Capitulo 10 - Essa Noite Seria Inesquecível

PORRA! TIRA A MERDA DESSE FONE ENQUANTO TA FALANDO COMIGO, SUA…. Uunnff… Se acalma, se acalma… T-tá, eu vou repetir mais uma vez… V-você disse que ia parar com isso… E o que você fez? Me ouviu? Claro que não; pelo contrário, repetiu essa merda mais uma FODENDO vez! PORRA, VOCÊ ME PROMETEU QUE IRIA…

Eu parei… Por que você acha que foi eu que fiz isso? Sério, pai, não é por conta que algo assim acontece aqui por perto que foi eu qu…

CALADA! Já é a terceira vez que a gente tá tendo essa conversa… Eu tó cansado, já chega disso… Você tem noção do desgosto que sinto sobre essa merda? Sobre o que ouço dos meus amigos sobre você ser uma… uma… Argh! Jamily, eu tô enlouquecendo com essa porra… Pelo menos tenta não se fingir de sonsa uma hora dessas… EU SEI QUE FOI VOCÊ, PORRA! AONDE MAIS TEM UMA MERDINHA QUE SABE DESSAS MERDAS NESSE PRÉDIO?

Posso pelo menos me expl…

NÃO! Você NÃO pode… Porra! Ia ser a mesma conversa de sempre… Sobre os seus amigos; sobre algum tipo de preconceito e blá blá blá… Eu tô falando sério… Esse é seu último aviso, se você fizer essa merda mais uma vez por conta desses trombadinhas, você vai tá fora dessa casa… E eu não vou ouvir suas desculpinhas de novo, entendeu…? Agora, desliga a merda desse computador e vai se arrumar… A gente vai ter que visitar o Erick de novo… Eu me recuso ter uma filha como você… Essa merda só pode ser algum problema na sua cabeça…

Pai, eu não preciso de um psicologo…

Ah, é? Diz isso pra ele… Sem desculpas, não me obriga a quebrar essa merda… Você vai querendo ou não… E se eu souber que você tá falando mal de mim para ele… Ahn, acho que não é preciso eu dizer o que vai acontecer, certo…?

N-não…

Ótimo, Sra. Mitnick.

STREACK!!!

Unf… Velho de merda… 'Cês gravaram isso, né?

Uhn, uhn… Positivo, my Lady! Vai direto pro YouTube!

É! Dessa vez o coroa vai pra puta que pariu!

Eu… Também espero isso, ao menos vão olhar pra ele torto na rua… Agora eu vou ter que sair, a porra do Erick vai tá me esperando…

Quer que a gente…

Não precisa… Relaxa, eu vou indo nessa… Só editem isso e me mandem depois…

Missão dada é missão cumprida!

Até, Lady!

Até…


Capitulo 10

Intitulado de “Essa Noite Seria Inesquecível”

— … Eu tive uma ideia! — exclamou Lucas, batendo suas mãos contra a mesa, chamando a atenção do grupo inteiro. — E é algo SUPER legal pra gente fazer!

Ah, droga… De novo não… Unf… Só… desembucha logo, não quero perder meu lugar na fila… — resmungou Alex, levantando-se de sua mesa com um sorriso suuuuper empolgado. — Mas já vou avisando… Se for algo do mesmo pique que aquela convenção na quadra, eu tó fora!

— Qualé! As competições na quadra não foram tão ruim assim… Cof, cof…. Mas enfim! Se liga na ideia!

— Manda! — disse Akira, olhando Lucas empolgado. — Vindo de você deve ser algo legal…

Oh, se vai ser… Eeebaaa, que ânimo! Uhul! — ironizou Alex. — Bora… Desembucha, praga.

Para de ser estraga prazeres, Lex! — falou Emily, dando um soquinho em Alex.

— Ta, tá! Parem já aí…!

Só fala logo então…

— Tá, tá… Se liga! E que tal… a gente fazer uma festa?! A gente chama geral e se diverte! Poderíamos usar a quadra ou a cantina para ser o lugar da festa, e… Teria comida boa, ia ter umas músicas legais…

— Ah! Tipo Toxicity?! — indagou Akira, baixinho.

— V-você ouve System? — questionou Davi, no mesmo tom.

— Eu curto um pouco…

Tá, tá… — disse Alex, dando alguns passos para a porta. — Cara… resolve isso com a Liz… Geral toparia, provavelmente; mas duvido que a dona da fogueira deixe outras pessoas assarem marshmallows na propriedade dela… Agora, bora Davi, hoje tem pudim de sobremesa… — comentou, puxando Davi a força.

Quê?! Sequestrado de novo não! Alguém me ajuda, ele vai me por pra pegar podiam pra ele de novo!

Shiu, não reclama!

— QUALÉ, TRAÍRAS! — exclamou Lucas, vendo Alex saindo da sala com Davi. — Oh, Deus… Da próxima vez tenho que fazer algo que chame a atenção desses dois…

Uma competição de quem come mais pudim faria esses dois ficarem mansinhos, hehe. — Ironizou Emilly.

Anotado!


Bom… E aqui estamos nós… Digo…. Ali estavam eles, o resto do grupinho, reunidos ao redor de uma mesa… Fora Alex e Davi, os outros três continuaram ali; Lucas apenas ouviu o que Alex disse e ficou pensativo por alguns instantes; Emily e Akira, por sua vez, ficaram apenas observando Lucas pensando em meio aquela situação… E como era de se esperar, o mesmo se recompôs rapidamente…

— Ah, há! Já sei! — disse mais uma vez, com brilho em seus olhos.

— Manda! — comentou Emily. — Qual a solução da vez?!

— Seguinte… A galerinha do terceiro ano vai ser formar mês que vêm… A gente poderia usar isso como desculpa e fazer a festa! Tipo, é só chegar na Liz e mandar a ideia… E eu consigo fazer ela aceitar de forma fácil, fácil!

— É uma boa jogada… Mas como iriam ficar os gastos de tudo? — questionou Akira, levantando-se. — Na teoria, a gente que vai arrumar tudo, né? A ideia é nossa, então a gente que paga… Foi como o Alex disse, se for pra Liz pagar tudo tem mais chance de só não rolar…

— Elementar, meu caro Akira! Consigo resolver isso de boa também! — respondeu se levantando com tudo. — Mais antes de qualquer coisa… Lanchinho!

— Hehe… Você não vai gastar seu dinheiro com isso não, né? — indagou Emily, também se levantando. — Pensei que ia guardar pra algo especial…

— Melhor isso do que passar mais um mês chato aqui! E de qualquer forma, eu nem tenho onde gastar aquela grana toda… E também não existe nada mais especial do que você pra mim!

Oowwtt… Você não tem jeito, né? Hehe… — riu, dando um beijinho na bochecha de Lucas. — É um anjinho mesmo… Sempre pensando nos outros do que em você… Por isso que te amo! — Continuou, dando mais beijinhos em Lucas… Dessa vez com mais intensidade.

— Deus… O Alex não tava brincando quando disse que 'cês são grudentos… Tsz, hehe!

— Mas enfim…! Marquei um encontro com a Mia hoje, então não vou poder ajudar por agora… Mas qualquer coisa manda mensagem!

— Okay! — exclamou Lucas, retribuindo os beijinhos de Emily. — Só cuidado com aquela doida, não vai cair nas conspirações dela, okay?

— Prometo nada! A Luna é gente boa~! — comentou saindo dali correndo. — Ela só é um pouquinho estérica~!

Hehe… Também te amo!


Bom… Não vou mentir; as coisas estavam acontecendo de forma rápida… Lucas apenas acenou enquanto via Emily sumindo nos corredores… e quando a jovem não podia ser mais vista, o garoto apenas se virou para Akira, e…

— Bom… Eai? — questionou Akira, dando o pontapé inicial antes de Lucas dizer algo.

— Bem… Temos duas escolhas: ir comer algo… Ou ir atrás do meu dinheiro pra já ir arrumando as coisas!

— Como assim “ir atrás”? Você não sabe onde ele tá?

— Bom… Sim e não! É que meu quarto tá uma bagunça e… eu não lembro onde deixei o dinheiro… Pra ser sincero, eu nem sei como achei meu lápis hoje cedo…

— Deus… — exclamou, segurando um pouco para não rir. — Olha… Vamos fazer assim… Vai comer algo enquanto eu tomo um banho, e quando eu voltar a gente olha sobre o dinheiro… Fechado?

Fechado, Sr. Fedidinho!

Hey! Eu tô fazendo isso por respeito, tá? E eu nem tô tão fedorento assim… O ar-condicionado ajudou nisso…

Hehe… Okay, eu vou indo nessa então! Te vejo mais tarde!

Beleza, me espera na cantina!

Fechado!

Assim como os outros membros do grupo, Lucas saiu correndo da sala, deixando Akira sozinho no lugar…


E bom… Lá estava ele, em pé no meio de sua sala vazia… Como disse antes, as coisas estavam acontecendo de forma rápida; de uma hora para outra Akira se sentia confiante, ansioso e… animado.

Fazia menos de dois dias que ele chegou ali, e logo de cara, o jovem estava preste a preparar uma festa com um grupo de amigos que ele foi inserido por um acaso… E de alguma forma, Akira nem notou onde estava, ou o que estava fazendo; a única coisa que importava para ele era… estar ali; ter com quem conversar e… estar longe daquele homem.

