Capitulo 15 - Conto De Fadas
— POR QUE VOCÊ TÁ AQUI?
— ME MANDARAM VIR ATRÁS DE VOCÊ!
— E POR QUE VOCÊ ACEITOU?!
— É POR QUE… EEEHHHNNN… EU…
— OH, SEUS PROJETOS DE SAMAMBAIAS FULERAS, TÃO GRITANDO POR QUAL MOTIVO?!
— M-Mark…?
— Não, Luna… seu pai… Zuas, sou eu sim… Eai? O que tá rolando?
— A Luna tá me perseguindo…
— IIIHHH OLHA ESSA MINA…! Não, poh… serio mesmo… O que tá rolando? E cadê o Lucas?
— Tsz… Eu vim pagar uma prenda… A gente tava jogando verdade ou desafio e eu me lasquei bonito… E… o Lucas tá lá na mesa ainda… por quê?
— Longa historia mané…
— Beleza…? Espera, vem cá… onde você tava esse tempo todo?
— Eu? Putz, mané… se eu falar tu não acredita… Mas isso não importa! Vem cá, tá tudo bem aqui? Nada aconteceu até agora, ou…
— Que cara é essa? Você viu um fantasm…
— Responde à pergunta, Luthor!
— Tá… tudo tranquilo… Nada aconteceu… pelo menos eu não sei…
— Beleza, bonitão… E você Luna, notou algo estranho?
— Bonitão?!
— Quê…? Não…? Quer dizer, no máximo…
— Beleza, minha camarada! Vem cá, tá afim de stalkear um cara?!
— QUÊ?!
— SE TIVER CONSPIRAÇÃO ENVOLVIDA, SIM!
— ENTÃO BORA!
Step… step… step…
㈫
— Só tem maluco nessa porra… Puta que pariu…
— Meu truta, ainda vai querer a música?
— Ahn…? Ah! Sim! Coloca aí…
Capitulo 15
Intitulado de “Conto De Fadas”
— … Vem cá, como você e a Emily começaram a namorar?
— Como a gente começou a namorar? Bom… não foi algo tão extremo ou a nivel de filme de cinema… foi mais algo do tipo…
— Deixa que eu conto! Eu consigo deixar isso bem mais interessante!
— Qual foi? A pergunta era pra mim… Mas beleza, vai lá!
— Hehe, é! Vai lá então! Como vocês começaram a namorar, Emily?
— Okay… Cof, cof…
“Era 27 de janeiro; estava beeem escuro naquela hora… Era provavelmente umas três da manhã ou até menos; e por algum motivo, eu estava acordada… Bem, na verdade, tinha um motivo para isso! Eu e o Lucas havíamos marcado um… ‘encontro’… Claro que não era algo romântico na proposta inicial… mesmo que, no fim, tenha se tornado algo desse tipo…”
“Por qual motivo um encontro quase às quatro horas da madrugada, você me pergunta? Bem… meio que privacidade não é o forte da escola, então… foi a única forma que encontrei de fazer aquilo acontecer; e com ‘aquilo’, quero dizer meus planos para tornar aquela noite inesquecível pra mim e para ele…”
“Eu já estava me arrumando há um tempo; e não vou mentir que deu para ver o ônibus quando ele chegou… Eram o quê? Umas três e meia da manhã quando ele chegou? Acho que sim… Eu realmente não sei quando tudo aconteceu no final das contas… fiquei tão focada em ficar bonita para aquela ocasião que esqueci do básico…”
“De qualquer forma! Eu apenas ignorei aquilo, coloquei na cabeça que o Lucas já iria cuidar disso mais tarde… e eu estava certa! A gente já se falava há um tempo, eu já sabia como ele era, e como ele iria agir sobre você e os outros… Agora, o que eu não sabia era como ele iria reagir sobre o que tramei…”
— Falando assim, parece que você tava planejando um crime.
— Não é?! Ela queria minha cabeça!
— Tá mais pro seu coraçãozinho bobo! Vai, me deixa continuar!
— Okay, okay… Vai lá!
