Capitulo 2 - São Seus Amigos?

Poxa vida, por que desempacotar as coisas tem que ser tão difícil?

Talvez por que você tá abrindo a caixa pelo lado errado?

É um quadrado… Como pode ter um lado errado?

Porra… Deixa que eu arrumo isso… E para de responder minhas perguntas com mais perguntas, é estranho.

Hehe… É meu jeitinho… Desculpa aí, queridinho!

Nunca mais fala isso… Vai arrumar as prateleiras antes que o lugar abra…

Hehe… Te devo uma!


Capitulo 2

Intitulado de “São Seus Amigos?”

Uma semana se passou desde que a família Kurayami chegou em Luary; a sua moradia no hotel Starlight acabou após uma “compra” que Kentaro fez de uma casa até que robusta nos arredores… E bem, é lá que eles se encontravam neste exato momento.

A família estava toda reunida na cozinha, apenas esperando a comida ficar pronta para terem uma refeição juntos.

Em meio aos barulhos de fritura, a família está tendo algo similar a uma reunião familiar, mas ao invés de falar de aspectos sobre a casa, estão apenas matando tempo com qualquer assunto que vem a mesa… Que neste caso, era a “incrível vida de Leonard”.

— E aí… O professor disse: “Não é só por que você é de uma família ágil que você é o mais veloz dessa classe!” com um sorrisinho de deboche… — dizia Leonard, zombando de seu professor aos seus pais.

— É mesmo…? — questionou Kentaro, enquanto fazia uma expressão de surpreso bastante forçada. — E o que você faz após isso?

— Há! Eu não poderia deixá-lo zombar da nossa família desse jeito… Então em uma corrida de 200 metros fiquei em 1º lugar deixando meus oponentes irem à frente primeiro! — continuou Leonard, mais uma vez fortalecendo uma de suas incríveis façanha..

— Ora, ora… Tão verídico… — comentou Ayumi, com um tom baixo e irônico, enquanto lia mais um de seus mangás. — Às vezes esqueço o quão incrível meu irmão é…

— Não é? Heh… E olha que eu ainda fui humilde no meio da corrida! — prosseguiu o garoto, mais uma vez se glorificando. — No final da última volta, outro aluno torceu o tornozelo e eu ajudei ele a chegar até o final da corrida; e mesmo com minha velocidade reduzida, cheguei em primeiro lugar!

Oh… Minha nossa…! Isso que é uma ação de um verdadeiro Kurayami… — disse Kentaro com um sorriso na cara… Mais uma vez forçado. — Você me orgulha muito, filho.

— Hehe, obrigado, pa…

— Mas não é você que tá com o tornozelo torcido? — questionou Akira, olhando para o pé com gesso de Leonard.

— Ah? Eh… Bem… Isso foi na aula seguinte! Era uma aula um pouco mais pesada… Mas nem tanto como os treinos do papai! Era para gente fazer alguns agachamentos e depois pular cordas… E meio que escorreguei e isso aconteceu… Eh… Hehe…

— Sério mesmo…? — disse Ayumi, deixando seu mangá de lado e olhando para Leonard com uma cara de deboche. — Aki, você não tem a mesma aula de educação física que ele? Isso realmente aconteceu?

— Hm…? Ah, bem… A minha sala não teve aula prática hoje, então não posso dizer nada… — respondeu enquanto olhava para o tornozelo de seu irmão. — Mas… Acho difícil alguém torcer o tornozelo pulando cordas…

— Oh, céus! Chega! — retrucou Arisu. — Não importa se é verídico ou não… Meu neto está com o tornozelo torcido, ele deve ficar em descanso e não ficar se estressando com esse tipo de bobeira!

— Mãe… É apenas uma conversa familiar… Não precisa disso tudo… — sugeriu Kentaro a sua mãe. — E ainda mais, você…

— Precisa sim! Vindo de você, iria colocar ele para fazer aqueles exercícios bobos com o pé assim…

— Vó… Posso fazer isso de bo… — tentou falar, porém, foi interrompido por um olhar de “ordem” de sua avó. — Tá bom… Eu fico de repouso… Hehe…

— Hum… Mas mudando de assunto… E você, Akira? Aqueles garotos que estavam lhe incomodando pararam? — questionou Arisu, mudando de tópico e feição rapidamente.

— É. Acho que sim…

— Como assim “acho”? — indagou Lucindy, começando a pôr as coisas na mesa.

— Eehh… Dei o foda-se para cimas deles e eles deram uma parada com a chacota por um tempo. — respondeu pegando alguns talheres.