Após algum segundos plantado naquele lugar, Akira começou a andar, e, ao mesmo tempo que pensava sobre a ideia de Lucas, também ficou repetindo para si coisas que queria fazer; planos para o que ele irá se tornar, ou ao menos o que ele quer se tornar no seu tempo em Bonfire…

Tudo estava rondando sobre a mente do garoto; sua cabeça estava a mil, e sua feição deixava isso totalmente exposto para qualquer um que passava perto ele…

— Ele ali tá como? Excitadaço!

— Essa não é a melhor palavra, mas… É, tá mesmo…

— Vocês metem sexo até no que não dá, é foda…

— Que isso, eu sei que é de se invejar; habilidade nossa…

Passo a passo Akira ia andando; o mesmo só não estava dando pulinhos para não chamar tanta atenção… Mesmo que ele já estivesse fazendo isso… Ele estava ansioso; queria chegar logo no banheiro, tomar uma ducha mais rápido e aproveitar aquele dia como se fosse o último… De novo, o mesmo só não estava correndo por puro medo de ser considerado estranho… Algo que, convenhamos, é normal naquele lugar…

— O Lucas só tem amigo maluco, tá que pariu… É por conta disso que eles agora são só uma faísquinha idiota… Tão perdendo ranque por conta disso!

— Você nem conhece o cara, vai que foi ele que matou o Michael Jackson… E mais, você faria qualquer coisa pra tá no lugar dele, admita…

— Claro, perto de uma beldade daquela? Tudo por uma casquinha, irmão…

— ELA NAMORA, ANIMAL!

— Elas sempre dizem isso… PERA, ELA NAMORA?!

— SIM, PORRA! OU VAI DIZER QUE NÃO VIU OS DOIS SE GRUDANDO NA CANTINA QUANDO ESSE PUTO AÍ CHEGOU?

— MERDA, MEUS PLANOS JÁ ERAM! PORRA, SAMUEL, POR QUE TODO MUNDO QUE EU AMO ME DEIXA?!


Cof, cof…

Voltando para o ponto inicial… Akira, após alguns minutos, chegou finalmente ao banheiro; e querendo sair o mais rápido possível, o jovem apenas entrou de uma vez sem ligar para nada…

Ao entrar, Akira vê o lugar completamente vazio… Isso era bom, afinal, ele podia estar confortável naquele lugar, mas ter que tomar um banho com alguém do lado seria… difícil para ele…

Com pouco passos a frente, uma pequena sala chama a atenção de Akira; nela, diversos chuveiros lado a lado gritavam indiretamente que ali era o lugar aonde as maiores atrocidades eram feitas e ditas… E que era ali que tomava banho também.

Algumas toalhas também se encontravam naquela sala; penduradas por um longo pedaço de metal que se estendia de um lado ao outro da sala… De resto, era um banheiro padrão… Ao menos no padrão de uma prisão…

“Oh, Deus… Eu pensei que isso iria ser em várias cabines… Que ninguém entre aqui, pelo amor de Deus… É só uma ducha rápida, só isso…”

Lentamente, Akira adentra ainda mais aquele lugar, pronto, ou quase, para o que vier…

“Todos estão comendo, ninguém vai vir aqui… Ducha rápida… É fácil, qualquer coisa eu… eu… Eu não tenho como fugir dessa situação…”

Errado ele não estava… Ele estava ali, só voltasse do mesmo jeito que estava poderia… Como posso dizer… Chamar ainda mais atenção, e de uma forma nem um pouco boa…


Enfim! Como meio de “segurança”, Akira checou todo o lugar antes de qualquer coisa… Já com a área limpa, com a maior cautela do mundo, Akira tirou sua camisa e… só? Bem… O jovem travou após isso…

Não leve ele a mal; Akira gostava de seu corpo, ele não tinha vergonha dele ou algo do tipo… Mas mesmo assim, o desconforto em pensar que alguém podia vê-lo deixava ele completamente desnorteado…

Por sorte do destino, enquanto pensava sobre como sairia dali com a mesma roupa que entrou, Akira nota um grupo de armários ao fundo da sala… Com esperança nos olhos, o jovem foi até eles e abriu um sem medir esforços… E, para sua felicidade, se deparou com um amontoado de roupas extras dentro…

Boa! Nada de sair com camisa suada pelo menos…! — gritou baixinho, com um sorriso de alívio em sua cara… — Acho que a ideia é tomar banho com as roupas de baixo então…

Finalmente com coragem, mesma ela sendo pouca, Akira volta aos chuveiros… E querendo terminar logo, ele começa…


Ah, sim… Se você estava esperando uma narração meio suspeito sobre Akira ficando apenas de cueca, ela não vai acontecer… Em primeiro lugar, tenho princípios, e em segundo… Acho que não tem muito o que dizer; ele já estava sem camisa, foi só tirar a calça e pronto… Seu corpo não era o mais magrinho, e nem o mais definido ou cheinho… Akira era, por parte de sua insistência de não fazer os exercícios de Kentaro, o padrão mais padronizado do corpo humano.

Ah! Quase me esqueço… Para não deixar alguns tristes; essa não será única vez que Akira tomaria um banho naquele lugar…


Cof, cof…

A água era boa, não estava nem tão quente e nem tão fria; era até estranho, mas definitivamente era confortante… Não havia xampu ou qualquer outro cosmético que podera deixar Akira mais “agradável”… Ainda assim, não faria tão mal o jovem ter o aroma de “mofo” como todos os outros daquele lugar… Uuhh… Esqueci de citar isso… Bom, agora você já sabe… A falta de xampu ou algo do tipo não era só para Akira, e sim para todos da escola…

Foi um bom tempo ali; algo como cinco ou dez minutos de uma sensação agradável… Após tudo isso, Akira estava revitalizado; um banho era realmente o que ele precisava depois da noite passada…

Após seu tempinho de lazer acabar, o jovem foi até onde as toalhas estavam; pegou uma e se enxugou… Logo em seguida, foi novamente em direção dos armários, pegou um novo par de roupas, olhou seu redor por alguns segundos, e…

Hhhmmm… Melhor fazer em alguma cabine… Lá atrás… em lugar fechado, aonde ninguém vai ver…

Akira se virou segurando seu novo par de roupa; andou um pouco até chegar na área das cabines, e, como se estivesse em uma missão ultra secreta, colocou apenas sua cabeça para checar se tinha alguém ali… Por sua sorte, não havia ninguém no local…

O garoto se dirigiu o mais rápido possível até a cabine mais próxima; entrou, trancou ela e… Puff, paz e segurança, finalmente!

Sem demoras, Akira se troca o mais rápido possível; afinal de tudo, ele ainda queria poder aproveitar o intervalo… Ou apenas dar uma provada rápida no lanche para não ficar um horário inteiro com fome…

Todo ansioso, ele arrumou seu cabelo com os dedos mesmo; deu uma última passada de toalha na sua cara e se preparou para sair…

E assim que o garoto abriu a porta da cabine…

Damn, Akira! It looks like a baseball bat!

AI, CARALHO?!


Oh, céus… Como vou explicar isso?

Bem… Assim que abriu a porta da cabine, Akira teve uma surpresa nem um tanto agradável, e nem um tanto desagradável, para ser sincera… Por um lado, ninguém havia visto nada que ele havia feito até aquele momento… Ou era isso que ele achava e acreditava… Já por outro, quem estava em sua frente não era ninguém mais, ninguém menos que…

PUTA QUE PARIU, MARK! — exclamou Akira, se recompondo e olhando para o garoto em sua frente. — QUE SUST…

Iihh, mané?! Como tu sabe meu nome, brother? — questionou Mark, sentado em cima da pia com uma cara confusa.

O qu… Pera… Quê? Você… me disse ele ontem a noite… Lembra?

— Eu disse…? Ah, se tu tá dizendo… Tá bom, né… — retrucou a si, dando um pulinho e descendo da pia. — Mas cacete guri… Ta fazendo o que aqui? Não me diz que você veio aliviar o estresse… Ouvi uns gritinhos vindo do fundo desse lugar, pareceu um pouco suspeito… Mas relaxa que eu SOU vagabundo ao ponto de vazar essa informação, tá? Não confie em mim… Ou confia, sei lá, 'cê é gente boa, não sei se eu gostaria de fuder tua futura popularidade… Mas aliviar o estresse é paia pra alguém como tu…

Ahn? Qu… AH, PORRA, NÃO! Eu só vim tomar um banho, okay? Eu tava suado e…

— Oh, porra… Eu sei, só tô zuando com a tua cara mesmo… Meio impossível não ter sentido aquele cheiro de sovaco podre na sala… E olha que tudo aquilo deveria ser um acúmulo de uns três brothers, junto a ti… Essa galera daqui precisa de um desodorante urgente! Tenho medo no dia de aula de educação física… Ou pior, de ver esses cabras numa academia…

— Jesus… Não sei nem como responder depois dessa… Ahm… E você, veio fazer o que aqui? Ah! E pelo amor de Deus, me diz que você só chegou agora…

— Ah, eu? Vim aliviar o estresse… Mas bateu mó medão de ter câmera aqui… A escola é pra maluco, então não duvido ter alguma aqui pra monitoramento… E fica tranquilo, eu não vi teu baseball bat… E se tivesse visto… Rapá, melhor nem falar… A fuleragem ia cantar…

Prss… Você continua bem exótico, sabia? Jesu… Pera… câmeras?! Vira essa boca pra lá! Isso não seria crime de qualquer forma? — indagou, olhando para todos os lados incessantemente. — Deus… Você consegue me deixar paranoico numa facilidade…

— Sim… É meio noia minha mesmo pra ser sincero; só relaxa, seu bobo… Eu gosto de deixar os outros lelê da cuca igual eu… Hehe… Tipo, a última escola que fui tinha uma mina que saía postando depoimento sobre o treco dos caras… Oh, não vai pensando besteira não, viu? Ela era fascinada pelo muque dos caras… Mó esquisitona… Teve até um dia que ela veio pra cima de mim, mas eu fiquei explicando a lore de União pra ela como um noiado… A mina achou que eu era um nerdola fulera e saiu, mas mau sabia ela que o pai aqui na época já treinava peito… Virtualmente em um jogo de boxe? Sim, mas treinava! Ranque 13 global, meu filho… Era foda o pai aqui!