— Cof, cof…
“O tempo foi passando; eu já havia me arrumado por completa e o que me restava era esperar… e foi isso que fiz…”
“Eu tava bastante ansiosa, e com motivo; não era todo dia que algo daquele nível acontecia, principalmente comigo! Eu estava borbulhando em pensamentos que nem eu sabia o que significavam…”
“Fiquei na minha cama sentada; fiquei balançando as pernas junto ao ‘tic-tac’ do relógio… Contei cada segundo; fiz de tudo para que o tempo passasse mais rápido… mas, no fim, é aquilo, né? O tempo nunca está do seu lado em momentos como esses.”
“A ansiedade foi aumentando com o decorrer do tempo; comecei a pensar em coisas que poderiam ter acontecido; como ele ter esquecido, ou ele não ter acordado… porém, em meio a todos esses pensamentos, foi que ouvi finalmente o que eu queria…”
Toc, toc, toc…
— Oh, a mesa fez o som certinho!
— Continua! Tô ficando interessado…
— Ah! Tá, tá! Cof, cof…
“Corri animada sem nem checar quem era; apenas abri a porta com tudo, não ligando com as possibilidades de ser outra pessoa… Mas não era; era ele, com uma carinha de sono que o fazia parecer mais fofo do que já era…”
“Ele olhou para mim e disse: — Oi! Pronta pra ver as estrelas?”
“E eu, toda animada e bobinha respondi: — Claro! Vamos indo? Hihi…”
“Ficamos se encarando por um tempo, até que finalmente decidimos ir para nosso ‘ponto de encontro’… Então, com ambos um pouco ansiosos, finalmente subimos pro térreo enquanto conversávamos sobre…”
— O que era mesmo? Eu… não lembro ao certo; devia tá tão ansiosa sobre aquilo que nem notei o que a gente tava falando durante a ida…
— A gente tava falando sobre os novos alunos! Se não me engano, quando eu tava saindo do meu quarto vi eles subindo as escadas! Inclusive, pensando nisso agora… Akira, você tava igual um bobo naquelas horas, sabia?
— Hey! Eu tava com medo, tá legal? Caramba… nesse lugar tem gente que fez cada coisa… e você ainda me julga por aquilo?
— Nah… julgo mais pela janela mesmo…
— Tsk… foi lembrar disso pra quê? Já tinha esqucido…
— Cof, cof...
— AH! Desculpa… Vai, continua…
“Na época eu ainda tava no terceiro andar…”
— Pera, você era do terceiro andar?
— Sim…? Eu já não falei sobre isso?
— Não…?
— Caramba… eu pensei que já tinha dito isso… Mas tudo bem! Sem interrupções! Explico isso mais tarde… Agora…
“Cof, cof… Na época eu ainda tava no terceiro andar; o Lucas era do primeiro, então a gente tinha marcado para ele ir até meu quarto para depois irmos juntos até o térreo… Lembro de quando marcamos isso, ele ficou todo receoso sobre ter que vir me buscar… No fim, aceitou por conta deu ficar insistindo…”
— Você sabe que a galera de lá não gosta tanto de mim…
— Ah, qual é?! Eles só não te conhecem bem… Certeza que se você passasse um tempo lá eles iriam gostar de você… Por que não tenta?
— Eu… penso nisso depois; só é meio chato ouvir picuinha sobre você… Mas, dane-se, continua!
— Eu ainda quero saber sobre essa treta toda, okay?
— Algum dia eu te conto, Aki… eu só não curto tanto de falar sobre isso…
“Bem… o bom foi que, já que todo mundo estava dormindo, ou quase, deu para a gente ir para o térreo sem arrumar nenhum problema ou algo do tipo… Nunca tinha visto o Lucas tão atento quanto naquele dia; é nesses momentos que eu concordo quando a Luna chama ele de agente secreto… Hehe.”
“Não demorou muito para gente chegar no térreo; foi tipo, uns três minutinhos de caminhada e… pow! Um céu lindo acima da gente…! E bem, para ser sincera, as estrelas já estavam sumindo; a lua estava quase se pondo, mas no fim eu não chamei ele ali só pra ver o céu…”
“— Uurr, que frio! Devia ter trazido meu casaco… — disse o Lucas, com uma carinha de quem estava morrendo de frio…”
“Eu poderia dizer: 'toma aqui, trouxe um casaco para você!', só que… aquilo não era uma série de romance ou algo do tipo; eu não tinha como saber que ia estar tão frio como estava… Porém… acabou que isso só fez as coisas darem mais certo!"
