro especial com minha queridinha…

— Cacete, o Alan caguetou meu gato pra 'cês?

— … Caso o Ely perca, você escolhe algo aí e ele faz… Que tal?

— Como você consegue pensar somente em sua gata? Geez…

— Bom… me parece justo, mas… não sei se deu pra notar, mas eu e a Luna estamos…

— Eles tão em um encontro!

CUIDA DAS ESCADAS E DEIXA A GENTE EM PAZ, ALLEN!

De alguma forma, eles entraram. Bom, se Luna e Vlad tivessem alguma ideia para aquele dia, ela não iria rolar até que eles, ou só o Vlad, desse uma forma de tirar o grupinho de Elliot de dentro daquele quarto.

Era simples: uma partida rápida, aquilo no máximo duraria uns cinco minutos; não tinha como aquilo se prolongar tanto… certo?

MEOW-HIHI! GATINHO!

Hey, deixa ele em paz! Vocês vieram aqui para jogar ou ficar mexendo no meu gato?!

Vim para jogar, ela veio pelo gato.

E eu pensando que os Cin's eram os esquisitos… 'cês Em's são tudo bizarro, sabia? Caramba… Vai, embaralha logo essa joça…

Okay, como explicar aquela situação? Era… algo. No centro do quarto ficaram Elliot e Vlad, prontos para uma jogatina; aos lados, ficaram Luna e Mei… Respectivamente, uma delas arrumava vários papéis com coisas estranhas escritas neles; a outra brincava com o gato de Vlad como se ele fosse a única coisa que importasse. E Kai? Bom, ele ficou só sentado olhando Vlad e Elliot começarem a jogar.

Poderia eu explicar tudo que aqueles dois estavam fazendo de começo, mas isso seria o puro suco de enrolação… Por sorte, não era apenas isso que acontecia naquele quarto; e não era só isso que Vlad e Elliot faziam durante o duelo.

— Vocês sabem quebrar uma vibe, hein? — reclamou Vlad. — Eu coloco uma energia de escuridão.

— Ora, não ponha a culpa em mim. Kai tem mais culpa nisso do que qualquer um dessa sala. — respondeu Elliot. — Embora… eu realmente estava querendo algo diferente como isso. Coloco uma energia de fogo e uso “Viagem Vulcânica”.

— Como que eu vou ter culpa? Você que deu a ideia…

Ora, ora… Diz aí, estranho, qual teu nome me'mo? — indagou Vlad, fazendo alguns truques com suas cartas enquanto encarava Elliot. — 'Cê é meio familiar. Já conversamos?

— Nop, nunca. Mas já devemos ter trombado por ai. E me chamo Elliot, Sr. Vlad.

Corta essa de “Senhor”. Sou nem velho. — retrucou. — Coloco mais uma energia e… invoco “Navi, Relutante”.

Oh, isso é novo… Bom, que tal isso? Uso…

Ainda é meu turno… Isso daqui não é um duelo rápido.

O quê? Ainda tem coisa para fazer?

— Lógico, é Meu Turno!

E assim os dois prosseguiram. Não havia nada de novo ali; era apenas mais um passatempo para… bom, passar o tempo. Vlad não parecia nem um pouco animado com aquilo, o mesmo só queria acabar com tudo para voltar aos planos iniciais… e Luna também.

Do outro lado do quarto, lá estava ela… ou melhor, elas. Luna mexia e remexia em uma papelada infinita; sobre o quê, você me pergunta? Bom… alunos. Sim, alunos. Luna estava apenas checando “anotações” enquanto esperava o joguinho em sua frente acabar… Mei, mesmo com sua atenção focada quase que completa no gato de Vlad, não conseguiu ignorar aquela papelada toda… principalmente quando o gato de Vlad simplesmente pulou em direção a Luna e sentou em seu colo.

Hey, Boby, sai! — exclamou Luna de imediato, tirando os papeis de perto do gato. — Você não vai rasgar estes!

— Meow!

Uuhh! O nome dele é Boby? — indagou Mei, aproximando-se de Luna. — Achei fofo! Mas… vem cá… o que é tudo isso aí?

— Meow… ew!

Ahn?! Ahn… Hey, não olha! — disse a histérica, escondendo um pouco a papelada. — Isso… é apenas tarefa de casa!

— Meow!

— E por que o nome do Lucas ta aí, hein?

— Meow?

Eu… roubei o dever de casa dele.

— MEOW!

— Luna, dá comida pra ele logo! — disse Vlad, desviando o olhar do jogo por um instante.

Não tem, o Rafa foi compra'!

Saco… 'tão passa esse gato pra cá! — disse pondo suas cartas de lado e esticando os braços para direção de Luna. — Ptzz, ptzz, Boby, vem cá!

— Meow-ow!