— Deus, você não consegue falar uma frase curta não? Ou pelo menos não mudar de assunto tão rápido assim?

— Não. — respondeu, dando um sorriso bobo.

Ai você tá zuando da minha car…

De repente, um clarão vem a mente de Akira; o mesmo não ia deixar aquela oportunidade fugir por uma bobagem de conversa aleatória, então… como um flash em sua mente…

— … Tá, tá, tá! De qualquer forma… Que merda foi aquela ontem a noite? Sobre meu pai e…

— Teu pai…? Quem é teu pai, irmão? Era pra eu saber, ou…? Tony Hawk? Jack Black? Tiririca?

Oh, Deus… FOCO! Kentaro! O nome dele é Kentaro! Você do nada ontem começou a falar dele de uma forma tão…Sei lá, tão verídica e do nada voc…

— Aahh! Kentaro… Conheço sim... Que tem ele? Por acaso ele aumentou o preço da academia fulera que ele tava trabalhando? Meno, nem te conto como era os banheiros de lá…

Você me ouviu ou… só me ignorou?

— Os dois…

— Porra… É que, tipo… Você ontem falou dele com tanta certeza que me deixou… Uuhh… confuso pra caralho…

— Aahh! Relaxa, eu de vez em quando respondo as coisas com atraso… Mas fica frio aí, eu só tava repetindo o que ele me disse aqui em Luary… Eu fazia as aulas dele, o puto dava exemplo de tu e teus irmãos como um desgraçado… Sem contar que eu sigo ele no Facebook, sou mó fã dele desdas antigas… Teu pai é famoso, irmão, sabia não? 2k de seguidores no Facebook, o cabra é tipo o CEO da Microsoft… Só que mais pobre… Sobre o negócio do soco que ele te deu; ele me disse isso durante uma conversa que eu definitivamente não lembro…

Ah, Deus! Amén… Alívio ouvir isso, tinha esquecido que ele é charlatão sobre as merdas do passado…

— Poisé… Ele tem sorte que aqui em Luary só sou eu que sei disso… Aí em Sunny é tu, e eu quando sair daqui… Ou seja, ele tá fudido mais aí do que aqui.

— Não, sério, isso realmente tirou um baita peso de mim, já tava pensando que você era um tipo de… Pera, “aqui”? A gente não tá tipo, longe pra caralho de Luary?

E era eu que mudava de assunto, né, filho da puta? Pelo menos termina uma frase! Não seja igual o autor de ACDA!

Aahhnn, você só tirou um peso das minhas costas mesmo, então… tanto faz eu acho… Tô de boas em ouvir suas loucuras agora… Vai, como assim “aqui”? Eu tenho um tempinho antes de sair daqui…

Porra… Beleza, se liga na mente do palhaço… Eu fiz uma conta matemática básica; peguei a área total do território de Luary, fiz uma conta pra saber o quanto aquele ônibus fulera percorreu durante toda a viagem usando o tempo e a velocidade como base… Aí nisso, vi que faltava poucos metros pra trocar de um território pro outro… Então, ontem andei por toda a escola do lado de fora pra ver até onde a área de Luary ia usando meus passos como medida, aí descobri o ponto ideal que é onde troca de um lugar pro outro… Aí, fazendo o mesmo do lado de dentro, eu descobri que esse banheiro, especificamente esse, é o ÚNICO lugar nessa bagaça que é propriedade de Luary… Entendeu? Ah, e por algum motivo, essa cabine que você tá, tá sendo a única que tá no território de Sunny… Tratado de Tordesilhas, eu acho…

— … Puta que pariu, você é um filha da puta, sabia? Cacete… E-eu vou indo nessa, a gente se vê mais tarde… E eu duvido eu ter entendido isso até lá…

Qualquer coisa eu passo no teu quarto e te explico a fazer esse treco com fórmula de Bhaskara… Nem tem como, mas eu ensino!

Nah, obrigado, mas eu passo… Até!

Posso fazer com regra de três! Tá afim…?! Filha da puta, me ignorou…

Bom… Após tudo isso, Akira saiu do banheiro e começou a andar para cantina com uma cara de… uuhh… alívio, essa é a melhor palavra para definir isso… Mas não era a melhor cara para fazer depois de sair do banheiro…

— Roupa nova… Cara de prazer… É, ele bateu uma.

— E o guri lá de dentro? Será que foi fazer o mesmo?

— Que nada… O Mark não é esse tipo de pessoa; conheço ele a menos de dois dias, mas duvido que ele faça isso…

— Faz sentido… Quer trancar ele no banheiro?

— Hehe… Eu pego a cola… Vai lá pegar os grampos!

— Hehe… Let’s go!


Ao mesmo tempo, lá dentro do banheiro, Mark apenas ficou ali, quieto e sem fazer nada… Apenas pensando… Até que…

— Merda, esqueci de levar em conto a posição do ponto de ônibus… Aquela porra já tava longe pra cacete de Luary… Sem contar o relevo do caminho até aqui… E vamo de refazer tudo de novo, Mark!

Sglesh! Trinckt!

Cacete… Me trancaram aqui…? Putz… POXA VIDA, GENTE, ESTOU TÃO ESTRESSADO AGORA QUE ME PRENDERAM AQUI… TEREI QUE ALIVIAR ESSE ESTRESSE AGORA… QUE PENA…! Agora é sério… Como eu saio da aqui? Ah, foda-se, penso nisso depois… Deixa eu ir pra Sunny e aliviar essa porra logo…


Cof, cof… Vamos voltando para o que importa, certo…?

Depois de tudo isso, após alguns minutinhos de caminhada, lá estava Akira; finalmente na cantina… pronto para comer alguma coisa, e preparado para o possível caos do quarto de Lucas…

Com apenas uma corridinha rápida Akira chega aonde os pratos estavam; não havia mais fila ou qualquer coisa do tipo, ele apenas se aproximou da “tia da cantina” e pediu seu lanche… O jovem pegou seu prato com ânimo em seus olhos; aquilo parecia delicioso, e realmente era… Mesmo com um simples petisco sendo jogado na sua boca para uma leve experimentada no prato, Akira já sabia que aquilo provavelmente seria a coisa mais diferente que ele comeria…

Mais uma vez, se virou para trás e viu aquela multidão caótica; várias pessoas em todos os lugares, de todos os tipos e com suas devidas características… Sem nem pensar, Akira entrou naquela onda de pessoas; olhou e olhou por todos os lados atrás de Lucas e… nada… Ele provavelmente estava sendo camuflado pela multidão, ou ele nem estava ali, sua hiperatividade parecia que poderia levá-lo a lugares inimagináveis no final das contas… Ainda assim, Akira foi andando enquanto comia; ele estava animado, como eu disse, e, querendo ou não, nem ele mesmo havia notado como estava fazendo as coisas sem pensar antes…

Lembra que citei que tudo estava rápido de mais no final das contas? Pois é… Parte disso era de Akira…. A outra era minha mesmo…

Cof, cof… O lugar continuava bagunçado; uma simples virada de olhar para outro lado era como se ele mudasse de país… Não vou mentir, até que era interessante, algo como um jornal matinal trocando de crime para outro em uma calmaria tão simples…

Porem, diferente do jornal, havia uma simples diferença entre os dois; o jornal era algo somente na televisão… Nada de risco de vida ou algo do tipo; já aquele lugar… Bom, não é necessário dizer mais nada.

— Passa a faca…

— É de plástico… Corta nem pão, acha mesmo que vai matar alguém com ela?

— Seu porra, eu quero só pra passar manteiga…

— Isso daí é mentira… Vai fazer que nem os cara de filme, juntar talheres pra fazer um buraco pra fugir…

— O único buraco que eu vou fazer é no seu crânio se você não me deixar passar a droga da manteiga no pão…

— Aff… Pega logo, praga…

Ao menos as coisas já estavam entrando na mente de Akira; não seria tão difícil lidar com algo desse tipo por os próximos três anos… No fim do dia, era só não puxar briga e pronto!


Ainda esperançoso, Akira continuou rondando por todos os lados atrás de Lucas… Ou, quem sabe, de qualquer um do grupinho dele…

Já preste a desistir, o garoto acabou vendo uma pequena “bagunça” acontecendo perto de uma mesa… E como algumas pessoas já estavam ali, a probabilidade de Lucas estar também era grande… Além que, ele já estava cansado de andar de cá para lá....

