Capitulo 1 - É Assim Que Tudo Começa.

Os pássaros voaram com o ecoar do disparo, e mesmo após tudo isso o lugar ficou completamente em silêncio… De repente, um som de passos vindo das escadas atrás do corpo destrói essa “calmaria” com apenas uma única fala…

Oi… Eu Voltei.


Capitulo 1

Intitulado de “É Assim Que Tudo Começa.”

O ano é 2015 no Japão, e uma família bastante conhecida por ser dona de um grande dojo no país estava com um ânimo diferente no ar onde eles estavam… que, neste caso, era um aeroporto.

Kentaro Kurayami, o pai desta família, e dono do tão famoso dojo, acabara de receber uma proposta de emprego nos Estados Unidos para ser treinador de lutadores mundialmente conhecidos, ou algo do tipo…

Kentaro, logo após receber esta proposta, aceitou quase de imediato; ele nem pensou muito para conseguir ver um possível “sucesso mundial” para ele, e talvez para sua família… Foram menos de duas semanas e sua família inteira já estava preparada para aquela viagem ao “país do novo mundo”.

Na mente de Kentaro, aquilo foi o começo de ano perfeito, afinal de contas, o que melhor do que viajar para um novo país poucos dias depois da virada de ano…? Bem, falando assim pode até soar chamativo…

De qualquer forma; junto a ele, foram também: sua esposa, Lucindy Kurayami, uma americana que foi para o Japão e por um acaso do destino trombou com Kentaro, e acabou que no fim de tudo isso os pauzinhos se mexeram entre eles, tornando-os no Sr. e Sra. Kurayami.

Seus três filhos foram juntos também, óbvio, afinal, não poderiam ficar sem o cuidar dos pais por um tempo indeterminado; eles eram: Ayumi Kurayami, a irmã mais nova entre os três, sempre sendo uma garotinha fofa mimada pela avó e pelos pais; Leonard Kurayami, o filho do meio, sendo o queridinho de Kentaro pelo seu físico e intelecto, recebendo diversos conselhos não só do pai como também de sua avó; e por fim, Akira Kurayami…

Akira é o filho mais velho de Kentaro, cabelos longos e brancos similares ao dos seus irmãos, tem olhos âmbar parecidos com o da mãe, e um corpo similar, mas não idêntico, ao do seu pai; geralmente quieto e obediente, porém sempre questiona quando percebe que algo está minimamente errado; ao contrário de seu pai, odeia lutar e usar violência sem motivo aparente, e por este simples fato, desenvolveu uma certa rixa com ele, que é frequentemente ignorada quando Lucindy está por perto.

Todavia, mesmo não lutando ou usando a força bruta para resolver situações de conflito, por obrigação teve que aprender defesa pessoal e outros “truques” de Kentaro quando mais novo, que mesmo não os usando com frequência, se recorda deles quase que perfeitamente.

Mas voltando um pouco, além dos três filhos e a esposa, Kentaro também levou sua própria mãe, Arisu Kurayami…

Arisu é alguém simples, apenas uma senhorinha de idade avançada que dá conselhos aos netos, tendo uma forte relação com Akira por conta da rixa dele e seu pai, além de mimar Ayumi e ajudar Leonard com alguns trabalhos físicos e deveres de casa.

A relação de Arisu com Akira é algo bem forte, Arisu foi como um “segundo pai” para Akira, enquanto Kentaro estava ocupado de mais ensinando judô e outras coisas do tipo para Leonard. Arisu teve que ensinar Akira coisas importantes da vida, desdas mais simples as mais complexas…

Arisu querendo ou não é um ponto de conforto de Akira, sendo a primeira pessoa com quem ele conversa sobre alguma dificuldade ou reclamação que possa estar lhe incomodando.

Mas de qualquer forma; agora, voltando um pouco para o ponto inicial; a família havia finalmente embarcado no avião, ouvir a aeromoça dizer: “senhoras e senhores, relaxem em suas cadeiras e preparem-se para a partida. Próxima parada, Estados Unidos!” deixou não só a própria família Kurayami animada, mas o avião inteiro. Aquilo era, sem dúvidas, um novo e grande passo para um futuro de grandeza… Bem, para alguns somente…

A viagem foi tranquila; Kentaro havia pagado ótimas passagens para toda a sua família, então desconforto por seus assentos ou barulhos estranhos vindo de outro passageiros não séria um incomodo para eles; foi a primeira vez que não só Akira, como Leonard e Ayumi estavam saindo do Japão, então o ânimo dos três estava um tanto quanto exposto para tudo e todos.