— O que eu te disse sobre esse seu modo de falar, Akira? — refutou Kentaro, ignorando tudo que Akira havia dito. — Evite falar assim conosco e em público…

— Desculpa, pai…

— Mas eles realmente pararam? — indagou novamente a mãe, desta vez pondo os pratos com comida na mesa. — Tadã! A comida pronta e quentinha!

— Nah… — respondeu o garoto, enquanto começava a comer. — Mesmo ignorando, eles continuando enchendo meu saco… Mas deu uma paradinha querendo ou não.

— Por que você não diz isso para os professores, ou… Sei lá, o diretor? — sugere Leonard. — Hhhmm~ Delicioso, mamãe! — comentou após comer um pouco.

— Reação é o que eles querem… Se eu reagir vai dá mais um motivo para eles encherem meu saco… Vovó que disse! E ainda mas, acho que não tem tanto motivo pra reclamar com o diretor… É algo bem bobo na verdade…

— Por que você só não bate de volta? — questionou Ayumi, com uma carinha boba.

— Porque ele não é idiota, Ayumi… — respondeu Kentaro.

— Ah… Tá… Faz um pouco de sentido, eu acho…

— De qualquer forma… Mudando de assunto de novo, eu já disse que… — continuou Leonard…

E assim seguiu aquela conversa familiar… sem muitas novidades para ninguém ali; aquilo era apenas mais um dia comum entre eles; Leonard estava falando de sua vida e de como ela é incrível para orgulhar seu pai; Ayumi estava apenas fazendo o que ela mais gostava, que era sendo ela mesma e não ligando muito para algumas coisas “triviais” na sua perspectiva; e Akira… Estava vivendo sua vida sem muitas novidades.

Nada de estranho aqui por enquanto…

As coisas estavam pacíficas, e querendo ou não, indo muito bem para todos; mesmo Akira tendo um peso em seus pés, ele não estava agindo de forma tão vulgar sobre o assunto, e tudo isso por um incentivo de sua avó… E os “mandatos” de seu pai…


Agora… Falando um pouco sobre como a família estava indo; Kentaro logo no segundo dia nos Estados Unidos já iniciou o seu propósito principal de estar ali; no seu primeiro dia de trabalho ele já chegou dando um show, disse ele que todos que estavam tendo-o como professor apreenderam perfeitamente, e isso não era de se duvidar, anos de experiências tornaram Kentaro em um especialista quando o assunto é ensinar a sua “arte”.

E bem… Ele não deixou tão claro, mas… Seus alunos não estavam sendo apenas lutadores “mundialmente conhecidos”… Porém, isso não é tão importante… Por agora.

Lucindy, por sua vez, fez algo simples; ela havia começado a trabalhar em um mercadinho local, e isso por influência de uma das suas novas amigas… É, Lucindy desde sua chegada demonstrou ser bastante sociável com todos da vizinhança… Incluindo seus parceiros de trabalho…

Arisu passa a maioria do seu tempo em casa assistindo televisão, porém ela também ganhou o costume de sair e andar um pouco a pé e de carro pela cidade… E isso mesmo com Kentaro insistindo para ela não fazer esse tipo de coisa…: “você está muito velha para isso, mãe!” dizia ele todas às vezes…: “só tenho 91 anos, Kentaro, eu ainda sou livre para fazer o que eu quiser!” respondia ela todas às vezes.

Akira, Ayumi e Leonard não tinham muitas opções, entretanto; Leonard vive saindo com alguns amigos de escola, e Ayumi passa os finais de semanas na casa de suas amigas fazendo seja sei lá o que…

Já Akira, ao contrário de seus irmãos, passa seus finais de semana em casa cuidando e conversando com sua avó; no meio da semana ele fica um tempo a mais na escola terminando alguns trabalhos escolares; e claro que por conta disso ele ganhou a fama de “nerd” por toda a escola… Todavia: “tá mais para um título que um insulto, qualé, era para isso me deixar puto ou o quê?” pensava ele todas às vezes…

Estou repetindo isso bastante… Ah, deve ser coisa da idade…

Cof, cof… Enfim, este era o dia a dia da família Kurayami até então; nada de tão extraordinário na vida deles por enquanto.

E bom, os dias vão se passando, e essa rotina vai se repetindo cada vez mais…


16 de janeiro de 2015, Frostfall.

— Akira! Aqui, cabeça oca! — gritou Alexandry, “amigo” de Akira.

— Tô indo…! — respondeu no mesmo tom enquanto se aproximava da mesa onde Alexandry estava sentado e se sentando. — Deus… Por que ta tão cheio hoje? Algum evento especial ou algo do tipo?

— Terça do pudim camarada, por que não estaria cheio?

— Tudo isso por um pudim? Sério?