Com poucos passos e poucas mordidas na sua comida, Akira se aproxima desse furdúncio; de início, se decepciona por Lucas não estar ali… Mas após alguns segundos, o garoto acabou tendo sua atenção roubada por uma discussão feia entre dois alunos…

Parte dele queria só sair dali e voltar a caçar seu amigo… Mas, querendo ou não, a curiosidade era algo forte; e nada melhor do que um lanchinho em meio a um show de horrores…

O garoto então ficou ali, comendo enquanto via tudo acontecendo… E torcendo para que Lucas chegasse para interromper aquilo ou… só assistir como Akira…

E de qualquer forma, aquilo era o mais próximo de um filme de ação que Akira teria… Naquele momento, não faria mal assistir aquilo um pouco.

— Mas… Se você gostava tanto dele, por que não disse nada…? — comentava um garoto alto, com uma cara de deboche. — Oh, meu Deus… Não me diz que você ficou com medo de decepcionar o seu namoradinho tão querido? Deve ter sido difícil aguentar aquela pressão toda dentro de você...

— Haha… Super engraçado… Vai se fuder, William… — retrucava a menina, desviando o olhar do jovem sentado em sua frente. — Queria ver como seria a merda da sua cara com um bêbado mandando você tirar a roupa enquanto apontava a porra de uma arma na sua cara… Se manca, imbecil… 'cê só tá passando vergonha…

— Sério mesmo? Arma essa que você tirou dele com a maior facilidade…? Admite, você poderia ter se safado a qualquer momento, mas quis aproveitar seu… “momentinho particular” com seu amorzinho… E ora, ora… Nat, afinal de tudo, aquela arma era de mentira… Oh, espera, você descobriu isso só depois de tudo! Me desculpa, eu esqueci que vendem arminhas d'água em formato de armas reais! Ui, ui, que medinho d'água… Como você não notou aquilo na hora?!

Por conta do medo, seu… Cof, cof… William… escuta aqui seu “Emberzinho” de merda… Que saber o que aconteceu depois disso? Eu enchi a droga daquela arma de ácido sulfúrico e fiz ele engolir cada gota… Depois disso eu dei um tiro com o ácido em cada olho dele…

É mesm…

Ah, pro seu interesse, isso foi no dia SEGUINTE que tudo aconteceu… Você nem sabe o que aconteceu e vem dar pitoco pra cima de mim? Porra… Não me obriga a fazer o mesmo contigo… No seu caso não existe arma de brinquedo ou algo tipo; eu fiz por raiva e impulso, e você… Por prazer… Então vê se cala a porra dessa boca perto de mim.

— Oh… Que medinho! Estou tããããaooo apavorado…! Nat… Aonde você vai achar algo assim num lugar como esse? Pelo amor, melhora nas suas intimidações… E ainda mais… Eu só tô repetindo o que você já disse… Ou quer que eu diga um pouco mais pra nossa plateia? Ainda tem o lance de…

E que tal eu espalhar pra todo mundo aqui seu fetiche de merda? Não ia ter ninguém aqui que ia te defender, e você sabe disso… Até um maluco sabe que aquela merda é mais criminosa do que matar um arrombado… Vai mesmo querer que eu diga o que você fez?

Oohh… Alguém leu os arquivos da escola… E que tal… E se eu falasse pra Liz que você invadiu a sala dela de noite…? Ela não ia ficar nem um pouco contente… Qualé, Nat! Você obedecia ele igual uma cadelinha… Admite isso e essa conversa para aqui…

Eu vou fazer você engolir essas palavras… Para com essa merda ou eu te mato, seu merda... Essa é a última vez que eu falo isso…

Ui, ui… Que nem você engoliu o…

STREASH!!!

De repente, o que era apenas uma troca de farpas se tornou algo maior… Nat pulou em William antes que o mesmo pudesse terminar sua frase… E com isso, uma trocação de socos se iniciou…

Por pouco a garota não levou os talheres de seu prato para o “embate”; por pouco o garoto escapa daquela situação… O medo de Wiliam ficou claro naquela hora… Ele tinha coragem de falar, mas pelo visto, não havia coragem de arcar com as consequências de seus atos…

Por um momento, Akira havia esquecido o que era aquele lugar; aquele show, no final das contas, realmente intreteu o garoto…

Mais uma vez, ele recebeu um “lembrete” sobre tudo… O garoto estranhou de começo, como é de se imaginar; não houve uma alma viva naquele lugar que não fosse ele que se assustou com a situação; muito pelo contrário, alguns começaram até incentivar a briga, repetindo coisas sobre Nat e sobre William… Demorou ao menos um minuto até alguém tentar interromper a briga… Ou uma multidão…

De um lado, um grupo de garotos seguravam William, e do outro, um grupo de garotas seguravam Nat…

ME SOLTA! EU VOU FAZER ESSE MERDINHA ENGOLIR A PRÓPRIA LÍNGUA! — exclamava Nat. — VOCÊ SÓ SABE FALAR, SEU MERDINHA FUDIDO! SE NÃO FOSSE ESSA CÂMERA QUE TU ESCONDE NO CU NÃO TERIA ESSA MARRA TODA!

FALA ISSO E FICA BABANDO PRA AQUELE IDIOTA, NÉ?! EU JÁ VI E OUVI TUDO VINDO DE VOCÊ, T-U-D-O! ADMITE QUE VOCÊ GOSTOU DE SER FODIDA POR AQUELE ARROMBADO, VAI, NATALIA! PROVA PRA TODO MUNDO QUE VOCÊ É UMA MASOQU…

PROVA PRA TODO MUNDO O QUE CARALHOS VOCÊ FEZ COM AQUELAS CRIANÇAS!!! VAI, EU DUVIDO VOCÊ ADMITIR A MERDA QUE VOCÊ FEZ… VAI LÁ, MACHO ALFA FUDIDO, FALA!!! FALA QUE VOCÊ É A PORRA DE UM…


Bom… Como posso explicar essa situação na visão de Akira…

Era… bizarro; ver aquilo acontecendo parecia super comum para todos ali…. E querendo ou não, era mesmo; e isso era o mais estranho…

Akira não sabia como reagir; ele não poderia fazer nada no final das contas… Ou, até quem sabe, ele não conseguia fazer nada; Akira havia travado, da mesma forma de antes… E mesmo não sendo ele que estava fazendo algo de errado, ver algo como aquilo era… estranhamente nostálgico, não pelo o que ele havia feito em Frostfall, e sim por algo mais…

Talvez fosse apenas uma sensação qualquer de arrepio ou medo, mas… Akira sentia que não era a primeira vez que veria algo do tipo…

Antes que qualquer coisa podesse acontecer, Akira tentou se acalmar… E bem, conseguiu; fechando um pouco a cara, Akira entrou em seu “mundinho particular”, disse a si as coisas certas, e… ficou bem.

Bem é uma palavra forte, não é? Bem, ele… ficou menos tenso, mas não totalmente…

— “Respira… Tá tudo bem… Não é sobre você, se acalma… Se acalma, Akira…” — pensava o garoto, dando um mordida no seu lanche para distrair a mente… Bom, naquela hora, um “tec” seria melhor que uma briga até a morte de dois adolescentes… — “Tá tudo bem… Pensa em algo, tipo… as coisas bobas que o Leon fazia quando criança! Isso! Ele… apanhava feio mas brigas que o papai colocava el… Pera, briga? AH, MERDA!” — prosseguiu, com mais um “tec” de sua mordida…

É um pouco forçado dizer isso, mas… quando tudo estava se acalmando, quando Akira abriu seus olhos com serenidade, pensando que podesse fazer algo, ou, quem sabe, apenas sair dali e fingir que nada aconteceu…

POW!!!

CHEGA! PAREM JÁ OS DOIS!!!

Um tiro… Sim, um tiro foi ouvido por todos naquele lugar… Isso junto a uma voz grossa vindo da entrada da cantina…

Talvez os “tecs” não estavam vindo da comida de Akira; pensando agora, realmente soou como um engatilhar de arma… Bem, quem liga agora, não é mesmo?

Todos ficaram quietos imediatamente após o disparo; não houve uma alma viva ali que se moveu… Principalmente Akira… Ele parecia uma estátua naquela hora, a única diferença era…

“Qualé… Por que isso tinha que acontecer? Eu tinha acabado de tomar banho… Tô todo suado de novo…”

Mesmo com o clima tenso, Akira se virou lentamente… e com muito medo, inclusive…. Cof, Cof, assim que se virou, o jovem apenas viu um homem alto com uma cara de bravo apontando uma arma para o teto da cantina… Um crachá com o nome “Rubert” junto a uma pequena estrela em seu peito entregava sua autoridade naquele momento… Seja por ele ser um funcionário da escola, ou… Você sabe; ter uma arma.

— “Puta que pariu… Pode arma nessa caceta? Se ele tem, tem gente daqui que pode ter também…? Puta merda… Respira Akira, respira… Ele deve ser um monitor, só isso…”

O medo realmente tomou conta do garoto… Sinto até pena de imaginar o pequeno Akira com uma cara toda nervosa… e o possível suor fazendo seu corpo ficar fedido novamente…


RUBERT, A LIZ JÁ DISSE QUE É PARA PARAR COM OS TIROS NO TETO! — gritou a tia da cantina, como se aquilo não fosse nada. — ISSO PODE ACERTAR ALGUÉM, SABIA? O ANDAR DE CIMA É CHEIO DE ADOLESCENTES, SEM CONTAR OS OUTROS GUARDAS!

Cof, cof… Não há ninguém lá em cima… — afirmou Rubert, com uma voz mais calma. — Seu pudim é querido por todos desse lugar, toda sexta você tira todo mundo dos seus quartos… Além disso, hoje tem jogo… Todos os guardas estão usando o intervalo pra assistir ele na minha sala… Tá tudo bem, não se preocupe.