Era bizarro pensar que aquilo ali era um dia normal naquela escola… Vamos lá, o que acontecera somente no primeiro horário até então…?

Sophia… Jasper… Alan… Vlad e Luna…

Tudo foi tão… normal; Elliot já estava na escola a um tempo, mas mesmo assim ele nunca se acostumou com a improbabilidade que um dia podia ter. O jovem vivia, e mais nada. A ideia de querer saber suas razões de estar ali? O que era isso? Elliot se via cada vez mais perdido no seu plano inicial… Era bizarro, talvez por ter a sorte de não ser um envolvido no centro de tudo, mas… Elliot tinha a mesma sensação que Akira sentira uma vez: a sensação de que aquele lugar não era o que ele esperava.

Claro, não importava a razão, Elliot sempre deixava sua mente limpa, mas… ainda assim, ele não conseguia ignorar o fato de que poderia estar cada vez se distanciando de si… Elliot, no fim de tudo, sabia que teve sorte. Mas não a sorte que ele imaginava, ou… que você imagina.

— … Gasto 3 energias e uso a habilidade do Navi, transformando ele em “Navi, Modo Zark”…

Ely, se ferrou, “5/5” já tá em campo!

Nah-uh, ainda é Meu Turno! Eu só saio daqui com um 20/20.

Meow-ew-ew!

Se for parar para pensar, Elliot ainda era uma incógnita, até para si mesmo. Bonfire era um lugar que podia se ver de tudo, mas… alguém que vai para lá por querer? Isso… era único. Bom, recapitulando um pouco, Elliot não fez nada para estar naquele inferno. O jovem, por decisão própria, inventou algo apenas para ir para ali… mas por quê? Elliot já quase esqueceu seu propósito naquele lugar tantas vezes nesse único mês que se passou… então, se é algo tão bobo e esquecível, por que ele ainda ligava?

— … Agora… com as 2 energias restantes, eu transformo o “Navi-Zark, Oblívio” em “O Coração do Rei Dragão, Navi”!

Até que enfim… Eu…

Nah, Meu Turno! Eu ainda não acabei…

Ah, qualé, você nem tem mais energias!

Uh… Isso é novo! Um Elliot irritado selvagem apareveu!

K-Kai… eu estou bem.

Tá nada, olha tua cara!

Quem sabe, não é? Isso… não era importante por hora; Elliot estava mais preocupado com aquele duelo bobo do que com ele mesmo… Ou, quem sabe…

Hey… Vlad, vem cá… — disse Luna, pegando o papel que havia o nome de “Lucas” escrito e analisando ele um pouco. — Você… passou pelo primeiro andar, não é? Sabe me dizer como O Cara-Metade tava? Depois daquela festa, e depois do que o Mark disse ontem… eu andei pensando demais…

Muié, tá quebrando cabeça de novo? — reclamou Vlad, deixando suas cartas de lado de novo. — Mas, te contar que tava feio lá embaixo, viu?

O que tava rolando?

Tá… de boa falar com esse pessoal todo aqui?

— Deus, apenas termine seu turno se for ficar conversando!

— Eles… não falam com o Lucas. Eu já chequei isso. Apenas fala enquanto a memória tá quente na sua cabeça! Eu não quero repetir o que aconteceu com o Richard…

Beleza… Seguinte, quer um resumo?

Não, seja detalhista, por favor.

Tá… Bom, teve briga feia lá embaixo. Tudo que vi e ouvi foi: o Lucas tava com um olho roxo e a cara toda fudida.

Briga? Então quer dizer que o loirinho fez mais alguém de Dimitri, hãn? Vai, continua, quem tava brigando com ele?

— Cara… aquele novato de ontem tava falando algo como: “você ainda fala isso depois de tudo que aconteceu ontem?!” ou algo assim… Eu cheguei meio tarde, mas pelo que deu a entender, era ele e o Lucas que tavam brigando.

Só isso? Não tem mais nada não?

— Sei lá, o pessoal dessa escola não sabem ver uma briga rolando e ficam todos malucos; vou lá conseguir ouvir algo durante uma palhaçada dessas.

Tá, faz sentido… Então deixa eu recapitular: o Lucas…. Pera… o Lucas com olho roxo?

Sim, bateram no menino.

Espera… quem aqui é maluco o suficiente de fazer isso?!

Eu já disse muié… Pelo que deu pra entender, foi aquele guri de ontem… Você mesma não disse que ele parecia não saber sobre nada desse lugar?

Pera… VOCÊ TÁ FALANDO DO AKIRA?! FOI POR ISSO QUE ELE VEIO AQUI MAIS CEDO?! AI, AI, AI… FUDEU, JÁ ERA, ELE TAVA COMIGO, O LUCAS VIU ELE COMIGO, ELE JÁ DEVE TER DESCOBERTO QUE ELE VEIO PRA CÁ, ELE… ELE… VLAD, ELE VAI ME CAÇAR!

