Extra 2 - Tipo Chá!
Okay, okay… Sem visão de outro lugar hoje… Que tal, mais um extra? Ou melhor… Mais uma visão da vida de Elliot? Já que ele não voltará tão cedo… Acho que isso pode ser uma boa forma de despedida… Ah! Já sei até como posso chamar esse capítulo…
Cof, cof…
Extra 2
Intitulado de “Tipo Chá!”
Ah, sim! Isso está acontecendo alguns minutos atrás…
Elliot estava sentado em sua mesa, observando os arredores da cantina enquanto tomava uma xícara de chá… Em certo momento, ele percebeu Akira perambulando por ali; um breve sorriso surgiu em seu rosto. Ver Akira daquele jeito o animou; era como se uma missão tivesse sido cumprida, como se a prioridade número um fosse finalmente concluída. Com isso, Elliot terminou seu chá, devolveu a bandeja e começou a andar em direção à saída da cantina.
A sensação de estar ali era estranhamente interessante; era boa, um novo lugar para viver era o que Elliot precisava naquele momento de sua vida… Ainda assim, também era ruim; Elliot não tinha suas coisas ali, nada de seus livros favoritos ou algo do tipo, apenas o que a escola oferecia.
Elliot anda; falta um tempo até sua próxima aula, então explorar um pouco não lhe faria mal.
O corredor por onde Elliot andava era quieto, vazio e silencioso; todos estavam na cantina, ou quase todos…
Enquanto andava, Elliot percebeu uma porta semiaberta. Como sua curiosidade era grande, ele decidiu checar.
Ele se aproximou da porta, parou na frente dela e respirou fundo. Depois, deu dois toques na porta e a abriu lentamente, sem checar se havia alguém dentro, e…
— Com licença…? A porta estava aberta, então… Vim dar uma olhada… — falou, olhando para o interior do quarto e percebendo um lugar bastante desorganizado.
Um silêncio pairou no ar por alguns instantes. Elliot cogitou sair após não receber resposta, porém, no momento em que ia se retirando, ele finalmente notou algo… ou melhor, alguém…
— Oh! Olá, como posso ajudar? — disse uma garota que estava ali, no chão, com alguns jogos de tabuleiro jogados ao seu lado.
— Ow… Hehe, que surpresa… Bem, só estava curioso mesmo… — comentou, entrando um pouco. — Seria incomodativo se eu entrasse?
— Ah, claro que não! — respondeu à garota, com um grande sorriso. — Sinta-se à vontade!
— Oh! Muitíssimo obrigado, então! — agradeceu, entrando por inteiro no quarto. — Então… O que está fazendo?
— Oh, isso? — disse, segurando um dos jogos de tabuleiro. — Enquanto vasculhava meu quarto, encontrei esses jogos! Então estou checando-os, nada demais! Apenas para passar o tempo… É chato quando não tem ninguém aqui… Então pensei que seria bom distrair a cabeça enquanto a Mei não volta!
— Compreendo… — falou, se agachando. — Você tem bastante deles… Alguma ideia do motivo? Ou… Você só os trouxe de casa?
— A Mei disse que cada quarto tem algo do antigo dono; o dela tinha um gato! E o meu tem esses jogos! Hehe… O Paçoca é um fofo, sabia?
— Ah, desculpe-me, mas… A “Mei”? Ela seria uma professora daqui, ou…?
— Ela é minha amiga! Ela foi a primeira pessoa que veio falar comigo assim que cheguei aqui!
— Oh… Agora entendi… — disse, se sentando no chão e olhando as caixas dos tabuleiros.
— E você? Tem algo legal no seu quarto? Ah! E um amigo também?!
— Bom… Pensando agora, no meu quarto havia um tabuleiro de xadrez e livros sobre o mesmo… E sobre um amigo… — disse, pegando um jogo de tabuleiro e observando a caixa. — Acho que sim… Akira é gentil, alguém que não sei como veio parar aqui, mas é alguém em quem posso confiar… Ao menos é isso que acho… Cada pessoa tem suas faces e máscaras.