ACHO BOM MESMO! MAS ISSO NÃO MUDA O FATO DE VOCÊ TER FEITO EU DERRUBAR MINHA PANELA, SEU BILTRE!

Marta, eu tô trabalhando aqui…! Cof, Cof…

Após essa pequena conversa, o homem calmamente guardou sua arma; logo em seguida, deu pequenos passos até o meio daquela multidão, e com uma cara nem um pouco satisfeita, apenas deu um sorriso macabro e…

— Sra. Pavlov e Sr. Terry… Me digam: o que eu havia dito sobre o uso dessas classificações idiotas?

O qu… PORRA, RUBERT! VOCÊ VAI SIMPLESMENTE IGNORAR O QUE ESSE MERDA FALOU SOBRE MI…

— Já que não quer que isso se prolongue… Responda à pergunta, Sra. Pavlov.

Tsz… Que… Que elas não definem quem nós somos e blá blá blá…

— Exato! — exclamou, batendo as mãos. — Agora… Sr. Terry, responda: o que eu havia dito sobre discussões sobre suas ações passadas?

Não sei, acho que faltei essa aula… Tava ocupado demais comendo a sua…

— Sr. Terry… Geralmente a Liz me pede para não usar violência como método de ensino, mas… se continuar assim, acho que, além de limpar a quadra, você também terá que limpar sua cara… Já que se prosseguir com esse modo de agir, eu terei que esmigalhar ela no chão… Então, agora… Responda à pergunta e aprenda a arcar com suas consequências, Sr. Terry.

A gente…. tá aqui pra se tornar pessoas melhores, e esquecer qualquer erro que cometemos no passado…

— Exato! — exclamou novamente, batendo as mãos com mais força. — Agora, aqui vai mais uma coisa para vocês aprenderem: se eu tiver que sair de um momento adorável com meu filho para resolver esse tipo de coisa mais uma vez… o responsável vai passar um booooom tempo preso; sem água, sem comida… apenas você e eu… entendido? Ótimo… Agora, eu quero cada um de vocês voltando ao que estavam fazendo… pelo contrário, a aula da próxima semana será em dobro.

S-sim senhor… — sussurraram, William e Natalia ao mesmo tempo, junto a todos os outros logo em seguida.

Rubert deu mais um sorriso após isso, deixando aquela situação ainda mais desconfortável para todos ali… Logo em seguida, sem nem ligar para o que acabou de acontecer, ele dá alguns passos para frente e… se vira na direção de Akira por um momento…? Bom, não posso dizer que Akira não ficou com mais medo naquela hora… Até eu teria medo se fosse ele…

Mas, felizmente, o homem apenas respirou fundo, e…

— Obrigado por ter me contatado, Sr. Miller.

Fazer o que, né… Alguém tem que agir quando algo assim acontece… E eu ainda garanto meu lanche fazendo isso.

— Isso seria extremamente proibido no quartel… Mas já que aqui não é um… eu relevo pra você.

Valeu, chefia… Quer um pouco do pudim?

Nah… Doce não é meu tipo…

Não sabe o que tá perdendo…

— Hehe… Bem… eu vou indo então; continue sendo um bom aluno, Miller. Talvez sua pena aqui possa diminuir com um bom comportamento.

Deus lhe ouça… Só vou sentir saudade da Marta e os pudins dela…

Hehe… Eu também.

Rubert se virou novamente, e dessa vez, ele realmente saiu…

Ah, para deixar bem claro: Akira não moveu um músculo durante essa pequena conversa… Lidar com o medo em situações pesadas como esta realmente é, e ainda será, um obstáculo para o jovem Akira…


Ainda assustado, o garoto apenas virou sua cara; com isso, viu Alex, também o encarando enquanto comia um pudim..

Que foi? Nem vem… É meu… Só meu.

— Ah…? Não… É só que… Deus… O que foi isso? O que CARALHOS foi isso?

— Relaxa… isso é normal… Já aconteceu coisa pior pra ser sincero… Acredita em mim se quiser… — disse, dando uma mordida final em seu pudim. — Hhmm~, delícia!

Como ISSO pode ser normal?!

Porra, burro pra cacete também, né…? Se liga… Esse lugar é tipo uma fogueira, se aprofunda nela que você se queima… a qualquer momento uma labareda pode ficar maior por conta do vento… e… é aconchegante se você souber seu lugar… Tendeu?

Eu… ahn… entendi… Mas, Deus… Nunca pensei que algo assim poderia acontecer… Tipo, foi tão rápido, eu tava de boa em uma hora, e na outra… Um cara deu um tiro no teto, e…

— Akira… isso aqui é um internato pra gente maluca, e você não pode fingir que é uma escola normal; eu sei que o nosso grupo faz você pensar que tá tudo bem… mas todo muito aqui fez algo; uns por bem e por outros mal… Tira essa ideia de “colégio dos sonhos” da cabeça… Essa é a falsa realidade que todo mundo aqui já passou uma vez.

O-okay… Eu só não tava preparado pra algo tão… rápido…

Hehe… Foi o que ela disse… Não, pera… porra! Foi força do hábito… Juro! — resmunga pegando alguns farelos de pudim que estavam em seu prato. — De qualquer forma… O quão mais cedo você se acostumar, melhor… Só tenta não pensar nisso… Enfim, papa ovo, o que você tava fazendo na roda dos Ember’s de qualquer forma?

“Em…” o que…? Uuhnn… Eu só tava atrás do Lucas na verdade… Vi isso e pensei…

— Que ele taria aqui? É… É bem a cara dele mesmo; mas quer saber de algo? Perfume de bebé, segue o cheiro que 'cê acha ele… É literalmente a única coisa que ele usa.

T-tá bom? Não, pera… Cara… como 'cê tá tão de boa assim com isso? Tipo… ela disse que… Ele disse que…

— Parceiro… Eu já disse; tem gente que veio pra cá por desmembrar pessoas; outros por assédio… As coisas só vão piorando… Acho bom você ir se acostumando…

Eu… acho que vai demorar… Isso é uma realidade totalmente diferente da minha antiga… Tipo, eu só vim aqui por…

— Nem vem com essa! Falar do seu motivo de tá aqui sempre dá ruim… Só esquece isso e pronto…

— Esquecer esses dois? Isso já ficou marcado na minha mente! Ela disse que atirou com ácido na cara do ex…!

— Nhe, já vi pior… Esses dois aí vão tá conversando normalmente daqui a dois dias; não é a primeira vez que isso acontece… O William é um babaca, ele só gosta de perturbar os outros por conta de uma câmera que conseguiu trazer de casa… E sim, ele já colocou isso no banheiro feminino… Por isso que quase todo mundo odeia ele. — comentou, jogando o prato descartável no chão. — E a Natalia… Ela é ela; foi abusada pelo namorado e deu troco; a maioria das pessoas gosta dela por causa disso… Geral concorda com o que ela fez… Tipo, todo mundo aqui sabe o limite, querendo ou não… Mas, tem gente que sabe disso e fingi que não sabe… O William é um exemplo…

Tá que pariu… Essa merda é pra maluco mesmo…

Bem-vindo ao Inferno Em Forma De Uma Escola… O Lucas tá na nossa sala… Ele voltou pra resolver um treco que, pra ser sincero, eu nem tó ligando… Só vai lá, esfria a cabeça, campeão… — disse, bagunçando o cabelo de Akira com a mão, e saindo logo em seguida. — MARTA! PREPARA OUTRO AÍ!

HEY, VAI SÓ ME DEIXAR ASSIM MESMO?

VOCÊ SUPERA, FICA TRANQUILO! É TIPO TERMINO DE COMEÇO DA ADOLESCÊNCIA!

PELO MENOS DEIXA UM PRA MIM!

NÃO! É MEU!

Uma quebra de clima realmente rápida… Ou Alex estava sendo sincero, ou ele estava apenas zombando da situação e de Akira… Independente de qual era, ao menos ele deu um objetivo e caminho para Akira seguir naquela hora…


Sem ter muitas escolhas, Akira faz o que Alex disse; começou a andar tendo como foco em sua mente apenas uma coisa: achar Lucas para acalmar essa bagunça em sua cabeça… E para poder arrumar o tal dinheiro que foi dito mais cedo.

“Primeiro aquela janela, depois o Mark, e agora isso? T-tá bom mundo… Eu vou tentar só ignorar isso… Mas não vai ser fácil… Nem um pouco…” — pensava Akira, saindo da cantina. — “Segundo dia… Vamo que vamo! As coisas deram uma volta mas… Não tem mas… Só bora…” — continuava, tentando acalmar a própria mente… E falhando miseravelmente…

Repito isso bastante, não é…? Gostaria de saber quando isso parará…


Cof, cof…

Step, step, step… Fuaarrhh!!!

Minutos depois, lá estava Akira, em sua sala… O Jovem apenas entrou sem prolongar nada; e assim que entrou, ele se viu… Sozinho? Bom… Era o que aparentava…

Akira olhou de um lado a outro, mas a única coisa que ele encontrou foram cadeiras bagunçadas e mesas fora do lugar… Um grande silêncio tomava conta do recinto, era apenas Akira e… mais nada; era ele e o mundo…

Isso seria até aceitável se a ideia dele estar ali não fosse para encontra alguém… E nesse caso, parecia apenas que Akira estava sendo jogado de um lado ao outro do colégio como uma bolinha de ping-pong…

Lucas…? — comentou um pouco alto, enquanto entrava mais afundo do lugar. — Você tá aí?

