Extra 5 - Isso Vai Ser Difícil
— … NÃO FOI ELA, ISSO FOI GRAVADO DO PRÉDIO AO LADO!
— NÃO SE FAZ DE SONSA, VOCÊ SABE QUEM MORA NAQUELE PRÉDIO! ESSA PORRA FOI ELA E OS AMIGUINHOS DE MERDA DELA!
— TODO DIA ISSO, ATÉ ONDE VOCÊ VAI CHEGAR? PARA DE SER HISTÉRICO COM A DROGA DA SUA FILHA, AO MENOS UMA VEZ!
— VOCÊ NEM INVENTAR DE LEVANTA A VOZ PRA CIMA DE MIM, SUA VAGABUNDA DE MERDA! NÃO TEM NADA A VER COM VOCÊ, NÃO ME FAZ TE METER NESSA BRIGA…
— Pelo amor de Deus… ME OUVE UMA VEZ NA VIDA, JONSON!
— Ah, mas eu vou te ouvir… Vou, vou sim… ASSIM QUE ELA ME EXPLICAR QUE MERDA DE VÍDEO É ESSE… JAMILY, VEM JÁ AQUI!!!
Extra 5
Intitulado de “Isso Vai Ser Difícil.”
O tempo estava correndo rapidamente, e nosso grupinho de cozinheiros também… Já era a terceira semana de preparativos para aquele show acontecer, e mesmo faltando pouco tempo, foi praticamente no fim de tudo aquilo que Lucas lembrou de fazer as comidas para a festa… Por sua sorte, acabou que aquela não seria uma tarefa tão difícil… Marta, uma das funcionárias da escola, se disponibilizou para auxiliar o grupo com aquela tarefa…
Já na cozinha; o grupo foi forçado a usar aventais… E para ser sincera, a maioria deles nem ligou para aquilo… Só Alex que não gostou do seu novo design…
— Vocês ficaram ótimos! — dizia Marta, após forçar Alex a vestir o avental.
— Que mico… Se alguém me ver assim eu tó ferrado…
— Ficou mó based irmão, tá foda… Tá parecendo o cabra lá do programa lá que faz coisa de comida… lá.
— Ele tem que tá aqui também? E por que ele não tá de avental?!
— Só sei cozinhar com hipotenusa, e não tô com a vibe de descobri os catetos… Trabalhem, eu fico só de olho!
O grupo riu da situação; a cara de Alex era impagável, e o jeito de Mark dava um contraste extremamente forte… Para alguém que provavelmente nunca mais iria ser visto com algo daquele tipo, era a chance em milênios de fazer piadas com Alex, e Mark foi o primeiro a fazer isso…
— Okay, queridos… O que estavam pensando em fazer para essa festinha? — perguntou Marta.
— Bom… Acho que um bolo é a coisa mais adequada para a situação! É simples e chamativo… Sem contar que, quem não gosta de bolo? — disse Lucas, com um sorriso radiante em seu rosto.
— Eu não gosto de bolo de cenoura! MÓ RUIM!
— Oh! Achei a ideia ótima! Qual sabor vocês acham melhor? — indagou Marta, novamente.
— Morango! — sugeriu Emily. — Docinho… Gostoso… É o sabor perfeito! Sem contar que fazer um de chocolate deve ser mais caro… Hihi.
— Ahn, minha psicologia reversa não funcionou, queria de cenoura…
— Cala a boca, Mark…
— Também te amo, Luthor!
— Uh… Amo morango! — comentou Marta, dando pulinhos. — Tudo bem… Quem vai me ajudar na cozinha?
— EU, EU! — respondeu Emily, dando pulinhos também.
— Oh, que gracinha… Okay, querida! Vamos fazer assim, os garotos irão ficar com os salgadinhos, e você me ajuda com o bolo, o que acham?
— Pra mim tanto faz… — respondeu Alex, com uma cara de ânimo enorme…
— Hehe, tá tudo bem, tia! — comentou Lucas rindo um pouco. — Deixa isso com a gente!