“Eu e o Lucas fomos para um dos bancos que tem no térreo; a gente se sentou e ele continuou reclamando do frio; e por conta disso eu resolvi dar meu… primeiro ataque…”
"Como se fosse instintivo, eu me aproximei dele, dando meio que um abraço e escorando minha cabeça no seu ombro…”
— Ui, que romântico, não sabia que você era tão atacante assim…
— Hehe, tenho muitas surpresas que você não sabe, jovem Akira!
— Deu pra ver, hehe… E depois disso? O que rolou?
— Bem…
“O Lucas ficou um pouquinho vermelho, e eu não posso negar que eu também fiquei, a gente ficou em silêncio por um bom tempo, apenas vendo os resquícios das estrelas sumindo enquanto a lua descia no horizonte…”
“Eu, sem ter muito o que fazer para prolongar aquele momento, disse” — Você sabe por que eu te chamei aqui?
“E ele, todo confuso e vermelho, respondeu: — Para ver as estrelas?”
“Talvez eu tenha ficado um pouco decepcionada com a resposta dele; mas não deixei esse sentimento me controlar, pelo contrário, transformei ele em algo beeem melhor…”
“Olhei para ele mais uma vez e disse: — Ah! Não foi só para isso não!”
“— Não? Foi pelo que mais? — ele perguntou, surpreso.”
“Falando agora é bem vergonhoso, mas… Escorei mais uma vez minha cabeça no ombro dele, e como se fosse mais uma vez instintivo, ele pôs sua cabeça sobre a minha, fazendo aquele frio sumir por conta de nossos corpos…”
— Esse treco não intercala mais que isso não, né…?
— Queria…
— Qué?! Não! O que foi isso do nada?!
— Sei lá… tá muito comum… eu tenho medo do que pode sair depois disso…
— Como é que o Mark fala mesmo? Ahn… ah! Tenha vergonha na cara, bicho veio! Eu não sou louca de tentar algo desse tipo em um primeiro encontro não, tá?!
— Mas teria sido engraçado se tentasse…
— Beleza, beleza! Só vai… continua!
“Eu suspirei um pouco, e logo disse: — Sabe Lucas… a gente se conhece há quanto tempo? Tipo, faz pouco tempo, disso eu sei… menos de um mês talvez… e nesse meio período a gente tem ficado bem… próximos, né?”
“E como se ainda não soubesse o que estava acontecendo, ele disse: — É… eu não podia deixar você ficar sozinha nesse lugar… principalmente após saber o porquê você veio pra cá! Era bem capaz de… você fica ainda mais desconfortável… andando principalmente com o pessoal errado.”
“Mais uma vez, respirei fundo e respondi: — É… e eu fico feliz em ter alguém que possa confiar depois daquilo tudo… Eu realmente nunca pensei que minha irmã agiria daquele jeito.”
“— Ah, esquece ela! Você não merece alguém como ela como irmã…! Tipo… parece até mesmo um Conto De Fadas; algo como ‘a irmã malvada que maltratava a irmã boazinha, mas aí, a irmã boazinha dá uma super virada e se torna a…’ a… ahn…”
“— Rainha do reino? Ou… algo parecido?”
“— É! Rainha do reino! Só ia ficar faltando o rei… Poxa, aí a história fica incompleta, mas isso não importa! Você vai achar seu rei alguma hora! Afinal, você é incrível! Hehe…”
“Eu ri quando ele disse aquilo; foi visível a cara de lerdo dele naquele momento… Até então eu achava que era apenas ele atuando ou algo do tipo, porém, ele era só lerdo mesmo, do jeitinho que sempre foi e sempre será… De qualquer forma! Eu ri, e assim que parei, olhei para ele e disse com uma coragem nunca vista antes… — E quem disse que eu já não achei meu rei?”