OI?! — disse a voz do garoto, acompanhada por um barulho de pancada. — AI…! EU TÓ BEM, PERA AÍ QUE EU JÁ VOU!

Do fundo da sala, Lucas apenas se levantou; limpou sua camisa com alguns tapinhas e foi em direção a Akira com uma cara… bastante confusa, diga-se de passagem…

— Por que você tá com um prato? — indagou ao chegar perto o suficiente. — Veio comendo até aqui?

— E por que você tá todo suj… Pera, quê…? —disse olhando para suas mãos e vendo seu prato ainda ali… Talvez aquilo tudo no refeitório tenha feito Akira esquecer de terminar seu prato… E de devolver ele para Marta…Ah, merda… Esqueci de deixar lá… Ah… Passo lá depois… não tó com cabeça pra voltar naquele lugar… Te contar, o clima ficou pesado de uma hora pra outra… E o mais foda foi ver o Alex levando aquilo na tranquilidade.

— Oohh… Tendi…! — respondeu, com uma carinha boba. — Ah, na real, vem cá… Tá bem? Tipo… Ouvi um barulho de tiro, e… você tá meio suado pra alguém que tomou um banho… As coisas ficaram tão tensas assim?

Eu tô suando…? Ah, Jesus, verdade… Ahn… A questão não essa, okay? As… coisas ficaram tensas sim… Aí o Alex chamou um brutamonte que apareceu e acabou com tudo de um jeito… Um jeito… bem arrogante… Ele deu um apavoro em geral!

— Ah, o Rubert não é tão ruim assim! Ele é grosso… Mas pelo menos deixa esse lugar seguro…! Minimamente… é claro.

— Ahn… Tá, né, se você diz… Ao menos ele parecia com muita raiva naquela hora… E eu agora não consigo ver ele com um sorriso que não seja macabro… Marcou na minha mente, okay?

Seja mais otimista! Todo mundo tem dois lados, assim como uma moeda… Mas bom! Que tal a gente ir indo nessa? Meu quar…

— É! Quer saber?! Eu… Acho que seria uma boa a gente só ir logo arrumar teu quarto mesmo! Hehe… Minha avó sempre dizia que uma boa faxina melhorava a cabeça… E eu tó precisando disso urgentemente!

— Deixa eu advinha… você não tá aguentando isso, né? Você tá rindo de nervoso, né?

Exatamente… Eu sou humano ainda, viu? Vê aquilo não desceu legal… Principalmente a parte do tiro… A parte dos dois brigando, de geral apoiando… Prutzzz, da até calafrio… Eu só soquei um cara, não matei ninguém!

Relaxa, você se acostuma! Só bora pro meu quarto então… Deixa pra pensar nisso depois!

Eu só acho que eu não quero me acostumar com isso… Tipo, não me parec… Tzs, foda-se… Bora… Eu só quero esfriar a cabeça…

— Aproveita e toma um banho! Tá precisando, sabia?

EU SEI! Não precisa ficar repetindo isso… Já foi mó sufoco tomar banho naquele banheiro, agora isso?

Hehe… Desculpa…! No meu quarto não tem ninguém pra ficar te olhando, você pode tomar banho lá… Bora, vamo acabar com esse desconforto!

Deus lhe ouça… Bora…

Hun… Até que foi rápido, não? Esse dia em si estava indo rápido… Até de mais… Parece até que eu que estou falando pouco….

De qualquer forma; nesse ponto, o jovem Akira apenas queria voltar para o seu quarto e esquecer tudo isso… Mas, no fim, ele sabia que teria que se acostumar… Querendo ou não…

Cof, cof… Bem… Ambos apenas sairam da sala onde estavam; seguir o ritmo da batida seria a melhor coisa que Akira poderia fazer naquela situação… Então, foi isso que ele fez.

O garoto apenas segue Lucas; o jovem em sua frente caminhava em meio a pulinhos… Era um pouco cômico ver Lucas agindo daquele jeito, principalmente depois do que acabara de acontecer; querendo ou não, o jeito dele agir parecia muito com um de uma criança; e para Akira isso era algo mais bom do que ruim…

Aquilo fazia ele lembrar de uma doce época… Época essa que Ayumi não era tão grande e tão desajeitada…

Aquele jeitinho de Lucas fazia o internato parecer apenas um lugar-comum; o contraste de uma situação para outra foi… bem forte; se de alguma forma Akira tivesse que se acostumar com esse tipo de coisa, iria demorar muito até ele apenas aceitar… Mas alguma hora aquilo iria acontecer.


Havia algumas pessoas nos corredores; algumas conversando e outras estudando; Akira e Lucas passavam por todas sem dizer muito, no máximo Lucas dava um “Bom dia” para pessoas aleatórias, que retibuiam sem nem olhar para ele.

Akira apenas prosseguia andando atrás do loiro, sem falar muito ou ligar para os outros ao seu redor… Contudo, querendo ou não, certas conversas chamam nossa atenção… E assim como mais cedo, algo puxa atenção de Akira…

— Viu o que o Arthur andou escrevendo? — perguntava uma garota, ao que provavelmente seria sua amiga. — Tá suuuper bizarro…

— Arthur? O “Cinder”? — questionou a outra garota. — Faz tempo que ele não faz nada…

Sim, ele começou a escrever mais daqueles livrinhos dele… Pelo que parece é algo super nojento… E pra piorar, ele colocou uma galera da escola como personagens…

— Que obra dele não é nojenta…? Quem gosta daquele tipo de coisa é escroto pra caralho… Me deixa surpresa ele ser Cinder, e não um Ember…

Um livro não matou ninguém até hoje… Eu acho.

Quem sabe… Pensa quantas coisas ele já deve ter escrito sobre mim e você? Ele tem uma mente de…

Maluco.

Escroto…

Pervertido… A gente pode fazer uma lista maior que os alunos dessa escola, você sabe né?

Hehe… Sei… De qualquer forma, você ouviu o barulho que veio da cantina? Acho que…

Já longe o suficiente, Akira não conseguia mais ouvir nada que aquelas duas diziam… Pegar uma conversa pela metade ou fim sempre dificulta o nosso entendimento sobre ela; e nesse caso não seria diferente; de começo Akira pensou que “Cinder” podia ser o sobrenome desse tal de “Arthur”, mas com o pouco que ele ouviu, provavelmente não seria isso… E ainda mais, ele havia ouvido “Emberzinho” mais cedo… Isso era muita coincidência para ser apenas algo bobo…

Confuso e curioso sobre o que aquelas duas garotas estavam conversando; Akira aumentou seu passo até chegar perto o suficiente de Lucas, e então…

— Lucas… Posso te perguntar uma coisa? Tem um treco que me deixou encucado desda briga da cantina…

— Oh? Pode…? O que foi?

— É que assim… Lá na cantina, eu ouvi algo sobre “Ember”, sabe? E agora, ouvi umas garotas falando algo como “Cinder”… É normal essa analogia toda sobre fogo? Tipo… O que isso significa? E Por que isso é tão comum? Até o Alex fez uma analogia desse tipo…

Ahn… Isso? Bem… — Lucas franja a testa após ouvir a pergunta de Akira; como se estivesse tentando lembrar o que eram… Ou, que não quisesse responder… — Bom… Como posso explicar isso… Ah, já sei!

Manda!

— Olha… Aqui alguns alunos têm esse hábito bobo de classificar quem é melhor ou pior, sabe? É algo super inútil que, eu em específico, não curto muito… Basicamente, se eles souberem qual foi seu crime, eles te dão uma classificação… É mais um título do que algo bom… Tipo, quem tá no topo é mais forte, e quem tá embaixo é mais fraco… Mas os critérios pra isso são nulos, então só ignora isso, acredita em mim, 'cê não vai precisar lidar com esse tipo de coisa! Ao menos eu espero…

— Beleza… Mas “Cinder” e “Ember” seria o que nessa classificação? Eu realmente não entendi o critério pra isso… E tô curioso pra saber; até o Rubert comentou algo sobre lá na cantina…

— Bom… pelo que eu sei, “Cinder's” são os mais baixos, e “Ember's” os medianos… O Rubert não curte esse lance por conta que ele veio de Dearth; ele é um ex-militar, pelo o que ele disse….

Cacete, e os maiores? São o quê?

Pera um pouco aí! Deixa eu terminar a resposta para você fazer outra! Veio pra cá por ser curioso, é?

Hehe… Beleza, é que em Frostfall tinha algo parecido, mas era mais no tipo de “quem é mais inteligente” ou algo assim… É algo bobo, como 'cê disse, mas é algo que chama a atenção de todo mundo…

— Bem, não é nada que dê pra chegar no topo, já que você não tem controle disso… Mas dá para entender seu ponto; de primeira parece legal, mas é só se aprofundar mais que você se queima…

E mais uma analogia sobre fogo…

— Algum dia você vai fazer sua própria, acredita em mim!

Hehe… Tomara… Ah, aliás… Qual seria a sua? Se é baseado em crime, você deve ser Cinder, né…? Duvido você ter feito algo muito…

Ah… Olha… eu não curto tanto falar sobre isso, então… Mudando de assunto~

— Oh, foi mal! Faço muitas perguntas de vez em quando… Maus aí… Sou um entusiasta quando o assunto é sobre esse tipo de coisa… Uma das minhas obras favorita tinha esse lance de hierarquia, então…

— Hehe… De boas… Se preocupa não…! Mas quer saber de algo? Pergunta para o Alex, ele responde de boas!