Lucindy parecia animada também, até mais que todos ali, a ideia de voltar ao seu país natal não saía de sua cabeça: “como será que minha mãe está?” ela se questionava enquanto o avião levantava voo…


Leonard passou a viagem inteira lendo livros, ele não estava no “pique” de conversar, então colocou um fone de ouvido e começou a ler mais um de seus livros sobre ciência e tecnologia. Ele havia criado uma playlist específica para aquele dia, então, é possível ouvir diversas músicas de diversas bandas americanas saindo de seu fone… E diga-se de passagem, ele tem bom gosto.

Para ter um contraste interessante, Ayumi passou o seu tempo inteiro no voo vendo series e lendo seus diversos mangás. Era fácil ver a garota trocando de tema acada segundo, mas no final de tudo, ela só leu e viu as mesmas coisas que via sempre… Ah, e se for de sua curiosidade, ela leu: “A Lenda Do Espelho Humano”, e assistiu “As Crianças Da Terra Do Nunca”.

Arisu havia caído no sono rápido; ela trouxera uma almofada de pescoço e um par de tampões de ouvidos, com isso, junto a um ótimo assento, o sono bateu mais rápido que qualquer outro desejo da senhorita.

Akira, por sua vez, apenas curtiu a viagem, ele passou seu tempo vendo as nuvens passarem, enquanto pensava como seria sua vida dali em diante… Entre seus pensamentos diversos, uma conversa entre seus pais acabou invadindo sua cabeça, e por uma curiosidade maior, o jovem se fingiu de dorminhoco como sua avó e a ouviu com atenção…

— Você acha que o local ainda existe? — perguntava Lucindy com um tom baixo.

— Com toda certeza, se fosse demolido ou algo do tipo, estaria em todas as mídias; o local é mundialmente conhecido, qualquer coisa que acontecer ali é comentado em todos os lugares… — respondeu Kentaro, olhando a janela ao seu lado. — O que me intriga é como poderíamos resolver os assuntos pendentes, mesmo se tudo der certo, vai ser difícil…

— SOLTA MEU FONE, YUMI! — gritou Leonard, tirando a concentração de Kentaro enquanto tentava fazer que Ayumi soltasse seu fone de ouvido.

Qualé~ É só por um tempinho… a cena tá meio estranha… — insistia à garota, continuando seu ato de “Roubo”.

— VOCÊ DISSE O MESMO DA ÚLTIMA VEZ, POR ACASO TÁ ASSISTINDO ALGO ERRADO PARA SUA IDADE…?

— Um pouco de silêncio aí atrás… — sugeriu Kentaro aos dois. — Não me façam repetir isto.

— Ah…? Ahn… Desculpa… Pai… — disse Ayumi, soltando o fone de Leonard. — Acho que vou ver outra coisa, então…

Viu o que você fez?

Uma quietude alastrou-se pela cabine após isso; Akira, que fingia dormi, não entendeu o que seus pais estavam falando, então deduziu por conta própria que era sobre algo envolvendo política ou qualquer coisa que pessoas mais velhas conversam entre si.

Coisas de adultos, sabe?

E bem… Por conta de sua posição de “dormindo”, junto ao voo suave do avião, sem perceber Akira caiu em um doce, doce sono assim como sua avó…

E convenhamos que, está seria sua última vez relaxando por um bom tempo…


Horas se passaram; Akira dormiu quase a viagem inteira, acordando apenas uma vez para fazer necessidades básicas… E por conta da barulheira que Ayumi e Leonard estavam fazendo.

De qualquer forma; as fatídicas 6 horas de viagem haviam finalmente terminado; e assim como no início, todos do avião sorriram quando a aeromoça disse: “Caros passageiros, chequem seus utensílios e preparem-se para saírem, chegamos ao nosso destino!”; o ânimo de todos ali era extremo, e por qual razão não seria? Afinal, para alguns aquilo era só uma viagem, porém para os Kurayamis aquilo era: “um novo começo de nossas vidas”.