“— Hã? Sério?! Quem é? E por que você não me contou? Qualé…”
“— É por que é você, bobo! Você é meu rei! Ao menos é quem eu gostaria…”
“O rostinho de quem não sabia como reagir foi impagável; ele travou, eu também… Ficamos naquele clima meio monótono; nenhum de nós dois sabia o que dizer depois do que eu disse… Até que, enfim, ele olhou para mim e: — PERA, QUÊ? Não, como assim?! E-eu?! C-como assim ‘eu’?! Você tem certeza disso? Tipo, eu…”
“— Sim Lucas, você, eu notei isso depois de um tempinho… Eu… não sei se você sente o mesmo, mas… queria apenas tirar isso pra fora, mesmo com você recusando ou não…”
“— Recusar? NÃO, NÃO, NÃO! De forma nenhuma, eu sinto o mesmo por você… Quer dizer… não, pera… eu só joguei a informação… deve ter sido muito repentino… Eu quis dizer que… que… ahn… eu gosto d…”
“Mais uma vez, ambos travamos; eu não esperava a fala dele… ele não esperava a própria fala… No fim, a gente apenas riu juntos, como dois bobos num térreo frio às quatro e pouco da manhã…”
“Depois disso você deve imaginar o que aconteceu; a gente não chegou a se beijar ou algo do tipo, mas ficamos ali por mais um tempinho… Ficamos conversando sobre qualquer coisa por um longo período, até sermos atacados pela luz solar que havia finalmente começado a surgir… Com isso, decidimos voltar e dormi pelo menos umas duas horinhas antes das aulas.”
“Na volta a gente até se esbarrou com um dos novos alunos; ele não disse o nome dele, mas… a gente teve que se explicar, afinal, dois adolescentes sozinhos em um térreo de madrugada é meio suspeito…”
“No fim de tudo isso, a gente se despediu, dormimos um pouco e…”
— … agora a gente tá aqui!
— Deus amado… que história! Você Narra bem! Já pensou em ser locutora? Quem sabe até radialista! Eu nunca iria imaginar que 'cês tão juntos a tão pouco tempo… Tipo, da primeira vez que vi vocês, parecia que estavam juntos a meses…
— Que nada… por qual motivo você acha que a gente tava tão grudentos naquele dia?
— Saquei… No fim isso foi mais interessante do que pensei que seria… Eu realmente não esperava que você teria começado tudo…! Cara, realmente eu não sei muito sobre vocês… 'Cês são cheios de surpresas, hein?
— Que nada! Só fiz o que era necessário para esse cabeça oca ficar mais perto de mim! E deu certo! Hihi.
— Deu pra ver… Você travou literalmente o Lucas! Isso eu queria ver com meus próprios olhos!
— Ah, qual foi? Na hora eu realmente não sabia como reagir, tipo… foi tão rápido… Do mesmo jeito que você não esperava a pergunta que ela fez no turno do Alex!
— Falando nisso… o Alex ainda não voltou… e a Luna também não… O que será que rolou?
— Verdade…
Oh? Ah, Sim! Desculpe por meu sumiço; como a Sra. Rose ia fazer uma narração de um período passado, achei melhor não intervir, já que poderia ficar confuso dois narradores ao mesmo tempo, certo? Mas bem… deste ponto em diante terei que assumir o controle narrativo mais uma vez…
Cof, cof… Bem… Lucas se vira para direção onde seus amigos se foram, mas antes que possa fazer ou falar algo, Emily se levanta em um ânimo descomunal, e ainda com um belo sorriso no rosto…
— Sabe o que eu acho que rolou? Eles tão dançando!
— Será? — cogitou Akira. — Sei não…
— Com certeza! As músicas não mudaram, o Alex não voltou… Só pode ser isso!
— Acho difícil… — contestou Lucas. — É o Alex e a Luna no final das contas… Eles podem ter se metido em algo, acho que vou dar uma olhada…
— Nan-uh! Deixa que eu vou! — disse a jovem, ainda mais animada. — Se eles tiverem dançando eu quero fotografar! É um momento que não pode ser perdido!
— Hehe… okay, só cuidado para eles não verem você!
Sem muitas escolhas, os dois jovens apenas aceitaram a ideia da garota; que logo saiu em disparada em direção onde os dois "pombinhos" provavelmente estavam…
Naquele momento, era Akira e Lucas; ambos ficaram em silêncio por um tempo, mas logo voltaram a conversar sobre assuntos normais do cotidiano da escola… No final, Akira teve uma resposta atrativa para sua pergunta; Emily se divertiu contando uma ótima história, e Lucas… permaneceu do jeito que ele estava…