— Sim, porra! Delicioso para um senhor cacete! Inclusive, bobeou dançou…! — falou roubando o pudim de Akira. — Hhhmmm~, oh, delícia, vem pro papai!

— EI! Qualé?

— Já era! — exclamou enquanto comia o pudim em uma mordida só. — Ah, Deus! Obrigado por isso… Dona Mary arrasou nesse…

— Deus… Tá… — resmunga apenas aceitando aquilo e começando a comer o resto da sua comida. — Vem cá, 'cê entendeu o que é para fazer em artes? O professor tava falando qualquer coisa menos inglês… Quer dizer, aquele sotaque é bem forte…

— Tenho cara de coreano, porra? Tu que manja dessas paradas ai… Não eu… Se resolve com ele!

— Não é porque sou asi… Hunf… Esquece… Depois comento com ele sobre isso… Pera… Coreano? Ele não é europeu?

Akira estava no meio da cantina com Alexandry; um garoto que começou a andar com ele por um acaso qualquer; e mesmo tendo uma xenofobia um tanto quanto forte e sendo um babaca a maioria das vezes, Akira apenas aceitava e continuava conversando com ele como se tudo aquilo fosse normal…

Ele foi a primeira pessoa a puxar assunto com ele… Então meio que o jovem Aki não tinha, ou não queria, motivos para perder essa curta amizade…

Querendo ou não, Alexandry é a única pessoa com quem Akira conversa em momentos como esse; Leonard e Ayumi acabam ficando com seus respectivos amigos na hora do intervalo, então ele não tinha muitas escolhas a não ser o Sr. Alexandry, o melhor, e único, amigo que você pode ter sendo asiático!


— Vem cá, é difícil comer de hashi? — questionou Alexandry durante o intervalo.

— Não sei…? Uso colher e garfo desde que me conheço como pessoa…

— E quando foi isso?

— Quando… Oh… Qualé? Por que você me pergunta isso?

— Curiosidade, poh… Responde aí…!

Deus… Você sabe que nem todo asiático como de hashi, né?

Mentira, é lei que eu sei!

Tá, tá bom… É um pouquinho sim…

E assim o dia ia progredindo lentamente; com perguntas bobas e um tanto quanto irritantes; após o intervalo, Akira e Alexandry vão para sua sala, e por sorte de ambos, era uma aula até que simples de física… O professor sabia falar normalmente e não interrompia a aula para narrar sua vida pessoal ou dar bronca aos alunos.

A aula ia passando; pouco a pouco as coisas iam ficando monótonas junto aquele “tick, tack” do relógio, e quando tudo parecia que nada de especial aconteceria para tornar aquele dia em algo maior…

Pooft~!

Ai…! — emitiu Akira após receber uma bolinha de papel na cabeça.

— Que foi? — perguntou Alexandry sem nem olhar para Akira. — Tão te fazendo de Hiroshima de novo?

— É… E eu já disse que esse tipo piada não tem graça… — respondeu Akira, jogando a bolinha de papel para o lado. — 'Cê sabe que… Ai! — emitiu novamente, após ser atingido mais uma vez por outra bolinha de papel, desta vez com algo escrito nela. — Porra!

— Algum problema, Sr. Akira? — questionou o professor, se virando em sua direção.

— Eh… Nenhum, professor… Eu… Só deixei meu estojo cair…

— Okay… Tome mais cuidado com seu material de preferência. — comenta voltando a escrever no quadro. — Eu falo, falo e falo, mas ninguém me ouve… Que escola boa… Airdryert teria sido melhor…

— Mais uma bolinha? Há, ja sei! Agora meteu uma de Nagasaki, acertei? — zombou Alexandry dando um soquinho em Akira. — Tá a inspirado hoje, né? Hehe…

— Haha, engraçado… — ironizou pegando a bolinha e abrindo-a para ler.

“Estamos te esperando na entrada, vê se não amarela japinha!”

— Oh…? Ah, Merda… Tava demorando…

— Que foi? Cartinha de declaração?

N-não… Hunf, depois a gente fala sobre isso…

Iihh… Vai meter uma de misterioso, é? Beleza então… Hehe…


E mais uma vez o dia foi passando; Akira chegou até a citar sobre a suposta “ameaça” na carta para Alexandry, porém o mesmo apenas riu como se àquilo fosse a melhor piada do mundo, e isso enquanto dizia que…

— Ptzz… Haha! Se fudeu! Nisso aí eu não mexo não… Se vira!

— Porra! E ainda se diz amigo, né?