— HIIISSS… UUEEWWHH!

Da forma mais cômica possível, durante o surto de Luna, Vlad apenas pegou Boby e jogou nela como se fosse uma bola… O que seria mais irônico que isso? Bom… foi o jeito que Boby reagiu depois de estar nos colos da garota…

Ronron… rrss!

Um Boby selvagem apareceu… Ele usou “TE ACALMA, MUIÉ” em Luna… Foi super efetivo!

Segundos se passam; não muitos, apenas o suficiente para Vlad acalmar Luna depois da informação seca que ele a deu… Estaria tudo bem, isso se caso a informação que ele falou não fosse “importante o suficiente” para Elliot…

Escuta, Luna, você sabe que se aquele cara tentar tocar em você eu e uma cambada de nego desse o sacode nele.

Eu sei, é só que… Argh! Deus, isso só saiu tanto dos trilhos agora… O que faria aqueles dois brigarem? Caramba… O QUE DIABOS O RAFAEL DISSE PRA ELE?!

Sua noite passada foi difícil; ele pensou muito, mas não só enquanto estava com Sophia… Akira ainda fazia parte da cabeça dele de uma forma que o mesmo não sabia explicar.

Olha pelo lado bom, o Lucas tem um bom motivo pra encher nosso saco agora… e a gente tem um bom argumento pra falar que ele é um merda.

Que argumento é esse? Porque meio que eu só vejo o lado ruim disso tudo.

“ihh, ó lá, o cara que apanhou pra um Cinder!”

Ele é Ember, idiota… não faz sentido.

Luna, que parte dessa hierarquia você ainda não entendeu? Tipo, em tese eu sou um Flame; na prática, eu sou um Cinder por andar com vocês. Ele vai ser rebaixado, muié.

Ah, é. Justo.

“Poderia ficar de olho no Akira por mim?”… É, algo aconteceu ontem; Mark não está aqui hoje — ou ao menos Elliot não o viu até agora —, então… por que não aproveitar o embalo do momento, não é mesmo?

Peço… perdão pela pergunta, mas… o Akira veio aqui ontem? Ele veio aqui hoje? Isso… soa estranho para mim. Poderiam explicar?

Eu falei, não era tão bom assim falar com um pessoal como esse aqui. — reclamou Vlad, voltando para o jogo… e voltando a fazer seu “combo” infinito. — _Agora, eu uso “Rei COD, a chamar!” e “Conversa do Bar — Verdade” para…

Não… deixa isso de lado. — contestou Elliot, jogando suas cartas de lado. — O que ele veio fazer aqui? Não me diga que aconteceu alguma coisa naquela festa que…

Oh, santa revolução francesa… Escuta aqui, engomadinho… EU não sou obrigada a falar nada que aconteceu aqui, tendeu? — disse Luna. — Não tava lá na hora ou o quê?

Eu… falei com o Mark para ficar de olho nele… Vamos, eu sei que vocês sabem quem o Mark é; só me digam, o que aconteceu?

Iihh… ai 'cê se ferrou. Colocar uma tarefa como essa nas costas do Mark é meio pedir pra ele não fazer nada. — disse Vlad, ainda jogando. — Eu ponho outra energia, e…

Ely… quebra a cabeça com isso não. — falou Mei, tentando tirar Boby do colo de Luna e recebendo um tapinha da mesma. — Era o Lucas que tava com a cara ferrada, não é? Não é isso que importa…? Vem cá, xanin, tss, tss!

— Ronron… rrrsss!

N-não… Quer dizer, mais ou menos. Meu medo não é sobre o Akira ter se machucado, e sim sobre como ele está depois de… eeehhh… uma briga com aquele garoto. Sejamos sinceros, todos aqui sabemos os males do Lucas, não é? Eu temo sobre o que ele fez ou pode fazer contra o Akira.

Ah, pelo amor… Só ouve tua muié, homi. — disse Vlad, olhando para Elliot. — Quebra cabeça com isso não. Você… conhece bem ele pelo visto; quer dizer… eles.

— “Sua muié”?

O quê quer dizer com isso?

— Que tá tudo bem… em partes. — respondeu Luna. — Olha, engomadinho, o Lucas é burro e egoísta, mas não a ponto de fazer algo. Até a gente saber ao certo o que aconteceu, não dá pra sair por aí fazendo coisas sem pensar. Eu… posso tá ferrada com isso? Sim, mas… conheço bem aquele garoto… e sei que ele só vai fazer algo se fizermos algo.

Isso se o Alex não fizer nada

— Oh, Deus… Isso era pra ser apenas uma jogatina… agora estou com isso na cabeça. Como podem estar tão tranquilos sobre isso?

