Extra 1 - Apenas Dormiu
— Próximo… Elliot River, está aqui?
— Aqui, madame.
Extra 1
Intitulado de “Apenas Dormiu.”
Streck!
Elliot adentrou a sala; não havia nada que chamasse a atenção do garoto, apenas… Um lustre desnecessariamente chamativo… Mas, quem era ele para julgar o estilo do lugar?
Liz já estava sentada; ela apenas havia desistido de ir em voltar para chamar os alunos, então, apenas começou a pedir que os mesmos fizessem isso por ela… E assim foi feito.
O garoto andou um pouco, e apenas se sentou em frente a mesa da mulher… O silêncio permaneceu ali por alguns segundos, até uma tosse forçada vinda de Elliot acabar com ele bruscamente…
Assim como faço às vezes, sabe?
— Cof, cof…?
— Ahn…! Bem… Elliot River, certo? — exclamou a mulher, um pouco assustada.
— Sim! Eu mesmo…
— Eu… Eu tó cansada… Então, vamos só terminar isso rápido, okay?
— Ora… Claro, não é todo mundo que consegue ficar acordado até uma hora dessas…
— É… E meu café acabou já faz duas horas, eu realmente preciso pedir para… Ahn?! Ah!, tá… Tá bom! Sem esse tipo de papinho… Eerr… Você… Sabe por que está aqui?
— Ah, bem… Não. — respondeu, dando um sorrisinho leve.
— Ahn…? P-pera… Como assim “não”? — indagou, travando um pouco. — Você… Não compreendeu o próprio crime então? Ou… O típico “me avisaram de…”?
— Eu não sei… Eu apenas estou aqui… E se for considerar; de todos que chegaram, eu deve ser o mais “bom” aqui… Assassino, esquentadinho, psicótico… E eu? Seria o quê? Engomadinho?
— P-p-pera ai… Eu que faço as perguntas! Sobre… Sobre o que você conversou com o entrevistador?
— Entrevistador? O policial que gravou minha conversa com ele?
— Isso… O Chris….
— Bom… Disse que matei alguém.
— E-então você veio por assassinato?
— Na verdade… Não… Hehe.
— HÃN? G-garoto… Por qual razão você tá aqui se não fez nada…? _Não quer admitir; não entendeu as próprias ações; tá omitindo por algum motivo, ou… Ah! Você tem algum transtorno? Algo como… TDI ou..
— Nop! Sem omissão; sem transtornos… Nadinha de nada! Mas aí é que tá, senhorita… Eu fiz algo, e estou aqui para cumprir esta pena.
— M-ma…
— Todo mundo já cometeu um crime uma vez na vida, certo? Aquele simples ato pode ser oriundo para a gente… Porém, para outra cultura pode ser algo completamente ofensivo ou até pior… Imagino que só de “existir” já estamos cometendo um crime; no fim, penso que só resta combatemos este erro nós mesmo… Como uma forma de se autoconhecer e conhecer seu crime próprio… Eu… Eu estou aqui por que quero saber por que deveria está aqui, quero descobrir meu crime.
— O… Quê? G-garoto… Aqui não é um lugar de brincadeira ou autoajuda… Você sabe quem estuda aqui? Tem… Tem gente que matou a própria família e…
— Eu não ligo… Acredito que para tudo tem uma luta… E de qualquer forma, se eu não ficar aqui não terei para onde voltar… Isso soa um pouco egoísta, mas… Acho que só é difícil para eu explicar meu ideal.
— E sua casa? Seus…
— Nah… Lá não é uma opção valida… Nunca foi.
— Garoto, eu não posso deixar você ficar aqui sem ter cometido um crime.
— Bem… Se é isso que me impede… Não tem problema… Como eu disse, todos já cometemos pequenos delitos… Posso pichar o carro de alguém ou roubar um doce da loja de conveniências se quiser… Esse tipo de coisa não é o que busco, mas… Pode ser algo necessário dependendo de vossa escolha.
— Ai, Deus… Cê não vai desistir, não é?
— Não… Sou um pouco insistente… Hehe…
— Deus… Você veio aqui por que é doido, isso sim… Okay, garoto… Você fica… Mas, não vem reclamar depois, okay? Você vai ver coisas que nunca viu antes…
— Ah, eu sei que vou… E de qualquer forma, “instituto de ensino e reabilitação” não se limita em apenas ajudar quem cometeu crime… Se abrissem as portas para um público mais amplo poderiam ampliar seus ganhos.
— Hhmm… É… Faz um pouco de sentido até… Unf… Eu vou falar com alguns responsáveis sobre isso… Não dá para te mandar embora agora, então… Não tem jeito mesmo… — a mulher fala pegando mais uma chave e entregando a Elliot. — Seu quarto é no segundo andar… Aja como se tivesse feito algo, não inventa de falar livremente que não fez nada para tá aqui… Eu não quero essa dor de cabeça pra mim…
— Mas eu fiz… Hehe.
— É… Fez, engraçadinho… Só vai logo.
— Okay então… Muito obrigado, senhorita Liz.
O garoto se levantou; com suas chaves em mãos, apenas começou a andar para fora da sala… Contudo, quando estava quase saindo lembrou de algo um pouco importante… Então, com um sorrisinho, se virou para trás, foi até a mesa de Liz e…
— Quase ia me esquecendo… Aqui. — disse, tirando uma caneta de dentro do bolso. — Isso é do Sr. Chris… Imagino que ele queira de volta…
— Ah…? Pera…. Cê roubou isso dele?
— Hehe… Eu disse que fiz algo para estar aqui…
— Jesus Cristo… Só vai logo.
— Hehe, até!
E assim, Elliot saiu… Desse vez de verdade; ele andou para seu quarto normalmente enquanto cantarolava calmamente… Não havia ninguém nos corredores, estava tudo calmo… Do jeitinho que ele gostava…
— In the fate of the stars… No, not one wh…
— MEU FILHO, É MADRUGADA E TU TÁ CANTANDO? DEIXA EU PELO MENOS FAZER MINHA ENTREVISTA, SEU BOBO!
— Hehe… Desculpa… Força do hábito! Boa sorte, aí, e… Não fica gritando, tá?
— Joia, patrão, joia!
Bem, nem tudo estava calmo… Para ser sincero, teve até um momento que ele viu algumas coisas diferentes; mas isso é assunto para outra hora… No fim, quando chegou em seu quarto, Elliot se deitou e… Apenas Dormiu.