— Ah, sério? Tá bom… Se pah eu pergunto hoje mais tarde…

Você consegue mudar de assunto bem rapidinho, né? Nesse instante tava assustado com o Rubert e agora tá aí… Hehe.

Ah, qualé… Lembra disso não, tava quase esquecendo… E quem mudou de assunto foi você! Mas… eu meio que tô aprendendo isso de mudar de assunto com um cara; ele consegue mudar o assunto mais do que minha irmã de namorado…

Você tem uma irmã?!

E um irmão… Sou o mais velho, vi aqueles dois crescerem a vida toda; a Ayumi vivia entrando em relacionamento quando pequena, aquele lance de escola, sabe? Aí caía pra cima de mim resolver isso com meu pai…

Oh… Saquei… Problemas familiares todo mundo aqui tem… Preocupa não.

Se não tivesse aí eu ficava assustado…

Hey! Isso foi pesado, sabia…?

E por que esse sorrisinho na cara?

Hehe… Tá, você me pegou…


Após isso, os dois apenas continuaram andando enquanto matavam tempo conversando sobre quaisquer coisas que vinham à mente… Segundos depois, Lucas parou em frente a uma porta com o número “16” nela, e como se já não fosse óbvio o suficiente, o garoto se preparou para uma “apresentação” de seu quarto…

— Tadã~! Esse é meu quarto! O castelinho mais caótico dessa escola inteira! — disse começando a abrir a porta em sua frente. — Pode entrar! Só ignora a bagunça… Preciso tirar esse meu costume de não organizar minhas coisas…

— Relaxa, nem deve tá tão bagunç…

Antes mesmo que Akira terminasse sua fala, sua visão foi obstruída por toda bagunça em sua frente… E acredite, não era pouca coisa…

— PUTA MERDA! O que caralhos aconteceu aqui?! Você deu uma festa aqui dentro ou tá tentando esconder um cadáver?!

— Bom… Só preguiça de arrumar mesmo… Hehe… Hehe… Eu avisei, nem vem falar nada! E meu quarto é pequeno demais pra fazer uma festa nele…

— E olha que você ainda queria me ajudar com o meu quarto…. Qualé cara… se você quiser eu te ajudo a arrumar tudo isso… Ia demorar, mas daria pra fazer em um ou dois dias…

Akira ia falando enquanto andava em meio aquele caos… O jovem adentrou mais o lugar; foi até um pequeno monte de tralhas perto do que parecis ser uma escrivaninha e pegou a primeira coisa que viu…

— Tipo… O que é isso? Por que tem um potinho jogado no chão? Você não tem uma lixeirinha ou algo do tipo?

— Ah… Isso? São só alguns remédios… Nada de mais, eu só esqueci de guardar ele no lugar cert… Deve ter caído no chão por conta da bagunça…

— Lucas… O pote tá vazio… Seja pra que for isso, você precisa de um reestoque…

— P-pera, tá? — comentou dando pulinhos sobre a bagunça até chegar em Akira. — Caramba… Tá mesmo… Preciso pedir mais na enfermaria… urgentemente

— Eles servem para o quê? Não tem rótulo, então fica meio difícil de saber… São genéricos?

— Ah… Apenas medicamentos comuns, eu preciso pra… não ficar enjoado! Tenho um sério problema com enjoo desde pequeno, aí preciso disso para não vomitar durante as aulas… e durante uma festa! Acho que seria muito nojento se eu sem querer fizesse isso… Ia acabar com o hype da coisa.

— Entendi… Mas vem cá, você não quer ajuda pra deixar esse quarto limpo em geral, não? Desse jeito, dúvido a gente achar o dinheiro que você tá buscando… Dúvido achar até mesmo um lápis aqui… Se bobear a gente acha até mais coisa do que queria.

— Eu amaria! Tó precisando mesmo dar uma geral nesse lugar… Passei vexame quando a Emily veio aqui pela primeira vez… Acho que não quero que isso aconteça de novo!

— Beleza então… Depois das aulas a gente arruma esse quarto; a campa já deve tá quase batendo de qualquer forma… Ai, ai… E o foda é que comecei a ficar com fome de novo…

— Ah, há! Não se preocupa, eu sei o que pode tirar essa fome rapidinho! — disse indo em direção ao seu guarda-roupa, abrindo ele e… deixando quase tudo dentro dele cair… — Ops… Ahn… Aqui! Pega um… — continuou, pegando um salgadinho que caiu no chão.

— Isso… não tá vencido, né?

— Eh… Não sei… Hehe…

Akira cogita por um segundo; aquilo poderia muito bem tá vencido a mais de dois meses… Mas, no fim, ele ignorou as possibilidades e simplesmente abriu o salgadinho e o experimentou… E por sua sorte, ele não parecia estar vencido…

Hum… Tá bom, amo salgadinho de frango…

Queria dizer o mesmo, o meu tá vencido…

Aqui, eu divido contigo…

Yay! Você é o melhor, Aki!

Já tô vendo que esse apelido vai pegar…

Os dois ficaram ali, apenas conversando enquanto a campa não batia; Akira ficou tentado a perguntar mais sobre o que ouviu nos corredores, contudo, não quis deixar Lucas desconfortável, então acabou que ambos apenas ficaram trocando ideias aleatórias…

Inclusive, Lucas… O que 'cê tava fazendo no fundão da nossa sala?

Bem… Eu ouvi que a galera do fundão tava falando, fazendo e espalhando coisas sobre mim e Emily… Pelo que o Antonie falou, eles fizeram uns desenhos bizarros… Aí eu quis checar…

Putz… Achou algo?

Nah, só um monte de bolinha de papel e alguns cigarros velhos…

Pode fumar aqui?

Também não, mas uma galera consegue algumas coisas desse tipo sei lá como…

Saquei… Deve ser fabricado por alguém, não? Aqui tem laboratório de ciência?

Tem, mas vive trancado… Só um chaveiro pode entrar lá…

Saquei…


Ah… Doce, doce tempo…

Aquilo foi confortante, foi bom ignorar as coisas e ficar apenas conversando sobre qualquer assunto por longos minutos… A memória de mais cedo, seja ela sobre Mark ou William e Nat, já não estavam mais na cabeça de Akira… Como Alex havia dito; Akira apenas ignorou e seguiu a vida…

Você pode estranhar, mas quando se viram, a campa já havia batido; as aulas já tinham terminado; o quarto de Lucas já estava limpo… Foi estranho, e continua sendo… As coisas estavam acontecendo em um ritmo calmo e lento, ao mesmo tempo de situações tensas e rápidas; e tudo isso de uma forma que fizesse Akira esquecer a ideia principal daquele internato; de forma que as coisas que Elliot falou não fizessem tanto sentido mais…

Embora o lugar seja conhecido como o “internato para criminosos”, tudo ali parecia realmente tranquilo; ninguém parecia ter feito algo de errado…

_Isso ignorando algumas brigas, falas e ações que vês ou outro lembrava Akira o que era aquele lugar…

No fim, era uma, ou outra; ou a escola mudava realmente o jeito das pessoas que viviam nela… Ou ela sabia mentir sobre seus alunos, e muito bem inclusive…


Cof, cof…

O tempo voou; já era 30 de janeiro, e a formatura dos antigos alunos seria dia 28 de fevereiro; havia muito caminho pela frente ainda…

Pouco a pouco os dias foram passando, e Akira nem sequer ligou para esse tempo que já passou ali; a ideia de ligar para seus pais sumiu assim como qualquer outra que pudesse vir a sua mente… Todos ali eram tranquilos, cuidadosos, e acima de tudo, tratavam Akira bem… E mesmo com as brigas momentâneas, ameaças e outras coisas; Akira já havia se acostumado… Talvez rápido de mais, talvez cedo demais… mas ainda assim, se acostumado.

Poder agir como ele queria era bom, mas… ver os outros agindo como querem poderia ser perigoso… No fim, Akira relevava esse ponto; era só não puxar briga e ele estaria bem…


A primeira semana foi ótima, Lucas passou ela inteira enchendo o saco de Liz para a festa acontecer; até que ela finalmente aceitou, mas com a condição que ele pagaria tudo… Que não foi um problema para ele, na verdade…

A segunda semana já foi algo mais puxado; Alex e Akira ficaram encarregados de organizar as coisas na cantina, que seria o lugar que a festa aconteceria… Foi nesse momento que a amizade dos dois cresceu um pouco; ambos ficaram surpresos ao perceber que gostavam de muitas coisas parecidas; como alguns esportes ou vídeo-games… Nesse meio período, Alex até se abriu um pouco mais, comentou sobre algumas opiniões dele e até mesmo do motivo de sua estadia de Bonfire, que por coincidência, era a mesma de Akira…

Akira também aproveitou para questionar sobre as tais classificações; Alex deu um resumo do resumo sobre elas, o máximo que Akira entendeu foi que a pessoa que está no ranque mais baixo fez algo muito estupido para estar em Bonfire, já os que estão no topo fizeram algo extremamente pesado para estarem ali… Nesse momento, aquela fala de Elliot voltou na cabeça de Akira, de novo, de novo e de novo… Repetindo a ideia de que aquele lugar era perigoso… Mas o jovem o insistiu em acreditar na sua versão própria; era aquilo, ou não poder tomar suas escolhas por conta de seu pai…