— Bom, okay então! Vamos querida…
Marta e Emily entram mais afundo na cozinha; por outro lado, todos os outros ficam apenas ali, em pé por alguns segundos, até que…
— Tá… Como se faz um salgadinho? — perguntou Lucas, com um sorrisinho em sua cara.
— E eu vou lá saber… Eu manjo de fazer sanduba com pão e mortadela… De resto nada… — comentou Alex, cruzando os seus braços. — Até que não é tão ruim usar isso… Chega até ser confortante…
— Calma lá… O que vocês sabem fazer? — questionou Akira, intrigado com os dois na sua frente.
— Nada… Já disse, meu máximo é um sanduba…
— Eu sei fazer miojo! — respondeu Lucas, com um sorriso descontraído.
— Eu sei matemática.
— Isso Vai Ser Difícil…
— Mais difícil que o valor de pi? Dúvido…! Quer dizer, não é tão dificil decorar o valor dele… É tipo, 3,14159265…
— Mark… você não tá ajudando… Mas… Tá, beleza, é só fazer o que eu digo… — resmungou se virando para uma mesinha do seu lado. — Tratem isso como… Sei lá, uma atividade de clube ou algo do tipo…
— Pera… Tu sabe cozinhar? — indagou Alex.
— Sei? Minha avó me ensinou quando era pequeno… Sem contar que minha mãe me incentivava quando eu era mais novo…
— Wow! Sério mesmo? — exclamou Lucas, se aproximando. — Minha mãe não me ensinava algo desse tipo… No máximo a como me comportar direito… Mas que legal! Vem cá… já fez alguma receita própria?
— Hhmm… Acho que sim…? Provavelmente tentei misturar várias coisas pra ver no que ia dar… Mas tá! FOCO! A gente tá se perdendo do ponto inicial, bora logo fazer algo…
— Joia… Quanto mais cedo melhor…
— Bora logo, masters chefes! EU QUERO VER CAOS!
— Tá, bora nessa!
Akira pegou alguns ingredientes, colocou tudo na mesa e começou ensinar Lucas e Alex a usar os utensílios de culinária… Ao menos quatro vezes Alex disse que aquilo não é para ele; mas depois de um tempo acabou se acostumando com aquela tarefa simples… O mesmo até começou a gostar dela um pouco…
— Viu? Não é tão difícil! Eu já peguei o jeito pra isso… Bem mais fácil do que vocês disseram! — comentava Alex, preparando uma massa com as próprias mãos. — Porra, por que isso cansa tanto?
— Você tá colocando força de mais nas mãos… Não precisa disso tudo… E inclusive, quem tava falando que era difícil era você… Mas beleza… Tá bom já… Lucas, já terminou de cortar tudo?
— Yep! Queijo… Salsichas… Tomate… Tudo!
— Tomate? Tu vai colocar tomate em um salgado? — argumentou Akira, segurando os risos.
— Não! Eu também não sou tão burro… É que tava pensando em fazer alguns sanduíches, e…
— Sandubão é comigo, viu? — murmurou Alex, parando de mexer na massa.
— Nananinanão! Tua mão tá um nojo… E poh, bora terminar isso primeiro, né? Lucas, traz as coisas para cá…
— Cacete, mas 'cês são tipo, programa de esporte genérico… Fazem tudo errado!
— Vem fazer você então!
— Nah, tó suave…
O trio prossegue… Eles fazem alguns enroladinhos e pastéis; Alex até tenta inventar algo novo, mas falha ao descobrir a existência da coxinha…
— Burrão, isso é prato brasileiro! Meu pai fazia de montão pra mim no passado…
— Tá, tá bom… Vai lá fazer independência, vai…
— Ó, seu porra! Não zomba da minha nação assim não, viu? Tu é americano irmão, TU ACHA QUE AMARICA DO SUL E DO NORTE SÃO O MESMO!
— E não são?
— Porra, Alex… Até eu que sou maluco sei disso… Faz eu me sentir mais estranho do que eu já sou não, por favor…
— Vai se fuder, Mar… PERA, TU É BRASILEIRO?
