Capitulo 3 - Um Choro?
— O cara não luta arte marcial…? 'Cê acha que vai peitar?
— Sabe com quem você tá falando, parceiro? Sou basicamente a definição de artes maciais…! Bem… Ta mais pra pseudo-autodefesa, mas ainda conta! Pai aqui é formado em meter a porrada se algo sair do planejado…
— Isso vai dar muito errado…
— Relaxa, poh, eu sei o que to fazendo… Pelo menos na maioria das partes…
— Saac… Desiste disso, teu pai vai ficar pistola…
— Ah, irmão… Deixa que cuido de tudo… e deixa o coroa da história!
— Oh? Ih, olha lá! Tá ali ele!
Capitulo 3
Intitulado de “Um Choro?”
Bom… Onde paramos mesmo? Ah, sim… Akira e Ayumi acabaram de chegar na entrada da escola, e nela um grupo de três garotos estava esperando ansiosamente por eles… Ou ao menos por Akira.
Ao ver aqueles três garotos olhando para seu irmão com sorrisos em seus rostos, a única “dúvida”, ou quem sabe tentativa de melhorar o clima que passou na cabeça de Ayumi foi…
— São seus amigos…?
— Quem dera… — respondeu Akira, com uma cara um tanto quanto sarcástica. — Adoraria sair com gente assim… Papai nem ia ficar puto comigo por tá saindo com trombadinha… Magina, meus amigões esses dai, ando com eles toda hora, confia, eu…
— Tá bom, eu já entendi Sr. Ironia… Mas aí, eles não parecem tão ruins assim… Né?
— Otimismo é tudo né?
— Por que você tem que ser um baita balde de água fria em horas como essa? Deus… Melhora esse humor aí, vai!
— Falar é fácil, quero ver você nessa situação… Quer ir no meu lugar?
— Uuhh… Booooom~… Vou indo então! Boa sorte na briga, maninho! — comentou enquanto começava a sair dali cantarolando. — Dudurum~…
— Valeu por… Nada.
Akira não reage após ver sua irmã saindo dali dando pulinhos de alegria… Era até irônico; o mesmo deu até um sorrisinho vendo isso… Porém, enquanto sua feição era agradável, sua mente estava… Como posso dizer… Ah, sim… A todo vapor… Literalmente…
— “Algum dia esses dois vão precisar da minha ajuda e eu não vou fazer nada… Só espera… Okay… É só passar por eles e fingir que não vi nada… Fácil… Que nem uma… Uuhh… Uma… Eh… É fácil!” — pensava ele enquanto olhava para o grupo em sua frente de uma forma nem um pouco chamativa…
Na sua visão àquilo era algo super simples de se fazer; apenas mais um dia onde ele teria que “sair sem chamar atenção”, porém… assim que o jovem ia iniciando seu “plano de fuga” algo fez todo seu esforço ir por água abaixo… O que seria este algo? Bem, o simples fato dele ser o único asiático de cabelos brancos daquele lugar.
— Ou Polo-norte! A gente tá aqui! Tá indo aonde, japinha? — disse um dos garotos ao longe, gesticulando para Akira se aproximar. — Ia amarelar mesmo? Sacanagem, poh…
— Ai, Deus… Era só continuar andando… Qualé corpo, era só não travar em situações como essa… sussurrou ele a si após ver seu fracasso em… Andar? Bem, quer dizer, ele conseguiu andar normalmente, só que… Para Direção dos seus mais novos “amigos”. — Qualé? Pra que tudo isso? Sério mesmo, eu não quero…
— Relaxa, japinha… Precisa ficar frouxo assim não! — comentou dando um tapinha nas costas de Akira após o mesmo se aproximar o suficiente. — Ninguém aqui quer brigar… Pelo menos não hoje! Fica na boa que ninguém aqui te mete a porrada…
— Isso ai! — disseram os outros dois que estavam calados até então. — É aquilo, escreveu não leu, o pau comeu!
— N… Não? Eehh… Isso é um alívio pra mim… — gaguejou Akira se acalmando um pouco. — Então, por que me chamaram? Querem conversar sobre algo específico…?