Se isso tá na tua cabeça, então tira, ué. — sugeriu Vlad. — Vai gastar teu tempo todo aqui pensando na vida de outro alguém? Desculpa ae, mas desse jeito você vai ser um Harish V2.

Um… quem?

Ah, esquece, você não tava na sessão do RPG semana passada; você não entenderia.

É… não entenderia mesmo. Para falar a verdade, tinha muita coisa que Elliot não entendia ainda. Tinha muita coisa que ele não ligava para “saber” sobre… entretanto, tinha coisas que não davam para escapar de aprender ou descobrir.

Inclusive, como o Lucas reagiu sobre as coisas que o Akira disse? Eu… preciso catalogar isso.

— Óia, pra falar a verdade, ele não reagiu. Te contar que ele fez uma carinha bem parecida com a que ele fez com o Dimi._

Típico dele: “Apático; confuso e hipócrita”.

Lucas era famoso. Em todos os andares aquele garoto era citado. Por uns, como herói e rei benéfico, por outros, como vilão e rei maléfico. Na opinião de Elliot, Lucas era algo que ele não ligava. Não tinha razão para ele querer saber sobre o tal “garoto propaganda” da escola; mas mesmo assim, ele acabava recebendo tudo de forma inesperada.

O Akira tava ferido?

Não deu pra ver direito, o som tava muito alto, mas ele parecia bem cansado.

Provavelmente não dormiu de noite; foi algo de ontem entã… Pera, como assim você não viu por que tava com muita barulho?

Tenta focar em algo com muito barulho pra tu ver.

O segundo andar era uma neutralidade, um lugar onde as coisas aconteciam; onde as fofocas corriam soltas e onde Lucas era o tópico mais comentado. Era claro que naquela altura Elliot já tinha uma opinião formada sobre Lucas… e ela não era boa.

Que tal pararmos de falar daquele cafajeste? Isso está me dando nos nervos.

Que tal você parar de falar como um robô? Qualé, quem usa cafajeste hoje em dia, moleque? Fala que ele é um filho da puta e pronto.

Além disso, Elliot realmente pensava muito nos outros do que em ele mesmo. Vamos lá, seu objetivo era entender tudo sobre ele mesmo; seu crime, suas razões, sua história. Mas, ainda assim, nada. Aquilo era aparente o suficiente para ele entender que naquela altura do campeonato não tinha como virar o jogo; mas tinha como fazer outra coisa… Se não fosse para as coisas irem como ele queria, então ele iria como as coisas quisessem…

Eu… preciso descansar depois disso tudo. Diga-me, posso jogar pelo menos meu turno antes de sair?

Vai na fé, meu campo já tá formado mesmo…

Tudo bem… Eu compro, e… jogo uma energia de fogo, e invoco “Presente de Fuka”, que me permite pegar mais uma carta… Uuuhhhnnn… eu… jogo “Menção Ao Watchz", e…

NÃO, TU NÃO VAI…

Aceita, nem roubando tu ganha dessa droga de carta… — disse Kai, se levantando do chão e soltando a voz depois de muito tempo. — Preciso atualizar nossa ban-list urgentemente.

Tá que pariu… e olha que eu roubei mesmo… Bane isso daí!


Da forma mais idiota possível, Elliot venceu o duelo; da forma mais idiota possível, Vlad concordou em deixar Mei fazer uma visita aqui e alí para brincar com Boby, e… da forma mais patética possível, aquele dia ainda estava no começo… ao contrário de nosso conto, não é, pequenino?

Bom… esse dia ainda estava longe de acabar, mas… depois disso, era mais do mesmo. Segundo horário, Sophia, Jasper e o resto daquela história sobre a briga de Lucas e Akira. O dia ia ser cheio de coisas, e se fosse parar dizer tudo que ainda ia acontecer, seria maçante e… revelador demais da forma errada.

As coisas andariam rápido, mas Elliot não sabia que ia ser tão rápido; ninguém sabia, na verdade.

Embora o jovem tenha procurado Akira por aquela escola inteira, ele não o achou em lugar algum. Elliot queria saber o que tinha acontecido; queria ajudar mais uma vez… mas nada; ele não encontrou nada… ou melhor, ninguém.

Akira… sumiu ou… não quis aparecer depois de tudo de ontem a noite?

Oh, céus… aquele dia inteiro seria um caos para todos.

No fim de tudo, Elliot fez o que lhe sobrou: continuou no seu padrão, na sua agenda pessoal de “esfriar a cabeça com Sophia e os outros”… e funcionou!

Ao menos, aquilo fazia efeito… Sophia era doce, e deixava Elliot contente de poder estar ajudando-a…

Bom… é isso… Este até que era para ser apenas mais um simples dia na vida de Elliot; mas além das coisas que já haviam acontecido até agora, o garoto sentia que teria muito mais…

Muito mais mesmo… O conto de seu começo de dia havia terminado… mas e o resto?