Logo de início, Kentaro agiu rápido; ele já tinha tudo pronto antes mesmo de chegar no local; logo de cara chamou um táxi e foi em direção ao seu novo lar… Temporário é claro, afinal, ninguém pode viver em um hotel para sempre… Supostamente.

Em questão, o hotel se chamava “Starlight”, e se encontrava em uma cidadezinha chamada “Luary” perto de aonde Kentaro daria suas aulas de Judô. O local era bem confortante e popular, mesmo a cidade sendo pequena tinha um número até que alto de habitantes, e por sorte, também havia pelo menos quatro escolhas de escolas próximas para os irmãos Kurayami continuarem seus estudos…

Não era hoje que eles teriam que largar os estudos, e se depender de Kentaro…

Entre elas, tínhamos:

Dearth; uma escola militar que chamou a atenção de Kentaro logo de cara; embora seja perfeita para seus filhos almejarem o que ele queria, as matrículas só abririam no próximo ano… E bem… Estamos em janeiro.

Airdryert; foi a segunda escolha de Kentaro após a notícia sobre as matrículas em Dearth; ela é uma escola pública, do tipo entrou e ficou, porém, Kentaro não estava com confiança em deixar professores quaisquer ensinarem algo aos seus filhos: “eles nem gostam de dar aulas nesse tipo de escola, só trabalham pelo dinheiro e danem-se os ensinamentos!” argumentou ele.

E por fim, Frostfall; uma escola particular extremamente famosa na cidade; pelo que falam, todos que saem dali se tornam físicos famosos ou astros na tecnologia… E obviamente que isso chamou a atenção de Kentaro assim que o mesmo ouviu sobre essa “popularidade” da escola; ele matriculou rapidamente o trio de irmão na escola; e logo na segunda eles já iam para ela como novos alunos…

Espera, não eram quatro escolhas?

Cof, cof… E assim foi feito; e finalmente chegamos ao verdadeiro ponto inicial dessa historia…


Hoje, 5 de janeiro de 2015, Akira junto aos seus irmãos terão seu primeiro dia de aula em Frostfall…

Não podemos dizer que o colégio era feio, porque ele não era; o mesmo possuía um charme único, tons de azul e branco fazendo parecer até uma nevasca… Realmente um ar interessante de se ver e viver… Não havia segredo; assim como o convencional, Akira e seus irmãos se dirigiram cada um para suas respectivas salas de aula; e como todo bom aluno novo, se deparam com olhares de curiosidade e talvez de gozação; mas nada de tão desconfortante, afinal, nem todo dia três japoneses chegam em um colégio americano como se não fosse nada… Aquilo obviamente chamaria atenção de todos, e o trio sabia bem disso…

Sem muito drama ou dificuldade, Akira se encontra em sua sala; ele se acomoda e apenas espera a aula começar… Pouco a pouco os alunos vão chegando, e por fim, o professor.

Com sua chegada, Robert, o professor, percebe Akira, e logo lembra que lhe avisaram sobre novos alunos na noite passada… Após uma breve organização, Robert se levanta pronto para mais um dia de trabalho, e…

— Bom, vocês já devem ter percebido que temos cara nova na sala, certo? Então, por que não se levanta e fala um pouco sobre si, garoto? — disse Robert com um sorriso meigo em seu rosto.

Akira logo se levanta após a fala do professor; o garoto respira um pouco, pensa no que iria dizer, e… — Bem… Sou Akira Kurayami. Sou japonês e gosto de… Escrever, desenhar, ler e… acho que só isso… — comenta segurando um dos braços com o outro, com uma cara meio descontraída. — Minha vida não tem muita emoção… Hehe…

— FALA XING XONG, JAPINHA! — gritou alguém no fundo da sala, fazendo todos rirem por alguns segundos.

Isaac… Tenha modos… Eh… Cof, Cof… Bem… É um prazer ter você entre nós, Akira! Espero que todos respeitem você e… Lhe deem o mesmo tratar que todos aqui… Mas okay, agora… — diz abrindo seu livro, — pagina 12, assunto novo pessoal!

Akira apenas se sentou e pegou seu livro após a fala de seu professor…

É, talvez as coisas sejam um pouco difíceis daqui em diante… Porém, não é um simples bullying que faria Akira surtar… Teria que ser algo um pouco mais tenso…

Mas bem… É Assim Que Tudo Começa.