— TU TEM DÚVIDAS?!
— TU NÃO PARECE, TIPO, NEM UM POUCO!
— PUXEI APARÊNCIA DA PARTE DE MÃE, BOCÓ, NEM TODO BRASILEIRO PRECISA TER PELE NEGRA NÃO, SABIA?!
— SIM, É QUE…
— PAREM DE GRITAR!
O caos seguia igual… A diversão era alta; o exagero de Mark para qualquer coisa também…
Cof, cof… Voltando um pouco… Finalmente haviam feito o primeiro passo da preparação dos salgados… Com um pouco de dificuldade, mas tinham feito.
— Tadã! Tudo feito… Agora é só pôr no fogo e esperar!
— Pera, tem que esperar? — perguntou Alex. — Todos os salgados que eu comia eram frios…
— Você vai comer carne crua? — indagou Lucas, indignado.
— Não, porra! Mas tipo… Ah, foda-se… Só assa logo isso…
— Você não vai comer eles não, sabia?
— É, eu que vou!
— Você também não, Mark…
— Naaaaah… Mancada…
— Beleza, beleza… — comentou Akira, colocando os salgados em uma bandeja e os pondo no forno. — Deus… Isso até que foi fácil… — resmungou, sentando-se no chão. — Lucas, cadê o Davi? Já é a segunda vez que a gente tá fazendo algo e ele some…
— Ele tá no meu quarto… Ele disse que preferia só desenrolar aquele pisca-pisca, então ele ficou lá!
— Porra… Se eu soubesse que você aceita um não tão fácil, eu falaria mais…
— Deixa o cabra… — falou Mark, se sentando também. — Dá pra vê que ele não curte tanto esse tipo de coisa… Melhor deixar ele confortável do que fazer ele se esforçar por algo que não queira… Sejam sensatos, bobos!
— É, faz sentido… Mas o cara também precisa de…
POW!!!
— Oh, ow… Eehh, pessoal… — dizia Emily, do outro lado da cozinha… — Deu um probleminha aqui…
— O QUE HOUVE? — gritou Lucas, assustado.
A garota põe a cara para fora, e… Bem, ela estava… suja… Massa por toda sua cara, sem contar que havia manchas de glacê de morango espalhado por todo seu cabelo… Ainda assim, ela continuava com aquele doce sorriso…
— Porra, tá suja, hein? — disse Alex…
— O que aconteceu? — disse Akira…
— A fala a seguir é de um bobalhão… — disse Mark…
— Olha! Um doce de morango ambulante! — disse Lucas… — HEY, MARK!
— Hehe… Bobo! — disse Emily… — O Mark acertou em algo… Hehe…
A garota se sentou, explicou o que aconteceu para ficar daquele jeito… E, talvez o bolo tenha explodido, mas isso não vem ao caso… O grupo até quase deixou os salgados queimarem por ficarem conversando sobre aquilo, mas no fim, tudo deu certo… Menos o bolo…
Além disso, aproveitaram e fizeram os tão sonhados sanduíches com tomate, o grupo ficou rindo do ânimo de Alex por está comendo aquilo, e pela felicidade de Lucas por usar os tomates que cortou…
Ficaram ali, matando o tempo… Conversando sobre qualquer coisa, seja o dinheiro de Lucas ou o fato de Davi ter ficado apenas desenrolando fios atrás de fios…
Falando em Davi, o mesmo já tinha terminado aquilo bem cedo, e aproveitou o resto do tempo para dormir…
Ele parece um bicho preguiça às vezes…
— Tchola, ele…
De resto, nada; a semana não durou tanto, e os preparativos estavam finalmente prontos… A festa se aproximava cada vez mais…
— Eu não falei tanto hoje, achei paia…
A escolha foi sua, shiu! A quarta parede não pode ser quebrada assim do nada!
— Pode sim, eu que escolho isso!
— Tá falando com quem, animal?
— Com a mão invisível do consumidor… Sabia que ela tá em todo lugar? Por isso que…