— Você não sabe como ele veio para cá? Mei disse que veio por conta de seu vício por gatos! Não sei por que isso seria um crime… Mas por conta disso, acho muito engraçado o fato dela ter um gato no quarto! Hehe… Mas e você? Veio por quê?!
— Ora, ora… Assim, direta ao ponto? — ironizou, colocando o jogo de tabuleiro de lado. — Mas bem… Vim para cá por conta de… Hunf… Bem… Se eu lhe dissesse que não sei o motivo, acreditaria em mim?
— Se você não estiver mentindo, sim!
— Bom, não estou… Essa é uma das coisas que eu planejo descobrir durante minha estadia aqui… Mas, parando de falar sobre mim, e você? Veio por quê? Eu também tenho o direito de perguntar agora… Hehe.
— Ah, verdade…! Vim porque minha mãe disse que preciso ser consertada!
— Uh, oh, Deus…? Como assim “consertada”?
— Bom… Eu não sei! Mamãe dizia que eu era estranha… Diferente das outras crianças, e isso por conta de algo na minha cabeça! Aí ela me mandou para cá para eu ser consertada! Hehe, tô ansiosa por isso! Quero ver a mamãe de novo!
Elliot respirou fundo após ouvir a jovem falar aquilo de forma tão calma e alegre. Sua expressão mudou um pouco; ele parecia um pouco irritado depois de tudo que ouviu. Aquilo o deixou extremamente abalado, contudo, ele se acalmou antes de dizer algo.
— Primeiramente… Senhorita, qual é seu nome mesmo?
— Sophia! Sophia Tea! Tipo Chá! — respondeu com ânimo.
Sophia parecia estar gostando bastante da conversa, por conta de seu olhar. Após a pergunta de Elliot, seus olhos pareceram brilhar por alguns instantes… Foi bonito, porém, algo que precisava de mais atenção. Então… Missão número dois; segunda meta… Iniciar!
— Mas pode me chamar de Sophy! Hehe! Esse é o apelido que a Mei me deu!
— Bom, Sophia… Que tal fazermos assim: enquanto você não é “consertada”, eu passo diariamente aqui e lhe ensino a jogar cada um desses jogos? O que você acha? Dessa forma, nos conhecemos melhor enquanto nos divertimos… Além de ajudar no… seu desenvolvimento mental! Jogos são uma ótima maneira de melhorar a mente… Que tal?
— Sério?! — perguntou, surpresa com a fala de Elliot.
— Claro…! E, inclusive, esqueci de me apresentar, certo? Me chamo Elliot; Elliot River, é um prazer conhecer você, Sophy.
— É um prazer tam…
E nesse momento, sua fala é cortada pelo sinal, encerrando o tempo de Elliot ali.
— Saco! Acabou o recreio…
— Hehe… Bom, te vejo mais tarde então! Até, Sophy!
— Até, Elliot!
E assim acabou aquela conversa… O tempo realmente anda rápido quando estamos nos divertindo, não é? Quem dera poder ter mais alguns segundos ali.
Elliot, assim que saiu do quarto de Sophia, decidiu ir ao banheiro; ele passou o intervalo inteiro sem fazer suas necessidades básicas, e para alguém que tomou bastante chá nesse período, aguentar uma aula inteira não seria fácil…
Assim que o jovem começou a andar, logo depois de alguns passos, ele ouviu uma voz atrás dele… Uma voz um pouco adulta, inclusive; quando se virou para checar, Elliot viu um homem entrando no quarto de Sophia, e apenas escutou algo como “aula de biologia agora, Sophia…” de uma forma muito desanimada…
— “Professor particular? Bom, se ela tiver o que pensei, faz sentido…” — pensou ele, voltando a andar em direção ao banheiro. — Espero que ele cuide bem dela…
Elliot andou mais um pouco até chegar ao banheiro; ele entrou, foi em direção a uma das cabines e… o resto, você já sabe…