— Bem… sobre isso, eu acho melhor falar em outro canto… — respondeu começando a andar para fora da escola. — Vambora! Eu não confio muito nessas bandas, tem muita câmera aqui… E mesmo sendo um bagulho banal eu não quero que isso vaze pra ninguém, se alguém fica sabendo, é questão de tempo pra se espalhar pela escola toda… E aí da escola vai pro meu pai, então… Melhor não arriscar!
— Tá…? — disse Akira, começando a seguir o garoto. — “Por que eu acho que isso vai dar muita merda…?” — pensou ele enquanto “relaxava” um pouco depois do “apavoro” que levou…
Os três garotos junto a Akira saem andando; pelo azar de Akira, ele não tinha muita escapatória naquela situação; os dois outros garotos estavam atrás dele, enquanto o suposto “chefe” do grupo está indo à sua frente…
O garoto da frente apresentava uma aparência bastante extravagante; usava uma jaqueta com detalhes de chamas por cima da farda escolar, acompanhado por um óculos escuro desnecessariamente chamativo… Isso sem contar seu jeito “descolado” de andar…
Os dois outros de trás eram o puro clichê escolar, apenas com suas fardas e suas mochilas, sendo que apenas um deles está usando um casaco vermelho e branco com o número “8” em seu peito…
O destaque de Akira ali era claro, e isso estava deixando-o um pouco desconfortável…: “Não é nada de mais… Qualquer coisa invento uma desculpa e saio rápido… Fácil, nada que eu possa resolver sem conflitos…” pensava ele seguindo o garoto na sua frente.
O “grupo” andou por um tempo, eles saíram da escola e foram apenas seguindo qualquer caminho que a vida os levasse… E depois de algum minuto de caminhada…
— Aqui já tá bom! — falou o garoto de óculos escuros enquanto parava perto de uma parada de ônibus vazia. — Chega mais… Senta aí! — comenta após se sentar no banco de espera.
— Okay… — respondeu Akira, se aproximando ainda com um pouco de medo, mas não se sentando ainda. — Eai? O que 'cê quer fal…
— Ai… Tua irmã é mó gostosa, sabia? Papo reto…
— OI?! — exclamou de susto após a fala do garoto. — É-é o quê? O Que você disse…?
— Quer dizer… Era sua irmã aquela mina lá atrás, né? Gatona, viu?
— Eh…. Uh… S-Sim, era… Por que…? — indagou com uma cara bastante desconfortável. — Vem cá, você não me chamou para falar sobre isso, né…? — complementou mudando de expressão para algo mais singelo e descontraído. — Tipo, eu não sou de ficar puxando relacionamento pra ninguém, principalmente para ela… Geralmente é ela que vai atrás sozinha…
— Relaxa, eu não te trouxe aqui pra falar sobre isso… Quer dizer, talvez eu trouxe…! Mas só puxando esse tópico mesmo… Tipo, 'cê descolaria um encontro com ela pra mim…? Seria foda, tá?
— Não, mas nem fodendo — respondeu fechando a cara de imediato, — ela e meu pai me matam se eu fizer algo desse tipo…
— Qualé, faz essa forcinha aí… É uma chance única que aparece uma mina como aquela!
— Olha, se eu vim até aqui pra você falar desse jeito com minha irmã, eu acho melhor eu ir ind…
— É tua irmã mesmo, então? Caralho moleque, tu teve sorte na genética aí, viu? Mas aí, não fica puto não, poh, relaxa o bico, o assunto é outro de qualquer forma…!
Akira olhou para o jovem em sua frente com uma cara de desgosto por alguns segundos, mas no fim, deu uma longa respirada e…
— Tá.
Não foi a melhor fala, mas foi a mais eficiente… Pelo menos ele falou algo…
Cof, cof… Bem, após isso, Akira apenas se sentou ao lado do garoto e fez seu máximo para continuar aquela conversa calmamente.