De resto, é isso; os dois apenas ficaram conversando enquanto arrumavam as coisas, somente vez ou outra que eles paravam e faziam outra coisa…

Na terceira semana o grupinho inteiro ficou fazendo decorações e comidas; Emily apresentou uma extrema habilidade no preparo de algumas receitas, enquanto Davi apenas desenrolava os fios de um pisca-pisca que Lucas insistiu em comprar…

Esse também foi um momento que o grupo pode se conhecer melhor; assim como antes, Akira e o resto ficaram apenas conversando enquanto preparavam as coisas; a maior dúvida deles naquele momento era como Lucas tinha tanto dinheiro para bancar tudo aquilo…

Lucas apenas ria e dizia que os guardas estavam comprando o que ele pedia, e que só bastava entregar o dinheiro e eles iam comprar… “Mas da onde saiu o dinheiro?” insistiam, mas não recebiam resposta…

Faltando só alguns dias para a festa, Liz apareceu, parabenizou Lucas e o todos que ajudaram; a mesma também disse que não esperava que Lucas realmente fizesse aquilo, e que era realmente uma boa ideia no final das contas…

Enfim, a hipocrisia de quem não gostou de primeira…

E bom, sem nem perceber, as coisas já estavam diferentes; Akira agora saía de seu quarto conhecendo a maioria dos alunos de seu andar; o mesmo também já estava um pouco mais solto, conversava mais, fazia mais piadas, puxava mais assuntos… E tudo isso por conta dessa mudança drástica na sua vida que foi entrar na Bonfire…

Infelizmente, nesse ponto, todos os pensamentos anteriores já tinham sumido; ele tinha se acostumado com o lugar, com as brigas, com todos… A fala de Elliot havia virado apenas uma memória fragmentada…


Enfim… Um mês havia se passado desda chegada de Akira em Bonfire; faltava apenas algumas horas para a formatura dos alunos, a sensação de “eu que ajudei nisso, eu que fiz!” era ótima; uma pequena ansiedade batia no peito de Akira, mas o mesmo relevou isso, afinal, algo grande estava a sua espera…


Lá estavam eles; Akira, Lucas e Alex, sentados num banquinho na frente da escola, apenas conversando sobre qualquer coisa…

— … Mas até agora você não disse da onde aquele dinheiro saiu… — dizia Alex, fazendo seu máximo para arrumar seu cabelo. — EU ME RECUSO A PASSAR GEL NISSO!

— Passa logo gel… Deus amado… — disse Akira, relaxando um pouco no banco que estava. — De qualquer forma… O que importa é que tudo deu certo! A gente terminou tudo no prazo certinho! Inclusive, bati meu recorde de arrumar um estabelecimento!

— Yep! — exclamou Lucas, com um sorriso no rosto. — Eu tó super ansioso! Falta apenas quatro horas! Eu só quero ver como os outros vão agir! Eu vou explodir até lá!

— Se deixar tu conta até os minutos… Se aquieta menino. — comentou Alex, ainda arrumando o cabelo. — Desgraça de cabelo ondulado! FICA PRA TRÁS, PORRA!

Passa gel nessa caceta logo… Aceita a derrota.

NUNCA!

— Tá bom, parou vocês dois aí… Mas agora, mudando de assunto… Lucas, cadê a Emily? Ela sumiu depois das aulas e não brotou mais…

— Oh? Ela? Ela disse que tava se arrumando, mas eu não sei o porquê ela faria isso tão cedo… Bem provável que ela esteja caçando alguma roupa bonita, ou ajudando alguma amiga dela… Quase certeza que ela tá arrumando a Luna como uma boneca…

— Eu voto na primeira opção… E vira essa boca pra lá, qualquer coisa menos aquela garota na festa… — suplicou Alex, se levantando. — Tem gente que passa horas pra escolher uma roupa… Mas isso aí é de cada um… Agora… se me derem licença, eu vou atrás de um gel pra passar no cabelo… Ódio da porra…

— Eu disse que era melhor só passar gel de uma vez… mas você insistiu… — zombou Akira. — Masculinidade frágil?

— É… Samerda não deixa meu cabelo do jeito que eu quero… E o gel deixa meu cabelo parecendo que uma vaca lambeu ele… E minha masculinidade não tem nada a ver com isso… Tá, um pouquinho, mas isso não vem ao caso…

— Eu avisei que era melhor pegar uma escova… É a única coisa que salva seu cabelo…

— Até porque eu tenho uma, né, sabichão? Aquela da última vez foi a Emily que me emprestou… Hunf… Mas é isso, eu volto já… — resmungou se dirigindo para dentro da escola…

Após a saída de Alex, Akira e Lucas continuaram sua conversa; ambos falavam sobre a festa, sobre como foi arrumar ela, e acima de tudo, como foi divertido…

— Deus amado… Eu ainda não entendo como tem gente que acha esse lugar horrível… Tipo, de alguma forma a escola realmente reabilita uma galera, né? — comentou Akira. — Pensei que esse lance de só dar aula não ia funcionar, mas… pelo visto funciona!

— Hehe… Sim! Isso porque alguns professores estão de férias ainda… Em março vai voltar a ter um monte de aula nova… Bom… Nova pra você!

— Real… Eu tô animado até… Por enquanto foram só aulas normais de um ensino médio… Fiquei confuso sobre isso de primeira…

— É compreensível! Tem algumas coisas que não parecem o que são, mas então você se aprofunda no assunto e descobre que ele é muito maior do que imaginava!

— Com certeza… Pelo que eu tinha lido, esse lugar ia ser um inferno, mas no fim nem foi… Mas vem cá, nunca teve alguma briga ou polêmica aqui não? Quer dizer… Algo realmente GRANDE, sabe? Algo que saiu da bolha…

— Oh… Bem, ter teve, mas sempre é algo meio chato de se ver… Uma vez o Alex se meteu numa briga com um cara do segundo andar; eu não faço a mínima ideia do motivo, mas… é meio estranho ver esse tipo de coisa… Pelo menos eu não curto tanto briga ou algo do tipo… E a Liz faz o máximo possível pra não deixar nada desse tipo vazar pro público… Ela não quer perder a imagem da escola, sabe?

— Ow… Acho que entendi o que você quis dizer… Já se meteu em alguma briga, por acaso? Sem ser aquela do pudim?

— Ah, sim, com certeza… Mas isso já faz tempo… Ele era um aluno novo que nem você, eu tentei amigar com ele e… até que deu bom, a gente ficou super amigos, mas depois de um tempo ele ficou com raiva de mim sem motivo… Foi horrível ver um amigo que eu confiava me tratar daquele jeito… Mas isso não vem ao caso, ele era bem esquentadinho, então meio que eu já tava esperando…

— Ah, que isso… — disse dando um soquinho no braço de Lucas. — O cara provavelmente era um babaca, não tem motivo para ti odiar! Pelo menos eu não vejo eles…

— Ahn… Hehe… Obrigado! Fico feliz em ouvir isso…

— Não, sério mesmo! Eu fico super contente que você veio conversar comigo, nem sei o que eu ia tá fazendo hora dessa se não fosse aquele “Oi, meu nome é Lucas”… Hehe…

— Owt… Valeu por aceitar ir comigo também! — disse retribuindo o soquinho de Akira e se levantando. — Mas chega de conversa de baixo astral! 'Cê quer ir dar uma olhada no Alex pra ver como ele tá?

— É uma boa… A gente pode passar na cantina depois, to com um pouco de fome…

— Hoje teve aqueles salgadinhos! Bem provável que tenha sobrado alguns! E é bom a gente não comer nada da festa ainda… Deixar pro momento, sabe?

— Hehe… Sei, sei sim… Inclusive, toma seu remedio, não vai vomitar lá dentro…

Se precisa eu toma até mais!

Não é assim que funciona… Mas o que vale é a intenção…

E assim, os dois adentram a escola, e prosseguem com seu dia…

Pouco a pouco tudo vai passando, a fatídica festa ia se aproximando cada vez mais… A beleza daquele dia ia lentamente se tornando uma escuridão vasta, o céu iluminado apenas por estrelas fazia as coisas ficarem em um estado confortante; parecia que com o passar de cada hora as coisas iam passando cada vez mais lento… Mas depois de uma grande espera, o momento tinha finalmente chegado…

Akira estava em seu quarto, o mesmo tinha acabado de se arrumar por completo, pegou a calça mais bonita que tinha e a camisa menos amassada; estava com o cabelo penteado e com um sorriso em seu rosto… Seu cheiro era apenas o de um perfume qualquer que Emily o emprestou, a única coisa que era dele mesmo seriam seus sapatos, que já estavam um pouco desgastados por serem seus únicos pares… Mesmo assim, não importava muito, o mais importante naquele momento era o que estava por vir… Afinal, Essa Noite Seria Inesquecível

Uma pequena batida na porta interrompeu o silêncio no quarto, sem nem questionar muito, Akira apenas falou “pode entrar” um pouco alto, e assim foi feito… Da porta, uma silhueta foi tomando forma; vestido longo com tonalidades vermelhas e rosas, com apenas alguns detalhes em branco; um cabelo que ia até o final do pescoço, maquiagem simples, e como toque final, um pequeno girassol em seu cabelo… Emily realmente passou um bom tempo escolhendo uma boa roupa para aquela situação no final das contas…

— Oi, Akira! O Lucas me pediu pra checar como você tá!