— Não luta taekwondo, jiu-jitsu ou sei lá o quê? Mete a porrada nós caras e pronto! É só fazer isso e teus problemas acabam rapidinho… Tu tá erregando à toa, viu? Vira macho, poh…

— Eu poderia só dizer que “eu não gosto de lutar”, mas se eu fizesse isso eu ia levar mó bronca do meu pai por “usar força em um momento fútil”… E ainda mais, eu nem sei se…

— Então se fode aí, enquanto tu ficar com esse medinho do teu pai você vai continuar sendo vítima de bullying até a formatura… — retruca começando a andar para longe. — Tchauzinho! Não quero participar de briga que não é minha…! Boa sorte e até mais!

Unf…

Uma cara angustiada e brava lentamente surgiu em Akira naquele momento; provavelmente ele havia percebido o quão essa sua suposta “amizade” com Alexandry estava mais o prejudicado do que o ajudando…

— Quer saber…? VAI SE FODER ALEXANDRY, NEM PENSA APARECER DE NOVO NA MINHA FRENTE! — gritou Akira enquanto via o garoto sumindo lentamente.

Alexandry apenas virou a cabeça e deu um sorrisinho de deboche para Akira, seguido de um aceno de despedida que se tornou em um dedo do meio no final.

Akira ficou ali plantado por um tempo; a ficha não havia batido para ele ainda, demorou mais ou menos uns 15 segundos para ele entender finalmente o que ia acontecer e começar a se questionar se fez a escolha certa ou não…

Entretanto, por uma sorte, ou ironia do destino, ele quase séria salvo…

— Tá parado aí, por quê? — perguntou Leonard, aparecendo com Ayumi atrás de Akira.

— Eh… Esperando vocês…? Quer dizer, esperando pra saber se vocês vão pra casa mais cedo ou… Sei lá, cabular aula…

— É mesmo? E que cara de pachorra é essa? Aconteceu algo? — perguntou Ayumi, se aproximando de Akira com um olhar de dúvida. — Alguma declaração ou algo do tipo?

— Bem… Não, o Alexandry só foi um cuzão… De novo… Eu só cansei dele depois de hoje, nunca mais quero ver ele na vida…

— Nooossaaa~ Que linguajar, hein? — zomba Leonard, se aproximando assim como sua irmã. — O que ele fez dessa vez?

— Bem… Me deixou no vácuo em um momento não tão… Bom…

— Deus… Não me diz que ele te deu um fora? — cogitou Ayumi, com um sorrisinho no rosto. — Coitadinho… rejeitado pelo primeiro am…

Urgh! Não é por conta que ando com um cara que tenho que namorar ele ou algo do tipo… Ahm… Aqui… — falou mostrando o papel de mais cedo. — Foi isso que aconteceu… Nada de declaração ou qualquer idiotice.

— E o que era para tá escrito aqui? Deus, que caligrafia de… — zombava Leonard novamente, porém logo é interrompido por um olhar de desgosto vindo de seu irmão… — Tá, tá… Também não é para tanto…

— Uma luta? — questionou Ayumi após uma breve lida no papel. — Por quê? Você vai?!

— Não diz que é uma briga, mas… Com certeza é… E eu também não sei o motivo disso, veio do nada… E eu não sei se tenho escolha de ir ou não.

— Olha… Eu até ajudaria, mas tenho horário integral hoje… — comentou Leonard, enquanto destacava um de seus livros. — Então meio que não posso fazer nada.

— E eu vou para casa da Vanny fazer um trabalho… E uma festa! — acrescentou Ayumi com uma cara empolgada. — E se eu estiver certa, o Mikhail vai tá lá! Hehe…

Mikhail? Mas e o Talys?

O Talysson? Pelo visto ele tá em um relacionamento com a Mikaela… Então não ia dar pra mim… Mas de qualquer forma! Desculpinha ai, Aki!

— É… Obrigado pelo esforço de qualquer forma… Vocês nunca tão dispostos a me ajudar, né? Mas beleza, obrigado de qualquer forma…

— De nada maninho~… — disse Leonard, abrindo os braços para dar um abraço no irmão, porém parando novamente após um olhar de ameaça vindo de Akira.— Eehh… Okay, parei…

Melhora como pessoa, por favor.


Nesse momento, a tão famigerada campa bateu, fazendo os corredores já agitados ficarem uma bagunça de pessoas indo de cá para lá.

Leonard se despede e vai para sua sala; Akira e Ayumi vão junto até a entrada da escola, e quando chegam lá, veem em destaque um grupo de três garotos que estavam esperando encostados em uma parede qualquer; nesse momento que ambos chegaram, o grupo de garotos sorriem em direção aos dois, expressando um ânimo descomunal a todos ali.

E como uma forma clara de deboche vindo de Ayumi…

— Bem… São Seus Amigos? — perguntou a garota, com um sorriso forçado no rosto.