— O que você quê? Só fala logo, não quero levar bronca por chegar atrasado em casa…
— Okay, okay… Vocês dois aí podem ir! Deixo o resto pro pai aqui… — comentou olhando para os dois outros garotos que estavam ali plantados sem fazer ou falar nada. — Qualquer notícia mando para vocês… Fiquem de olho nos celulares, bocós…
— Beleza, chefia! — responderam os dois ao mesmo tempo…
De forma simples e rápida, os dois garotos apenas continuaram seus caminhos e saíram dali…
Um silêncio se perpetuou por alguns segundos após o sumiço por completo dos dois garotos; os carros passando na rua com o cantar dos pássaros deixava aquela situação ainda mais desconfortável para Akira… E talvez para o garoto também… Mas, uma hora ou outra alguém teria que dizer algo…
— Joia… — comentou o garoto de uma forma animada, quebrando aquele silêncio ensurdecedor. — 'Cê é do Japão, né?
— Sim… — respondeu com um mau pressentimento sobre o que estava por vir, — por quê?
— Tá… Pelo que tão falando por aí, você é bem famosinho na área da porrada, né? Teu pai não é treinador ou algo desse naipe?
— Ah… Era sobre isso que você queria falar? Sim… Judô, por quê? Tá querendo…
— Ai, sim, poh! — continuou dando um soco no braço de Akira. — Brabo!
— Ai! Pra que isso?
— Olha, bora fazer assim… — falou colocando o braço sobre o pescoço de Akira, puxando-o um pouco para perto, — eu e uma porrada de gente na escola tá zuando com tua cara há um tempo… E convenhamos que com motivos! Mas se liga na ideia do pai aqui! Se tu arrumar uma coisa simples pra mim, consigo acabar com todas essas merdas contigo fácil, fácil…
— Hm… Sei… E o que seria essa “coisa”?
— Você acha que consegue um descontão do bom nessa putaria do teu pai aí? Tipo… Todo mundo ia sair ganhando, eu ia aprender umas paradas fodas, tua ia parar te ter gente zombando de ti… Daria até pra eu me aproximar da tua irm…
— NOP, NA-NA-NI-NA-NÃO! — respondeu de antemão, torando o braço do garoto de seu pescoço e se distanciando um pouco. — Prefiro qualquer coisa do que ter minha cabeça sepultada pelo meu pai… E porra, da pra tirar a Ayumi desse lance?!
— Já tenho o nome dela… Mas qualé? Seu pai é tão merda assim pra 'cê ter medo dele? Faz um esforço aí… E só um desconto!
— Não é medo, é só que sei exatamente o que ele falaria…
— E o que ele falaria de tão ruim assim?
— “Minhas aulas valem o que valem, eu não faço desconto” ou alguma coisa desse tipo… Isso sem contar que ele tá ainda no “só aulas para lutadores famosos”… E mesmo isso sendo mentira, ele não quer admita, então… Zero chances.
— Ah, tendi… Isso aí pra mim é só papinho mixuruca… Mas aí, então por que você não me ensina? Você deve saber, né? Porra, ia ser que nem naqueles filmes fodas de luta… Tu ia ser o velho caduco que fala merda quando o protagonista tenta fazer algo para alcançar o objetivo mais rápido…
— Meu Deus… Cara, escuta… Primeiro que eu não sei e não sou a melhor pessoa pra fazer isso… Eu nem ligo para esse treco todo de “luta” que meu pai gosta… Nunca liguei pra ser sincero… Segundo, eu… Eu só não quero, sabe?
— Então você é budista? Por isso essa paz toda?
— Ah…? Nah… A questão não é essa… Eu só cansei de ver ele se achando por isso… Mas por que você quer aprender a lutar? Ia parar de me encher o saco e ia encher alguém de porrada…?
— Nah… Tá, talvez! Mas isso não vem ao acaso! É que tipo… Eu já até pedi pro meu pai me matricular numa dessas escolas de luta e tals… Mas ele diz que eu não devo mexer nesse trem… Coisa de velho, sabe?
— É, seu pai não é tão diferente do meu… Ao menos ele não te obriga a nada…
— Tá, tá! Mas qualé, faz esse esforço pra mim aí, cara! Você vai tá ganhando mais que eu nessa parada!
— Nah, mals ai… Nisso eu realmente não consigo ajudar… Desculpa mesmo.
— Nhe… De boa… Ufn, então é isso… Fracasso total… — comentou se levantando e pondo as mãos nos bolso de seu casaco. — Blá, blá, blá… Só tempo perdido.
— Mals aí mesmo… Eu posso até conversa com ele pra ver se tem vaga livre, mas desconto eu realmente dúvido que ele faça… Ai!
Mas uma vez, sem nem pensar que aquilo podia acontecer, Akira e recebido por uma bolinha de papel na cara… Quando o mesmo olha para o jovem em sua frente, o vê apenas com um sorrisinho na cara e uma das suas mãos voltando ao bolso do casaco.
— Bom… Eu disse que a gente não ia brigar hoje… MAAAAS~… Já que 'cê não colaborou comigo, eu ainda tó com passe livre pra encher teu saco, e a escola toda também…
— Que maturid… Ai! PORRA! PARA DE JOGAR ISSO EM MIM!
Mais uma vez, outra bolinha de papel na cara… O garoto estava se divertindo com aquilo, seus risos faziam isso ser o óbvio… Todavia, Akira já estava ficando cheio daquilo, então, com uma coragem momentânea, ele se levantou do banco e pegou uma das bolinhas no chão e jogou na cara do garoto com força, derrubando seus óculos…
— Ri agora… Babaca. — falou enquanto se virava para ir embora. — Isso realmente foi perda de tempo… Tá que pariu.
— Filha da puta… — sussurrou o garoto, pegando os óculos no chão. — Tem noção do preço dessa porra? — diz se aproximando de Akira. — Hein? Irmão isso aqui é mais caro que essa porra do teu pai!
— Vende e pega a mensalidade então…
— O que foi que tu disse…?
— Tá surdo?
— Repete, projeto de Bruce Lee…
Akira apenas continua andando após sua fala…
— “Por que vim o pra cá mesmo? Eu poderia só ter inventado uma desculpa e ter metido o pé…” — pensava ele enquanto era perseguido e insultado pelo garoto…
— Tá me ignorando agora? — falou dando um empurrão em Akira. — Quem você acha que é, ó... Protótipo de bomba atômica? — segura na gola de Akira, puxando-o para perto. — Tá se achando de mais, não acha?
Novamente uma cara de raiva surge em Akira; fazia mais de uma semana que ele está ouvindo a mesma piada várias e várias vezes, a ideia de sua avó estava até que dando certo por um momento; era só ignorar que eles iam parando lentamente… Entretanto, ele não conseguiu apenas ignorar tudo aquilo como faz normalmente, e com mais um surto de coragem…
— Escuta aqui… Essa porra tá chata já… Eu poderia só ignorar essa merda, mas… você quer brigar? Quer mesmo brigar? — Akira fechou a cara enquanto falava, segurou a mão do jovem a sua frente e a pressionou com força…
Bom, não tinha mais como voltar depois disso.
— Eu não quero brigar com ninguém, mas sabe… você tá pedindo… E eu já tô ficando sem paciência…
— Ai… Ai… Que porra, maluco? Depois diz que não sabe lutar, né? — resmungou soltando sua mão.— Você acha mesmo que depois dessa eu não…
Bii-Bii!
E foi nesse instante que uma viatura de polícia parou em frente aquela parada de ônibus… Como uma piada do destino, lentamente a janela do carro se abre, revelando um policial com um par de óculos ridiculamente similar ao do garoto que Akira está “conversando”…
Bem, eles podiam estar na moda, certo?
— Isaac! Bora… Tenho trabalho ainda hoje; tem pelo menos uma dúzia de guri pra eu levar para aquela escola de merda… — dizia o policial enquanto abria a porta da viatura, — se despede aí e vem logo…
— Ahn, Merda… Tó indo, pai… — falou “Isaac” enquanto se virava e começava a andar até a viatura.
Após isso, uma curta conversa entre os dois pode ser ouvida, algo como: “É seu amigo?” junta com uma resposta seca de um “Não” vindo de Isaac… Após isso, a janela do carro é fechada, a última coisa que Akira consegue ver é um olhar de desgosto vindo de Isaac… Por fim, a viatura sai, deixando finalmente Akira só.
Akira fica confuso por alguns segundos, porém logo aceita que aquele policial era pai daquele garoto…
Agora fazia sentido o motivo dela não querer que o filho aprendesse um estilo de luta, ele devia saber muito bem a laia do filho que tinha.
Logo após isso, Akira apenas começou a andar em direção a sua casa enquanto pensava sobre tudo que acabou de acontecer…
Pelo seu azar, o ônibus da escola já tinha saído a um bom tempo… além de ter zero de chance de seu pai aceitar ir lhe buscar; então acabou que ele tinha apenas a escolha de fazer uma mini-maratona até chegar na sua casa.
E foi isso que ele fez…
Depois de uma longa caminhada, Akira finalmente chegou em sua casa, e com uma cara extremamente cansada e raivosa ele abriu a porta do lugar...
— Escola que só sai gênios o caralho… Isso é só falacia, quero ver se aquee idiota sabe o que uma pelo menos uma raiz quadrada… — o garoto xingava enquanto entrava na casa. — Vovó eu… Cheguei? Vovó?
A casa estava quieta, não era algo novo, mas ninguém havia falado que iria sair… Mas bem, Akira também não havia chegado cedo em casa, facilmente sua avó podia ter saído junto a Kentaro, ou quem sabe foi fazer compras com Lucindy.
Akira vasculhou a casa por alguns instantes, apenas por uma precaução maior, porém não achou nada; de começo ele achou estranho, mas depois de alguns segundos ele apenas aceitou: “Provavelmente ela deve ter saido pra fazer alguma coisa… Não deve ser nada de mais” cogitou ele,
O garoto vai até seu quarto, se troca, e logo após a uma breve olhada pela casa, decide dá uma limpa no local; ele pegou luvas e utensílios de limpeza e partiu para o “abate”.
Sem ter muito o que fazer enquanto limpava a casa, Akira acabou viajando em seus pensamentos, andando de cá para lá em meio a suas lembranças de infância e pré-adolescência; coisas como “Tinha aquele garoto…” ou “O que aconteceu com aquele brinquedo meu?” passaram na sua mente, mas, além disso, coisas memoráveis de sua vida também, como dá vez que seu pai tentou lhe ensinar o básico de judô aos 5 anos, lhe machucado de várias formas por não saber controlar sua força, ou, os conselhos que sua avó lhe dava.
Como eu já disse anteriormente, Akira e sua avó sempre tiveram uma relação forte; desde criança Kentaro queria que Akira fosse como ele, e foi só com a interferência de Arisu que ele decidiu parar de “atormentar” Akira, e passou misteriosamente a dar uma atenção maior a Leonard…
Favoritismo? Com certeza.
Arisu desde sempre dizia para Akira não seguir seus conselhos a rodo: “Ousa, entenda e utilize” era o que ela falava sempre após um dos seus conselhos… E Akira sempre respondia com um: “Okay, vovó!” a ela.
Provavelmente por conta disso a rixa entre Akira e Kentaro, que já era forte, aumentou; Kentaro sempre foi o pai que dizia o que seus filhos deveriam ser, como deveriam agir e como deveriam viver, e é claro que isso não deixava Lucindy contente, porém ela não tinha muito o que fazer no final do dia…
Por sorte de todos, isso tem sumido nos últimos tempos, Kentaro não está ficando muito próximo de seus filhos desde que chegou nos Estados Unidos, então eles pela primeira vez na vida estão tendo uma liberdade para fazer suas próprias escolhas…
Mas bom, depois de um tempinho, a sala de estar estava finalmente limpa.
— Prontinho… — exclamou Akira batendo as mãos e tirando as luvas logo em seguida, — agora só falta a…
Bem, mais uma vez, como piadinha do destino, Akira tem sua atenção roubada por um simples barulho ao longe…
Da quietude que estava o local, um barulho de carro sendo estacionado podia ser ouvido, e depois de alguns segundos, alguns passos se aproximavam lentamente da porta, junto a um… Um Choro?
— Como? Como você quer que eu fique quieta?! Como eu posso me acalma em uma situação dessas?! HEIN?!
— Só tenta…
— EU NÃO CONSIGO FICAR CALMA!
Assustado com aquilo, Akira apenas observou a porta sendo aberta lentamente e seus pais entrando em silêncio… Bom, apenas seu pai para ser mais exata; seu rosto está apático e provavelmente confuso… Já de sua mãe, está completamente envolvido por lágrimas.
— O… O que aconteceu? — são as únicas palavras que saem da boca de Akira após ver sua mãe naquele estado.
— Sua avó… Morreu…